sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

“Se você não fosse o que é, gostaria de ser o quê?”


Essa frase não é minha, confesso que a surrupiei do Mario Prata. Parece que o nome dele não tem acento. O do Verissimo também não. Não sei dizer o porquê, mas que não tem, não tem. Deve ser coisa de intelectual, predestinação divina para diferenciá-los dos reles mortais.

Fato é que ele (o Mario) é meu cronista preferido e adoro os textos dele. A gente conversa (se bem que ele nem sabe disso). Ele fala umas bobagens inteligentes do lado de lá, eu rio do lado de cá e assim a gente se entende.

Gosto do estilo dele, ele é divertido, mas escreve umas coisas que depois que eu leio, elas ficam martelando na minha cabeça. Sabe aquela cutucadinha que um amigo te dá meio que de brincadeira, mas você não sabe se de fato foi só brincadeira ou se ele está falando a verdade (e geralmente está) de uma forma sutil?

Pois é, a maioria das crônicas dele faz isso comigo. Coisa de gênio, pô! Me faz refletir de forma totalmente diferente do que se lesse um livro desses cheios de teorias chatas (e cretinas) sobre o mundo. No caso dele, não, é espontâneo e divertido.

Mas e daí? Você já deve estar se perguntando a essa altura do texto. Bom, e daí que essa pergunta aí de cima, me deixa de cabelo em pé, porque eu não sei exatamente o que seria se não fosse o que eu sou.

Veja, não se trata só da sua profissão como disse o nosso amigo envelhescente (adoro essa palavra) Mario Prata, trata-se de você como um todo. Talvez eu desejasse ser um homem, mas logo penso nos pêlos, nas bolas (deve ser horrível ter bolas) no meio das pernas (urgh!) e desisto da ideia. Prefiro ficar com orgasmos múltiplos a mijar em pé.

Eu fico um pouco assustada porque me acho tão sem criatividade, tão bobona! Ok, eu sei que já quis ser o filho do Mick Jagger, mas isso não vale né? Por que assim é muito fácil.

Vai ver que eu gosto mesmo de ser quem eu sou (pretensão ou ilusão?), que não quero mudar nadinha de mim.

Se fosse ter uma outra profissão que não a de advogada, queria ser escritora. Não, não, nem vem querer dizer que isso que eu faço é ser escritora porque não é não. Isso é só um bando de idéias que escrevo para matar o tédio e me divertir um pouco, mas não é profissão. Queria escrever bem, de um jeito que fizesse as pessoas vibrarem, se emocionarem, tipo ... ah sei lá, tipo o Machado de Assis!

Bem, eu sei, só nascendo de novo, diriam os mais maldosos, mas pelo menos não quero ser a Gisele Bundchen. Aliás, eu tenho uma dúvida, Por que será que essas pessoas que já ficaram multimilionárias com o trabalho, não param de trabalhar e vão viver as suas vidas?

Será que o glamour faz falta? Isso é uma coisa que a gente não pode responder, com certeza só imaginar, porque a gente não tem glamour, certo?

Eu estou aqui enrolando porque não sei como terminar o texto, simplesmente por não saber quem eu queria ser. Sei que gostaria de continuar sendo mulher, talvez um pouco mais inteligente? Talvez um pouco menos desbocada? Palavras como “mijar”, “foder” estariam totalmente fora do meu vocabulário, com a total aquiescência do namorado e dos meus pais.

Mas talvez isso seja muito chato, bom mesmo é enfiar o pé na jaca e soltar um “vai se foder” de vez em quando, alivia o stress (e muito!). Desisto. Sou tão besta que nem imaginar o que eu queria ser, eu consigo. Talvez por isso eu não seja uma boa escritora, para ser uma boa escritora (não confundir com escritora boa, por favor) eu precisaria de imaginação, e isso está em falta aqui.

Obs: a crônica que consta a frase chama-se “azulejando a vida” e está disponível no site: www.marioprataonline.com.br
UPDATE: Mandei a crônica para o Mario Prata e ele fez dois comentários: (i) disse que gostou do texto, e (ii) disse que está me esperando em Floripa :)

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

O sociopata corporativo (vulgo “filho da puta”)

Você já deve ter ouvido falar dele, se bobear, já teve o azar de conviver com um. Eles são vulgarmente conhecidos como “filhos da puta”, por fazerem todo o tipo de maldade possível e imaginável. Eles mentem, enganam, dissimulam, passam por cima de valores que para você são “cláusulas pétreas” (inalteráveis), como se fosse algo banal. Eles te espezinham, te maltratam, te humilham e não se abalam.

Os sociopatas estão soltos no trânsito, nas ruas, podem esbarrar em você e não pedir desculpas. Ele pode ser seu vizinho, pode ser sua filha, pode ser seu colega de trabalho, ou pior, pode ser o seu chefe.

Eu vou falar de uma sub-espécie em particular, o sociopata corporativo. Ele é um sociopata completo, mas é no trabalho, onde passa a maior parte do tempo, que pratica suas maiores maldades.
Para melhor exemplificar o que vem a ser sociopatia, encontrei uma definição numa busca rápida ao google*: “o Transtorno de Personalidade Anti-Social, vulgarmente chamado Sociopatia, é um transtorno de personalidade, caracterizado pelo comportamento impulsivo do indivíduo afetado, desprezo por normas sociais, e indiferença aos direitos e sentimentos dos outros. A psicopatia, bastante próxima do transtorno de personalidade anti-social, em geral, é mais severa que este. Na Classificação Internacional de Doenças, este transtorno é chamado de Transtorno de Personalidade Dissocial. Indivíduos com este diagnóstico são usualmente chamados de sociopatas”.
Não tenho muito tempo de vida, muito menos de vida corporativa, mas consegui identificar algumas características dos sociopatas corporativos. A primeira característica deles é o de gostar do “poder”. Eles adoram o poder. Fazem qualquer coisa para mandar no maior número de pessoas possível. O mais impressionante é que eles conseguem! Não me pergunte como. Talvez se utilizem da incrível capacidade de enganar as pessoas para alcançarem seus objetivos. Talvez, eles escondam suas presas, seu caninos, para só mostrarem na hora certa.
Verifiquei também que eles (os filhos da puta, ops, os sociopatas), adoram se fazer de vítimas. Alegam, para isso, que sofrem, que tiveram traumas irreversíveis, diversos tipos de problemas que os fizeram ser assim: problemas na infância, problemas financeiros, problemas com o marido, problemas sexuais. Eles sempre se vêem como vítimas, quando na verdade eles são os algozes.
Os sociopatas corporativos fazem da vida dos demais colegas um inferno. E se você ousar dizer a alguém que ele é o que é, meu amigo, se prepare, a próxima vítima será você! Em princípio ele vai se utilizar do papel de vítima e rcorrerá a todos os meios disponíveis para fazer todos acharem que você é quem é o vilão da história. Vai inventar absurdos, que você já tinha o ameaçado, que tinha dito que iria falar mal dele. Que estava tudo planejado.

Depois disso, se prepare, ele vai te atacar, todos os dias, quando não estiver ninguém por perto, vai falar absurdos para você, vai puxar seu tapete, vai fazer com que você não sinta vontade de ir trabalhar. Você já não usa mais a tática de contar às pessoas, porque elas não acreditam mais em você. Nesse momento, você passa a guardar tudo para si. Até que um belo dia, cansado, exausto, você explode. Você o manda para aquele lugar (aquele, você sabe qual, também conhecido como oríficio anal). Pronto, ele tem o que precisava. Você passou a ser o sociopata, não mais ele.

O sociopata corporativo tem, pelo menos três dessas características. Quanto mais você idendificar abaixo, pior para você!

1. Fracasso em conformar-se às normas sociais com relação a comportamentos legais, indicado pela execução repetida de atos que constituem motivo de detenção;
2. Tendência para enganar, indicada por mentir repetidamente, usar nomes falsos ou ludibriar os outros para obter vantagens pessoais ou prazer;
3. Impulsividade ou fracasso em fazer planos para o futuro;
4. Irritabilidade e agressividade, indicadas por repetidas lutas corporais ou agressões físicas; (eu acrescentaria agressões verbais)
5. Desrespeito irresponsável pela segurança própria ou alheia;
6. Irresponsabilidade consistente, indicada por um repetido fracasso em manter um comportamento laboral consistente ou honrar obrigações financeiras;
7. Ausência de remorso, indicada por indiferença ou racionalização por ter ferido, maltratado ou roubado outra pessoa*
Espero que você nunca encontre um pela sua frente, mas se encontrar, cuidado! Sorria para ele e se afaste o mais rápido possível, antes que você também se torne um.

*Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Transtorno_de_personalidade_anti-social

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Carnaval

“Carnaval, Carnaval
Eu fico triste quando chega o Carnaval”
(Arnaldo Antunes)

É batata! Um dia depois do ano-novo começam as vinhetas de Carnaval. E dá-lhe mulata pelada rebolando na tv.

Eu gosto de Carnaval, mas devo me explicar melhor. Na verdade, gosto dos 4 dias que, para mim, é a semana do saco-cheio (parecido com as que tínhamos na faculdade depois das semanas de provas). Você fica quatro dias olhando para o teto e enrolando o cabelo, sem ter que se preocupar com nada.

Eu me lembro que os melhores carnavais da minha vida eu vivi quando era apenas uma criança. O clube da cidadezinha onde morei fazia matinê para as crianças irem fantasiadas e pularem o carnaval. Sabia todas as marchinhas de cor e salteado: Mamãe eu quero, olha a cabeleira do Zezé, ei você aí me dá um dinheiro aí e assim por diante.

Foi literalmente uma festa, mas que durou pouco. Apenas três anos. Após isso o Carnaval se tornou a chatice que é hoje, exceto por não se ter que trabalhar, é claro.

Hoje de manhã vim pensando no significado do Carnaval e divaguei se ele não representa a idêntica política do pão-e-circo praticada na Roma Antiga para conter a rebeldia dos miseráveis.

Para quem não conhece a política do pão-e-circo, eu explico: o Imperador distribuía pão aos miseráveis e montava apresentações de circo para que o povo assistisse aos espetáculos. Assim, com comida para o corpo e para alma (ainda que precárias), eles esqueciam da sua condição miserável e não causavam (muitos) problemas.

Hoje em dia, o pão se tornou o bolsa-família e o circo, o Carnaval. Detalhe importante: o Carnaval tem cobertura televisiva. Agradeço todo dia por terem inventado a tv a cabo. É simplesmente deprimente ter que ficar assistindo aos desfiles que são idênticos, ou pior, os comentaristas que só sabem dizer: “olha que lindo o mestre-sala e a porta-bandeira. A bateria está empolgante”, ou ainda, “esse samba-enredo é realmente uma beleza”.

Tente viajar no Carnaval, mas não se empolgue muito. Primeiro você tem que se preparar para a facada: Carnaval vira sinônimo de extorsão: as oito letras se tornam oito cifrões ($$$$$$$$). Uma pousada no interior ou no litoral passam a custar o mesmo que um pacote até a Argentina num fim de semana normal e um pacote para a Argentina, quase vira um para Nova Yorque.

Todo ano é igual. Eu olho os preços, blasfemo contra a extorsão (sim, eu sou mão de vaca) e fico em São Paulo mesmo. Às vezes viajo com os amigos (o que seria de mim, sem eles?). Mas ainda assim há o problema do trânsito, da falta de água, das filas de supermercado e de padaria.

Acho que estou ficando velha, ou então é o Carnaval que está ficando chato.

Segue minha campanha alternativa (encomendada pelo ministério da saúde), para o uso da camisinha no feriado.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Amizade


Sempre digo que tenho sorte na vida. Não sou rica, mas tenho poucos grandes amigos. E prefiro assim. Dizem que amigo é o irmão que você escolhe, pois eu acredito nisso.

Tenho amigos que já me salvaram de enrascadas. Tenho amigas que eu já salvei de enrascadas. Tenho amigas neuróticas, amigas pollyanas, amigas safadas e amigas boazinhas. Tenho amigos doidos. Tenho um amigo que mantinha uma tabela excel (eu sei porque ele me enviou certa vez), onde ele dava notas de 1 a10 de todas as mulheres que já haviam passado pelo seu lençol. Ele dividia a avaliação em várias categorias (cheiro, pele, performance, unhas, cabelos, hálito e assim ia). Quando ele me mandou a tabela, primeiro achei engraçado. Depois achei curioso. Por que será que ele classificava as mulheres?

Ele é viginiano, assim como eu, e por isso mesmo sei que virginiano é bastante metódico e prático. Tanto que até irrita. Mas eu nunca fiz uma tabela classificatória dos meus amantes. Tudo isso para explicar como eu tenho amigo doido, de verdade.

Esse fim de semana, fui à casa de uma amiga do meu namorado. Ela já se tornou minha amiga também. Pessoa super divertida ela. Disse rindo que foi perguntar quanto custava o apartamento no prédio que será construído em frente ao seu e, ao que o vendedor disse o preço, ela prontamente respondeu: “beijo, me liga”. Toda vez que alguém conta uma lorota, a senha agora é “beijo, me liga?”

Tenho também amigas no trabalho. Essas são as “colegas” com as quais mais me identifico, que passo a encontrar em alguns finais de semana e que passam a freqüentar o cafofo. De simples “colegas”, elas são promovidas a amigas. Engraçado é que elas têm características em comum.

Uma dessas minhas “colegas promovidas” saiu de férias. Durante 20 dias vou ficar sem a companhia dela, e vou te dizer, vai fazer muita falta. Ela foi para Florianópolis e fiz o favor de encomendar um mergulho na praia da Joaquina para ela. Não vai custar nada, ela só precisa dizer em voz alta: “esse é para Ana”, deve então colocar a mão no nariz, prender a respiração e dar um mergulhão gostoso.

Pois bem, no dia derradeiro antes do início das suas férias, fiz questão de me despedir e abraçá-la, foi nesse momento que encomendei o mergulho. Qual não foi minha surpresa, ao chegar ao trabalho no dia seguinte e me deparar com um recadinho em minha gaveta deixado por ela, que dizia assim: “Oi Ana, esse bilhete é para você olhar e lembrar de mim durante as férias. Que Deus te abençoe e te guarde. Um beijo”

Sorri com o bilhete. Meu coração se encheu de ternura e nesse momento meus olhos marejaram. Esse é o maior presente que uma amizade pode lhe dar: consideração, carinho e atenção. A amizade não tem valor monetário, mas vale muito mais do que barras de ouro, ações na Vale ou libra-esterlina. A amizade verdadeira é assim: despretensiosa e sincera.
Ela aquece seu coração até mesmo quando seu amigo estiver ausente.

Amigo te deixa em alta até em tempos de crise.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Olha o passarinho!



“A comida leva 7 segundos da boca ao estômago.
Um fio de cabelo agüenta 3kg.
O tamanho médio do pênis do homem é 3 vezes o comprimento do polegar.
O fêmur é mais forte que concreto.
O coração da mulher bate mais rápido que o do homem.
Existem cerca de um trilhão de bactérias em cada um de seus pés.
As mulheres piscam duas vezes mais que os homens.
O peso médio da pele de uma pessoa é duas vezes maior que o do cérebro.
Seu corpo utiliza 300 músculos para manter o equilíbrio quando você está parado em pé.
Se a saliva não consegue dissolver algo, você não consegue sentir seu sabor.
As mulheres que estão lendo este texto já terminaram.
Os homens que estão lendo esse texto provavelmente ainda estão ocupados medindo seus polegares.”

Homem gosta mais do próprio pinto do que de mulher.

Se você é homem, não gostou do comentário. Às vezes, a verdade dói, meu caro. Se você é mulher já deu uma risadinha sarcástica.

Desculpe, mas vocês sabem que é assim. Todo homem A D O R A falar do seu bilau. Não entendo porque fazer toda essa propaganda. Nós, mulheres, gostamos do seus bilaus, homens, não precisam ficar se mostrando.

Tenho uma amiga que já mediu o bilau do namorado. Ela me contou que pegou aquelas fitas métricas de costureira para medir o dito cujo. Perguntei se a fita ficava por cima ou por baixo do bilau e ela disse que mediu por baixo (não perguntei se estava duro, porque isso já era óbvio), o resultado: 19 centímetros. Depois da medição toda, transaram e ele ficou todo feliz por ela ter medido o bilau dele.

Pior são os apelidos: Tarzan, frajola, He-man, Átila e por aí vai, o nome, ou apelido, tem que demonstrar virilidade, poder, assim como o próprio bilau.

Por que todo homem faz questão que digamos que seu bilau é sensacional? Temos que elogiá-lo, sempre, sempre, sempre. Quanto mais, melhor. Com um simples “Nossa, que grande!” você ganha um anel de brilhantes (e nem precisa ser verdade).

Outra coisa: eles acham que a gente gosta de bilau grande. Quem disse? Calma, a gente gosta sim de pinto médio, o modelo standard. Aquele que agrada aos olhos e ao útero também. Sim, porque não tem coisa pior do que homem-jegue que consegue até coçar a nossa garganta com o tamanho do seu “frajolão”.

Os pequenos que me desculpem, mas a gente come sim, com os olhos. Logo, se você não é tão avantajado assim com o seu bilau (você já deve ter medido, ou comparado com o dos seus amigos), a dica é: desenvolva um “plus” a mais. Faça um ótimo sexo oral, aprenda uma posição nova, traga flores ou algum brinquedo novo, enfim, mexa-se (em ambos os sentidos, claro).

O bilau moderno tem que ser versátil, tem que estar sempre alerta, pois a qualquer momento pode ser requisitado. Outra dica importante: mulher adora homem com cueca boxer.(preta ou branca, estilo a da foto) são as mais recomendáveis. Se ela tiver uma aberturinha na frente então, é a glória! Se é a primeira vez que você vai apresentar seu bilau para uma mulher, lembre-se dessa dica.

Outra coisa importantíssima: cueca samba canção, velha, furada, ou pior, com freada, estão terminantemente proibidas na hora de transar. As samba-canção só são permitidas para dormir, o resto tem que ser banido. Você pode estar casado há trinta anos, mas não tem coisa que broxe mais uma mulher do que homem anti-higiênico.

Enfim meninos, como eu disse, nós gostamos de bilau, tanto que falamos deles (principalmente quando vocês não estão ouvindo), mas saibam que não ficamos falando só do tamanho. É o conjunto da obra o que mais importa

Em tempo: experimente dar uma aparadinha (ou melhor ainda, peça para ela fazer isso) no “matinho” em cima do seu bilau: você vai ver que ele parecerá maior do que já é!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Pseudo Intelectual



O pseudo-intelectual é aquela criatura que se acha extremamente inteligente e interessante, mas que depois de meia hora de conversa, você percebe que além de chato ele é, na verdade, um impostor. Vamos tratá-los como “pseudo” para facilitar a vida da escritora aqui.

Ele leu um punhado de livros-cabeça. É claro que ele não os chama assim. Diz que são leituras clássicas para compreender melhor o mundo e os seres humanos. Ele não lê best-sellers. Acha que isso é coisa de gente pobre de cultura, de gentinha. Seu livro de cabeceira é o “Náusea” – do Sartre.

O “pseudo” a-d-o-r-a Chico Buarque, mas não da música em si. Ele fica decorando as letras para declamá-las em forma de poema nos bares que freqüenta, para que seus amigos (ou seriam pseudo-amigos?) o admirem.

Não precisa ser só Chico Buarque, não. Pode ser João Gilberto também, Marisa Monte ou algum cantor ou cantora brasileira que faça um razoável sucesso, mas ainda não estourou. Descobrir um pseudo-artista, para o pseudo-intelectual, é a glória!

Ele pode ou não gostar de música clássica, mas se gosta (ou diz que gosta), tem sempre um cd em seu carro e coloca para tocar quando dá carona a alguém, para impressionar seu carona, sabe? e então ele diz, todo cheio de si: “Ah, essa é a raríssima 8ª de Bach”.

E os bares? Ele não vai a bares da moda, não senhor. Isso tudo é “over” para ele. Ele vai aos bares sujinhos da Vila Madalena. Adora sentar naquelas mesinhas de plástico ou de ferro encardidas e filosofar sobre a vida. Ele fuma, o pseudo-intelectual acha que é muito elitista fumar. Ele geralmente gosta de Marlboro ou de Camel. Acha que essas são as marcas menos da moda, mais “cult”, entende?

O “pseudo” freqüenta ativamente o espaço Unibanco, o Reserva Cultural, a Sala São Paulo. Não porque é bom, ou porque ele gosta, é mais para manter a fama de (pseudo) intelectual. Ele não acha que é pseudo, só intelectual mesmo.

E os filmes então, Ai Jisuis! o “pseudo”adora os filmes lado B. Desses iranianos, japoneses sem pé nem cabeça, que dão sono e são ruins. Eles adoram assistir a esses filmes, e depois irem aos seus bares sujinhos para discutirem o sentido e amplitude da película.

Ganha quem tiver a melhor sacada, ou seja, quem conseguir parir o comentário mais pseudo-intelectual possível, ou seja, o que contenha em seu discurso uma comparação aos discursos filosóficos que travam nos seus encontros, que são intercalados com goles de cerveja bohemia ou original – um segredo: o pseudo-intelectual não toma brahma ou skol – isso para ele é comum demais.

O “pseudo”assiste aos filmes-blockbuster-americanos sim, mas esses, ele só assiste em casa, escondido e com a luz apagada para ninguém desconfiar do seu (suposto) delito. E sempre sozinho. Compra uma cópia pirata no camelô para poder jogar fora depois de ter assistido, assim não cria nenhuma mácula em seu currículo de pseudo-intelectual.

O “pseudo” te abomina. Odeia seus comentários sobre o dia-a-dia e as piadas cretinas que você aprendeu no churrasco do fim de semana. Para eles, isso tudo é perda de tempo e falta de utilização da massa encefálica. Ele adora falar sobre coisas importantes e se julga sempre o Platão da mesa. Gosta de dizer o que fez no final de semana e sempre frisa os filmes ruins a que assistiu ou os livros babacas que quer ler.

E as roupas então, misericórdia! “Pseudo” não usa roupa de grife, não senhor. Pelo menos não quando vai a esses lugares que costumam freqüentar. Eles adoram óculos de aros grossos, cachecóis coloridos (pode estar 40 graus lá fora, não importa) e aquelas bolsas para carregar livro (aquelas que a Cultura Inglesa dava para os seus alunos, sabe?), e sempre está com algum livro nessa bolsa. Nietzsche, Sartre, Allan Poe, Dostoievski, Kafka, Saramago, são exemplos dos nomes dos autores que podem estar dentro dela.

Ele jamais lerá a biografia do Tim Maia, ou do Eric Clapton ou do Jimi Hendrix, mesmo porque, a maioria dos pseudos não gosta de rock. Ele só lê a biografia do Einstein, do Santos Dumond ou do Pasteur, pois acham que essas sim, são edificantes para sua lista de livros lidos que sempre que pode recita a alguém.

Ele geralmente compra os livros em sebos. Na Livraria Cultura ou submarino só se for cd ou dvd. Querem livros usados, com orelha na capa. Assim, parece que ele manuseou bastante aquele exemplar, que leu, releu, pensou, repensou. Ele precisa demonstrar que gosta daquilo (apesar de não entender metade do que está escrito).

O “pseudo” já foi à Europa. Sim, claro, e sua cidade preferida é Paris. Ele tira fotos da Torre Eiffel, mas não faz cara de alegria, como se dissesse: “putz, to aqui!” Ele faz aquele ar blasé, entediado, como se dissesse: “ai, nada demais”. Ele foi só uma vez para lá, mas diz conhecer a cidade como ninguém. Vai a um daqueles bares e cafés onde se pode colocar seu nome e um souvenir e tira uma foto para dizer que é totalmente “in”.

É importante ressaltar que o pseudo-intelectual pode ter qualquer profissão, mas o mais comum é serem professores, escritores, jornalistas, advogados e artistas de um modo geral (pintores, músicos, escultores, desenhistas, etc).

O “pseudo” é na verdade um imbecil, exatamente por achar que sua existência é mais importante do que a de qualquer outro. Ele é extremamente arrogante, se acha a última bolacha do pacote, a última coca-cola do deserto, um ser superior aos demais membros da raça humana. Leitor de revista em quadrinhos, seguidor de novelas ou leitor de Caçador de Pipas ou o Código da Vinci são vermes equivalentes à taenia solium ou saginata para eles.

O “pseudo” se considera o mais inteligente e esperto, só não sacou um detalhe importante: a vida passa muito rápido para ficar aí, fazendo pose de “cult”. Você pode ser um intelectual de verdade ou um ser humano comum, ordinário e feliz, o importante é ser autêntico e não uma fraude. É isso que o pseudo intelectual é, uma fraude, ele faz o que faz só para ostentar e não porque gosta. Ele é na verdade um pseudo-humano.

Para encerrar, vou dar um exemplo prático do que é conviver com um “pseudo”: ele sempre manda uma dessas frases de pensadores (que passa dias decorando), e enquanto fala, faz cara de conteúdo, como se a frase fosse dele mesmo.

"Quem sabe que é profundo busca a clareza. Quem deseja parecer profundo para a multidão procura ser obscuro porque a multidão toma por profundo aquilo cujo o fundo não vê, ela é medrosa... hesita em entrar na água" - (Friedrich Nietzsche, "A gaia Ciência", Cia das Letras, ano 2001, Tradução, notas e posfácio de Paulo César de Souza, Aforismo 173, pág. 166)
Obs: In, over, cult são todas expressões “pseudo”

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Papo Cabeça


Nos encontramos em mais uma quinta-feira, dessas comuns, de noite quente de verão. Dessa vez ganhou a panquecaria. Sempre comemos muito quando vamos nela. Comemos, bebemos e conversamos.

Fui a última a chegar. Elas já estavam lá bebendo e rindo, animadas, provavelmente soltando algumas piadas. Avistei-as ainda do lado de fora do restaurante. Como estão lindas, pensei ao vê-las. Todas de ótimo humor. Cheguei sorrindo e com presente para uma delas, que adorou a surpresa e agradeceu.

Chamei o garçom e pedi uma long neck. O garçom traz a garrafinha e um copo em formato de tacinha. Dispenso o copo. O garçom estranha: “vai tomar na garrafa?” Ele diz, vou sim! Minhas amigas me acompanham e também pedem a cerveja, sem copo.

Brindamos animadas, nosso brinde tradicional: “saúde, alegria e sacanagem todo dia” como fazíamos desde o primeiro ano de faculdade. A primeira vez que gritei isso para elas, me olharam assustadas. Eu sempre fui a mais “atirada” das amigas. Nessa época, elas ainda não estavam acostumadas a ouvirem as minhas baboseiras. Hoje, dez anos depois do primeiro brinde, elas já se acostumaram e adoram a idéia.

Estava aberta a sessão de terapia em grupo, onde discutiríamos todos os temas do universo, de sapatos em promoção à posse do Obama.

Uma de minhas amigas vira e diz que atualmente nos apaixonamos pelos homens de verdade e não só pelos bonitinhos, como fazíamos no colegial. Olho para ela. Eu admiro muito essa amiga. Ela sempre foi muito sensata e sempre solta umas observações que me fazem parar para pensar. Apesar disso, é a mais “pollyana” das meninas. Dessas que acredita que o amor supera tudo e que mais vale um amor para te esquentar do que uma carreira bem sucedida.

Quanto ao “homens de verdade”, ela tinha razão. Se você perguntasse à mim, por que eu gostava do Augusto no segundo ano do colegial, eu só conseguiria responder: “por que ele é bonito”. Realmente não interessava muito se ele era simpático, se gostava das mesmas coisas que eu, se era educado ou inteligente. Bastava que fosse bonito.

Talvez pelo fato de ser geralmente uma paixão platônica. Afinal, o bonitinho em questão nem desconfiava que eu gostava dele. Confessei que se meu atual namorado não fosse bonito, eu o namoraria de qualquer jeito. Simplesmente porque ele é simpático, inteligente, bom de cama e de cozinha.

Realmente as coisas mudam, os valores vão mudando com o tempo. Nossas exigências passam a ser diferentes, talvez porque nossa realidade também mude. Queremos que o homem que está ao nosso lado nos ame, ponto final. Não importa se ele é bonito ou feio, rico ou pobre, esperto ou burrinho. Só queremos a reciprocidade do sentimento.

Tudo muda, menos a cervejinha que é tomada direto na garrafa de long neck e o nosso brinde, é claro. Esse será o mesmo até os 90 anos. Quero ser uma velhinha “pra frente”, para orgulho ou desespero dos meus netos, se é que vou ter netos.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Valha-me Deus!



Quanto mais o tempo passa, mais eu estou ficando cricri(tica). Sim, eu admito. Como tento ver a vida por uma perspectiva positiva (pelo menos, eu tento, mas nem sempre consigo), creio que isso ajuda a escolhermos melhor as coisas e as pessoas que estão ao nosso redor.

Vamos ao tema. Acho super válido serem reservadas vagas de estacionamento aos idosos em shoppings, lojas, restaurantes e bancos. Eles realmente merecem, pois trabalharam duro e honestamente a vida toda (salvo grande parte dos políticos e alguns juízes desse país), e realmente devem receber todo nosso respeito e admiração. Inclusive mais comodidade e atenção.

Mas veja só como é a vida, ao tentar demonstrar o respeito a essas pessoas já curtidas pelo tempo, que demonstram em seus rostos cada marca que ele talhou, tratam esses senhores e essas senhoras com mais desrespeito do que se nada tivessem feito sobre o assunto.

Explico. Prestem atenção ao detalhe da foto acima. Perceberam como está representado o idoso? Com uma bengala na mão e curvado, como se estivesse com bico de papagaio ou qualquer outro problema nas costas. Com jeito de doente e acabado, uma visão totalmente preconceituosa.

Idoso não é inválido, valha-me Deus! Onde está o departamento de atendimento ao cliente, relações públicas, assessor de imprensa, ou seja lá qual for o nome do setor que cuida desses detalhes (que considero eu, pelo menos) importantes?

Será que é realmente necessário identificá-los dessa forma? O que será que os fabricantes de tais placas ou mesmo as empresas que elas encomendam têm contra a própria palavra “idoso”? Não seria mais fácil escrever no placa “idoso” ao invés de fazerem esse ser como figura de velho e acabado?

Eu ainda não sou idosa, mas se fosse, coitado do responsável por tamanha insensibilidade, não pouparia seus ouvidos assim como não pouparam (em tese), a minha dignidade. Isso é assédio moral pessoal! Dá direito à indenização por danos morais, poxa vida!

Essa placa além de um atentado ao discurso politicamente correto é uma baita falta de bom gosto. Pensei em mandar um e-mail para o local de onde tirei essa foto. Não sei se preencho a opção de reclamação, crítica ou sugestão. Em qual deles será que melhor se enquadra essa questão?

Pior do que não responderem, seria receber uma resposta do gerente assim: “olha aqui minhas rugas de preocupação”. É ou não é?

Carta a José Saramago



Caro Zezito,

Me perdoe a ousadia, mas como o senhor freqüenta minha casa há alguns anos e já travamos alguns diálogos, ainda que imaginários, desse modo, o senhor para mim já é praticamente um membro da família.

Desde que o destino trouxe um livro seu até as minhas mãos, desse dia em diante, minha vida nunca mais foi a mesma. Ela mudou sim e muito, e para melhor.

Quando li a primeira página do “Ensaio sobre a Cegueira”, sabia que estava diante de uma obra-prima. Só não sabia que ela me faria questionar tudo o que até então era, para mim, concebido como “realidade”. Ao terminar de lê-lo fiquei um pouco deprimida. Isso mesmo, deprimida e perplexa!

A verdade, quando escancarada em nossa frente, causa dor, e só com a decepção e com a dor é que crescemos. Esse livro me fez abrir os olhos e despertar para coisas que até então estavam no escuro. Eu literalmente passei a enxergar melhor.

Descobri nesse livro um escritor excepcional, mas acima de tudo um humanista, um crítico severo da atual vida que levamos, da realidade brutal em que vivemos.

Depois de Ensaio sobre a Cegueira vieram Ensaio sobre a Lucidez, Intermitências da Morte e o Evangelho Segundo Jesus Cristo. Com esse último ficou claro para mim sua descrença em Deus, mas o que mais me surpreendeu foi a demonstração de que até Deus seria muito egoísta por ter deixado Jesus sofrer e passar por tudo que passou, simplesmente para divulgar seu nome na Terra.

Preciso dizer que fiquei impressionada, pois nunca tinha visto a história de Cristo por essa óptica. O senhor para mim é um gênio.

Foi então que comprei uma dessas revistas especializadas em Literatura que tinha o senhor na capa. Ao ler o seu conteúdo descobri a infância e adolescência muito pobre que o senhor teve em Portugal. Descobri também toda a admiração que o senhor tinha pelos seus avós maternos. Me emocionou sua admiração por eles e por dizer que, mesmo analfabetos, eram muito sábios.

Saber dessas coisas, desses detalhes, fizeram com que toda a admiração que sentia pelo senhor e pelo seu trabalho aumentassem ainda mais. Passei a entender o motivo pelo qual o senhor compreendia o mundo de outra forma.

Só mesmo alguém demasiado humano diria coisas assim: “Se o homem não é capaz de organizar a economia mundial de forma a satisfazer a necessidade de uma humanidade que está a morrer de forme e de tudo, que humanidade é está? Nós, que enchemos a boca com a palavra humanidade, creio que ainda não chegamos a ela, não somos seres humanos. Talvez chegaremos a sê-lo um dia, mas não o somos, falta-nos muitíssimo. O espetáculo do mundo está aí e é de dar calafrios. Vivemos ao lado de tudo que é negativo, como se não tivesse nenhuma importância, a banalização do horror, a banalização da violência, da morte, sobretudo a morte dos outros, é claro. E enquanto a consciência da gente não acordar, isto aqui continuará da mesma forma. Porque muito do que se faz é para manter todos na abulia, na carência de vontade, para diminuir nossa capacidade de intervir civicamente.”

Foi com imensa alegria que descobri sua vinda ao Brasil para divulgar seu último livro, “A viagem do elefante”. Quase não consegui entrar, pois o lugar estava apinhado de gente. Um autógrafo continuou a ser somente um sonho. Mas lhe digo que a emoção de vê-lo de perto e de ouvir suas sábias palavras me deixaram muito emocionada e marcaram, para sempre, minha vida.

Esse fim de semana, fui ver a exposição feita em sua homenagem e lá me emocionei, mais uma vez, com o senhor, com suas obras, mas especialmente, com a sua história de vida. Ao ler as cartas que o senhor escreveu à sua avó, mas principalmente ao seu avô. O fato de doer-lhe na alma o fato de terem sido analfabetos por toda vida e por praticamente não terem saído de Azinhaga e não terem conhecido praticamente nada do mundo em que vivemos, encheu meu coração de ternura.

Ver uma sala com suas obras traduzidas para várias línguas me fizeram cometer um despautério: tirei uma foto disso. Ei-la aqui. Tomei uma bronca do segurança: “Não é permitido tirar fotos senhorita”. A partir de então, eu e meu namorado passamos a ser “os suspeitos” e em todo lugar que íamos éramos perseguidos pelos homens de preto.

Não me arrependo pela foto. Peço desculpas, mais uma vez, mas precisava registrar esse momento tão importante em minha vida.

Tudo isso para dizer que o senhor conseguiu. Saiu de sua vila paupérrima e de sua casa onde possuía somente um livro, para mudar a vida das pessoas, dentre elas, a minha.

Saiba que o senhor é uma das pessoas que mais admiro no mundo. Ainda tenho muitas de suas obras para ler e o farei aos poucos, deleitando-me com as suas palavras que sempre me fazem pensar e a ver as coisas sob uma nova óptica.

Em resumo, essa carta é para lhe dizer o meu muito obrigada. Saber que existem pessoas como o senhor nesse mundo, fazem meu coração se encher de esperança de que é possível sim vivermos num mundo melhor, num mundo de esperança e bondade, ainda que para isso, tenhamos primeiro que aprendermos a enxergar.

Um grande abraço,

Da sua leitora e admiradora,

Ana Paula

PS: Sei que essa carta não está a sua altura, mas saiba que ela foi escrita com grande carinho.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

A verdade


“Life is not meant to be easy, my child; but take courage: it can be delightful.” George Bernard Shaw


Hoje eu fui almoçar sozinha. Não porque eu seja uma pessoa chata, nada disso (penso eu) é que tinha que liberar um prazo e meu almoço começou às duas e meia da tarde.

Acho muito deprimente almoçar sozinha, não sei explicar por quê, mas acho. Talvez seja importante, para mim que sou mulher, falar durante essa uma horinha de descanso do trabalho. Mas não houve acordo. Fomos eu e uma revista, ao restaurante.

Lá chegando pedi um fettucine a bolonhesa, fiquei esperando o prato e como não tinha com quem falar li um trecho de uma revista cujo título e trecho a seguir me intrigaram: “viajar para quê – a causa única da infelicidade do homem está no fato de ele não saber ficar tranqüilo em seu quarto”.

Quando meu prato chegou, agradeci a garçonete e fiquei pensando sobre o que tinha acabado de ler. Já tinha pensado nisso quando assisti a “Foi apenas um sonho” (Revolutionary Road em cartaz com Kate Winslet e Leonardo Di Caprio), mas como esse assunto está me perseguindo, acho que devo escrever sobre ele, assim, talvez, ele se liberte e saia da minha cabeça.

Well, antes que você me ache doida, o que estou querendo dizer desde o começo (nossa como advogado é prolixo) é que a felicidade está dentro da gente.

Você pode viajar e dormir nos melhores hotéis. Você pode ter o máximo de conforto em sua casa, você pode ter um veleiro a sua disposição para desbravar praias paradisíacas de areia branca e água limpa. Se você não estiver bem com você mesmo, meu amigo, não tem nada nem ninguém que vai resolver seu problema. A não ser você mesmo.

Parece meio clichê, mas esse texto que li, combinado com o filme que vi, são um retrato de que a vida é isso aí: você contra você mesmo, o tempo todo. É a sua consciência que te faz perder noites de sono por conta de algo que disse e não devia, ou não disse, mas deveria.

É você quem deita a cabeça no travesseiro e naquele minuto imediatamente anterior ao seu suspiro de sono, que tem que se sentir bem com você mesmo. E você pode estar deitado em qualquer lugar do mundo, isso é irrelevante. Tudo o que você precisa na vida, está dentro de você.

Tanto o filme quanto a revista me mostraram isso, cada um a sua forma, cada mensagem a sua maneira. É mais ou menos o que fala a propaganda da Mastercard: “existem coisas que o dinheiro não compra”. Estar bem consigo mesmo, é uma delas, com certeza. Verdade absolutamente verdadeira.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Seje Homi

É isso mesmo, você ouviu direito: “seje homi” rapaz. Daqueles com o ahá maiúsculo. Daqueles que pegam a mulher de jeito, que puxam forte, que apertam na medida certa, tanto que ela até prenda a respiração quando isso aconteça.
Deixe de ser afetadinho, bonitinho, carinhosinho. Isso tudo é coisa de veadinho, isso sim. Hoje em dia, tem homem (com ahá minúsculo) que reclama até se a mulher bagunçar o cabelinho dele, pode? Mulher adora homem despenteado e com a barba por fazer: Isso, apareça despenteado, barbado, mas com cara de Homem na casa dela. Quando ela abrir a porta não espere nem pelo “oi”, agarre ela na mesma hora e já pegue na bunda. Você vai ver, é tiro e queda. Ela vai fingir que não gosta, mas ela gosta. Ah, se gosta. Nessas horas, você tem que resgatar sua origem primata e voltar a ser o macho copulador que seu tataratataratataravô foi: tem que ser Homem!
Detesto admitir, mas aquele funk horrível que tocava há um tempo atrás, estava certo: na hora do vamos ver um tapinha não dói mesmo. É até gostoso.
Mulher reclama que homem “isso e aquilo”. Que são insensíveis, que são brutos e muitas vezes mal educados. Mas mulher gosta mesmo é de Homem cabra-macho. Daqueles com pinta de Damião (da novela "A Favorita" - veja vídeo abaixo). Que lhe agarre forte, que lhe beije firme e que bagunce todo o seu cabelo e sua roupa com um só agarrão. Se ele for tudo isso, a gente deixa até ele usar regata.
Ele tem que ser Homem mas não pode ser burro. Mulher prefere um careca barrigudo e com um bom papo do que um ser com barriga tanquinho que diga “para mim fazer”. É disso que as solteiras estão reclamando quando dizem que não tem Homem disponível. São desses Homens que elas sentem falta. Elas não querem esses que fazem joguinhos, tipinhos, beicinhos. Mulheres gostam do “tipão”: com pezão, pintão, tesão, sabe? Como diziam os Raimundos: mulher gosta de homem que façam elas tremerem... e não é de frio!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Eu queria ser o filho do Mick Jagger


Hoje vou falar sobre os filhos dos homens ou mulheres famosos (as). Eu juro que queria ser um deles.

Já me peguei pensando como seria a minha vida se eu fosse o Mick Jagger por um dia. E achei uma delícia. Primeiro porque o cara, com certeza, não tem RG e se tem, não usa. Para que? Todo mundo sabe que ele é ele, não precisa ficar provando. Segundo, porque com certeza ele não paga a conta de nada.

Tudo bem vai, das coisas mais caras eu até acredito, mas você cobraria um almoço ou um jantar do Mick Jagger se ele fosse ao seu restaurante? Eu não cobraria e ainda tiraria uma foto com ele e colocaria na minha mesa para poder dizer: eu já estive com esse cara!

Estou usando o Mick Jagger como exemplo, mas poderia ser também o Saramago. O problema é que o Saramago só é conhecido por determinadas pessoas. Lembre-se da crônica do elevador. Se bem que agora que seu livro virou filme, ele também está um pouco pop-star.

Quando ele veio divulgar seu último livro, “A Viagem do Elefante”, no ano passado, foi um “Deus nos acuda”. Quase que não consigui entrar no Sesc! E a fila para conseguir um autógrafo, então? No way! Sem falar que durante a palestra, quando ele disse que já ia encerrar, o povo todo saiu do auditório para ir à fila do autógrafo. Fiquei irada, para que alguém quer o autógrafo dele, se não tem nem educação para esperá-lo terminar de falar? Mas deixa isso para lá, isso é papo para outro texto.

Como eu dizia, a vantagem de ser o filho do famoso e não ele próprio é que você usufrui de todo o dinheiro e de todo o prestígio de seu pai sem ter que pagar o preço. Os paparazzi (aliás, foi na Itália que começou essa história de jornalista e fotógrafo fofoqueiro, por isso o nome vem de lá) não tem perseguem, você não tem que fazer shows, você consegue ter o prestígio sem fazer nada, pois já dizia o ditado, filho de peixe, peixinho é. Enfim, você levaria uma vida de rei!

Você já se imaginou sendo filho de alguém famoso? De qual famoso você queria ser filho ou filha? Vou fazer uma lista de famosos que eu gostaria de ser filha, que vai de gente porra-louca até gente certinha.

Que fique claro que eu adoro o meu pai. Não tenho nenhum problema com ele. Aliás, o senhor José é meu herói. Sempre tem ótimas sacadas. E sempre faz piada com tudo. Seu único defeito é não usar as camisas pólo que eu compro para ele (elas precisam ficar no guarda-roupa por uns dois anos e dar uma envelhecidinha para só então ele usar – ele adora as velhinhas, diz que são mais macias). Ele consegue ser a pessoa mais calma do mundo e me agüenta há 30 anos sem reclamar. É ou não é, um cara gente boa?

Ser filho de famoso também te abre portas. As portas do estrelato, digo. Vejam só a Liv Tyler. Ela é linda, filha do Steven Tyler e virou atriz. Se ela é boa atriz ou não, isso é outra história. Vejam a filha do Zezé de Camargo, a Wanessa Camargo, ela virou cantora e cantora famosa (saiu até na capa da “Caras” o seu casamento). Se ela é uma boa cantora ou não também é outra história.

Nossa, eu queria ser a filha do Jimmi Hendrix! Eu estou lendo a biografia dele e o cara era muito gente boa! Tudo bem que eu teria o cabelo meio bombrilzão. Quer saber, eu usaria o cabelo espetadão, estilo Vanessa da Mata, amarradona e ainda iria lançar moda, se bobeasse...

Se fosse escrever de quem eu queria ser filha, isso aqui viraria um livro. Mas que seria bom, ah, isso seria!

Em tempo: Eu queria ser filha da Rita Lee com o Roger (do Ultraje a Rigor), eu seria a Leila Diniz pós-moderna!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Você não tem pós graduação?


Ouço essa pergunta há cinco anos. Desde o momento em que me formei, ouço meus amigos me perguntando por que não faço pós-graduação.

Quando resolvi mudar de emprego, me perguntaram na entrevista, por que eu não tinha pós-graduação. Preencho um cadastro num site e perguntam em grau de escolaridade: “superior incompleto, superior completo ou pós-graduação”.

A sociedade vive me cobrando a tal pós-graduação. Eu estudei até o terceiro colegial. Fiz dois anos de cursinho. Cinco anos de faculdade e mais seis meses de cursinho (para passar na prova da OAB).

Será que já não deixei muita gente rica? Vou ter que continuar enriquecendo os outros com o meu dinheiro?
Sou pressionada no trabalho a ter pós-graduação. Apesar de ter feito um ano de mestrado como “papagaio de pirata” (desses alunos ouvintes que assistem às aulas, estudam, mas no fim, não pode dizer que têm mestrado), agora vou ser obrigada a fazer a maldita pós-graduação.

Como não tenho sobrenome famoso, nem sou pessoa influente, nem tenho pai rico, o mestrado “com diploma” vai demorar a ser obtido. Talvez, um dia, quem sabe? Pensei há três anos que, já que teria que fazer pós-graduação, que fosse um mestrado. Para quem não sabe, mestrado também é pós-graduação, só que estrito senso. A pós-graduação mais conhecida é a lato senso. Não sei para que existe essa divisão, mas como não me interesso muito pelo assunto, não fui atrás para me informar.

Me inscrevo numa dessas faculdades que estão na moda atualmente, que tem nome bonito, a abreviação de alguma coisa que soa importante, imponente, com prédio chique e móveis novos, cheias de tecnologia.

Chega o administrador do curso e diz, todo feliz e empolgado, que vou ter que fazer uma prova (para se justificar, ele diz,você sabe como é, não é? preciso selecionar os advogados, já que todo mundo termina a faculdade, passa na OAB, mas nem todo mundo tem bagagem suficiente para acompanhar esse curso). E aqui só estudam os melhores. Fiquei na dúvida se os melhores são os que passam na prova, ou os que podem pagar a fortuna que custa. Pelo jeito tem que ser o dois, só um não resolve o assunto não!

Fico pensando quem está errado nessa história toda: será que sou eu por pensar que meus 10 anos de experiência (incluindo o estágio) na área tributária realmente não são suficientes e que preciso mesmo de uma pós-graduação? Será que é o homem que está a minha frente e precisa se justificar por fazer um processo seletivo num curso de pós-graduação? Será que é a OAB que apesar de fazer a sua prova, ainda assim, aprova pessoas sem condições de advogar? Será que são os donos das faculdades que transformaram as faculdades em verdadeiros estelionatos educacionais e vendem diplomas como garantia de sucesso e felicidade? Ou será que é o Ministério da Educação que aprova as tais faculdades, sabe Deus como e por quê?

Olha, taí uma pós-graduação que eu gostaria de fazer. Se algum curso me desse a resposta dessas perguntas que ficam me rondando, eu faria com o maior prazer. Talvez seja um curso de filosofia, ou talvez, um curso de ciência política. Mas desse jeito eu só vou ficar com mais um curso no currículo (cursos esses que eu faço todo ano, mas que parecem não valer, o que vale mesmo é a tal da pós-graduação).

Saio do lugar mais desanimada do que entrei. Ainda não estou pronta para cursar essa tal de pós-graduação. Não por ter que fazer o teste, mas por achar que eu realmente gostaria de fazê-la por vontade própria e não por morar em um país que valoriza mais um pedaço de papel do que a vivência de uma pessoa. Por admirarem você pelo que você tem e não pelo que você realmente é.

Faço a inscrição “on line” da tal pós-graduação e lá se vão mais 30 mil reais divididos em 24 meses. Minha mãe me diz que é o preço para chegar lá.
E esse “lá”, será que vai se tornar “aqui” algum dia?
Às vezes é difícil morar nesse mundo.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Super Bowl - a visão feminina do futebol americano



Não vou negar. A primeira vez que prestei atenção a todos aqueles homens no campo foi meramente pelas suas calças claras e agarradinhas. “Como são interessantes esses jogadores” disse ao meu namorado que assistia ao jogo com uma cerveja na mão. Ele me olhou de soslaio e me disse em tom irônico: “Se você prestasse atenção ao jogo e não na bunda dos jogadores gostaria ainda mais desse jogo ianque”. Resolvi conferir. Não tinha nada melhor para fazer mesmo.

E olha amiga, preciso dizer. Fiquei viciada. Não só naqueles homens fortes, altos e de calças agarradas, mas também no jogo.

Para quem não tem noção do que venha a ser o futebol americano: é a coisa mais excitante que já vi. Nada comparado ao chatíssimo jogo de futebol a que estamos acostumadas, o futebol americano é uma disputa homem a homem por território. Quer coisa mais sexy do que isso? É testosterona o tempo todo, vale muito a pena conferir.

Ele mistura força bruta com inteligência e ainda beleza (que o diga nossa amiga Gisele, a Bündchen!). Basicamente, para simplificar a regra do jogo, vence o time que conseguir atravessar o gramado e invadir com a bola em mãos, o território do time rival.

Para isso são aplicadas técnicas de guerra (aquelas paredes humanas formadas pelos armadores – que são os bruta-montes) táticas de guerra (onde os “quarterbacks” organizam as jogadas e determinam os avanços dos seus jogadores) e ainda as técnicas dos agarradores (calma mulherada não é isso que vocês estão pensando – eles são os “wide receiver” e treinam para pegar as bolas que lhe são jogadas pelos demais jogadores).

A diferença do futebol nacional para o futebol americano é a dinâmica do jogo. Ele dificilmente fica monótono. Ainda mais se quem estiver narrando for o Paulo Antunes (aliás Paulo, um beijo e “CHEGA!” – senão meu namorado me mata). Ele consegue te fazer levantar da poltrona e vibrar com as jogadas.

Esse é meu segundo super bowl, o primeiro foi o ano passado. Eu sempre torço contra o favorito para dar mais emoção. Ano passado deu certo (minha amiga Gisele que me desculpe, mas foi sensacional ver o Tom Brady com cara de pastel ao perder o campeonato). Esse ano a zebra não pegou, ou melhor o Pittsburgh Steelers ganhou o campeonato.

Estou gostando tanto dessa história de futebol americano que quero assistir um jogo ao vivo, no estádio. Eu vou assistir ao jogo, mas também vou olhar os jogadores e meu namorado vai olhar as cheerleaders (que também são um espetáculo).

No último jogo, o super bowl, é tão famoso lá na terra dos comedores de Big Mac, que sempre tem um show de algum rockstar no intervalo. Esse ano foi o Bruce Springsteen. Espero que no ano que eu for assistir, tenha show do Chris Cornell. Daí sim, tudo ficaria perfeito!
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