Foi assim que o escritor francês Grégoire Bouillier terminou seu relacionamento por E-MAIL com a escritora francesa Sophie Calle.
Ela nunca respondeu ao e-mail. Fez algo muito mais inteligente. Ao invés de responder algo mal educado, choroso ou suplicar que ele voltasse atrás, encaminhou o e-mail de ruptura para 107 mulheres para que elas o comentassem sobre o assunto. Há uma exposição com esse material no Sesc Pompéia até o dia 07/09 que promete ser bem interessante.
Achei a ideia dela genial, porque afinal, quem nunca tomou um fora na vida? Pior ainda, quem nunca se ofendeu com um fora tomado? Até mesmo a Carrie Bradshaw da série “Sex and The City” passou por uma situação semelhante. Ela foi dispensada pelo namorado através de um post-it. Há no seriado, inclusive, a justificativa masculina para tal atitude: as mulheres ficam enfurecidas quando são deixadas.
Bem, acredito que ninguém ficaria contente em saber que o relacionamento ao qual está vivendo terá um fim, principalmente se o ponto final não será dado por ela, mas nada justifica fazer a oficialização do término por um outro meio de comunicação que não o "face-to-face". Ou será que eu estou enganada? Estou sendo "old-fashioned"?
Se pararmos para pensar o mundo está cada vez mais "high tech". Esse blog é a prova viva disso. Ao invés de um diário ou um moleskine eu escrevo na internet e todo esse conteúdo entra nas casas de quem me lê. Sendo assim, todo mundo que gosta do que eu escrevo, esteja em São Paulo, na Bahia ou em Xangrilá pode ler e comentar. (Aliás, já tenho algumas amigas blogueiras que estão em Viena – a Pati, no Japão – a Elisa, na França – a Luci e na Itália – a Cláudia). E o que falar do celular e das mensagens de texto que enviamos/recebemos em tempo real? Depois da globalização o mundo nunca mais foi o mesmo.
Acho que algumas situações, de fato, podem ser tratadas por e-mail ou telefone, mas deveria ser regra de etiqueta mundial, ainda que exista todo esse avanço tecnológico, onde estaria consignado que o rompimento de uma relação não pode ser feito por telefone, post it ou e-mail NUNCA!
Outra coisa curiosa é a justificativa para o rompimento. O Gregóire jurava de pé junto amar a Sophie, que ela marcou sua vida e que por isso mesmo jamais iria esquecê-la. Mas disse que não conseguiria manter-se fiel, uma exigência de Sophie, pois ele amava mais três mulheres e segundo ele “fidelidade é algo que oferecemos de livre e espontânea vontade. Não podemos enxergá-la como uma obrigação”. Ele termina o e-mail dizendo “prenez soin de vous” ou “cuide-se”.
Essa frase do Gregóire ficou martelando na minha cabeça e não consegui chegar a uma conclusão se fidelidade tem que ser imposta ou se é optativa. Acho mesmo que a melhor fidelidade é aquela em que o homem ou a mulher se sente feliz e confortável num relacionamento a ponto de não querer estar com outra pessoa. Afinal se o meu namorado quiser me trair não vou conseguir controlar esse impulso ou vontade, ou será que consigo?
Também não dá para virar para o namorado e dizer “ok, faça o que o seu coração mandar pois eu te amo acima de tudo”. Afinal, mulheres traem quando têm um motivo e homens traem quando têm outra mulher na jogada (risos).
Acho que o Gregóire tem razão, não dá para forçar ninguém a ser fiel. Fidelidade combina com espontaneidade e isso pode servir de termômetro em um relacionamento. Concluo, portanto, que a razão para o rompimento é legítimo, mas o meio que ele utilizou para isso foi extremamente infeliz.
Um parênteses interessante: tanto o Gregóire quanto a Sophie estiveram no Brasil para a FLIP – Feira Literária Internacional de Paraty e pela primeira vez eles discutiram a história do e-mail em público. Não sei se a “lavação” de roupa suja em público é interessante, pois o ser humano é um eterno curioso, mas confesso que o fim do relacionamento dos dois, foi para mim, curioso e me fez refletir através desse post.
No link abaixo você consegue ler a matéria que saiu na revista Bravo sobre o assunto, onde há a integra do e-mail do Gregóire. Me desculpem por não linkar os blogs das minhas amigas, mas ainda não sei fazer isso. Se alguém tiver paciência em me explicar ficaria muito feliz.
sexta-feira, 31 de julho de 2009
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Correr sim, por que não?

Voltei a correr. Estava há dois anos parada e já tenho a desculpa na ponta da língua para ter me mantido durante tanto tempo uma sedentária. Aliás, odeio essa palavra: sedentária. Parece até que você se torna uma planta que só vive de luz.
Voltando. Durante esses dois anos muita coisa aconteceu na minha vida. Fui morar sozinha, mudei de emprego, voltei ao antigo, fiz um ano de mestrado e agora estou fazendo uma pós-graduação. Descrevendo assim, parece ser simples, mas foi um pouco complicado administrar tudo isso.
Fato é que resolvi voltar a correr e como fiquei tanto tempo parada, comecei a treinar no mesmo dia em que fiz a matrícula na academia.
Quando subi na esteira e apertei o botãozinho de “quick start” fiquei orgulhosa de mim mesma. Voltaria a ter fôlego, a dormir direito, a ter a bunda dura, a participar de provas, a me sentir viva!
No primeiro dia, fiz musculação e corri vinte minutos. Não quis forçar muito para não correr o risco de me machucar. No segundo dia, entretanto, corri cinco quilômetros em quarenta e cinco minutos. Não é o meu tempo dos sonhos, mas até que não estou tão mal.
Admiro essas pessoas que dizem serem viciadas em treinar, que se ficarem uma semana sem ir à academia já se sentem mal. Eu gostaria de ser assim, juro. Mas eu sou mesmo é daquela corrente que comete com freqüência um certo pecado capital, a tal da preguiça. Tenho preguiça de acordar cedo, preguiça de colocar a roupa de ginástica, preguiça de levantar a bunda do sofá e ir treinar.
Isso não é bom, pelo contrário, não me orgulho disso. Mas o fato é que, superada essa primeira etapa (e ela é bem difícil de se superar), quando eu estou a caminho da academia, já fico feliz comigo mesma, mesmo antes de treinar.
A sensação ao terminar o treino é, porém, a melhor. O corpo transpira, o suor escorre, o coração dispara, a respiração é ofegante e os músculos latejam. O volume do som geralmente é alto e a serotonina e a dopamina liberadas já me fazem feliz. Ouso comparar a sensação do final de uma corrida com a obtenção do orgasmo, um orgasmo transcendental. Eu-comigo-mesma e com o Raimundos que toca no fone de ouvido, claro.
Voltando. Durante esses dois anos muita coisa aconteceu na minha vida. Fui morar sozinha, mudei de emprego, voltei ao antigo, fiz um ano de mestrado e agora estou fazendo uma pós-graduação. Descrevendo assim, parece ser simples, mas foi um pouco complicado administrar tudo isso.
Fato é que resolvi voltar a correr e como fiquei tanto tempo parada, comecei a treinar no mesmo dia em que fiz a matrícula na academia.
Quando subi na esteira e apertei o botãozinho de “quick start” fiquei orgulhosa de mim mesma. Voltaria a ter fôlego, a dormir direito, a ter a bunda dura, a participar de provas, a me sentir viva!
No primeiro dia, fiz musculação e corri vinte minutos. Não quis forçar muito para não correr o risco de me machucar. No segundo dia, entretanto, corri cinco quilômetros em quarenta e cinco minutos. Não é o meu tempo dos sonhos, mas até que não estou tão mal.
Admiro essas pessoas que dizem serem viciadas em treinar, que se ficarem uma semana sem ir à academia já se sentem mal. Eu gostaria de ser assim, juro. Mas eu sou mesmo é daquela corrente que comete com freqüência um certo pecado capital, a tal da preguiça. Tenho preguiça de acordar cedo, preguiça de colocar a roupa de ginástica, preguiça de levantar a bunda do sofá e ir treinar.
Isso não é bom, pelo contrário, não me orgulho disso. Mas o fato é que, superada essa primeira etapa (e ela é bem difícil de se superar), quando eu estou a caminho da academia, já fico feliz comigo mesma, mesmo antes de treinar.
A sensação ao terminar o treino é, porém, a melhor. O corpo transpira, o suor escorre, o coração dispara, a respiração é ofegante e os músculos latejam. O volume do som geralmente é alto e a serotonina e a dopamina liberadas já me fazem feliz. Ouso comparar a sensação do final de uma corrida com a obtenção do orgasmo, um orgasmo transcendental. Eu-comigo-mesma e com o Raimundos que toca no fone de ouvido, claro.
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Chove lá fora e aqui tá tudo azul
Abro os olhos assustada. Ouço a chuva que começa a cair. Levanto da cama e fecho a janela da sala para não molhar o tapete.
Aproveito para tomar água e fazer xixi. Está friozinho. O dia está quase amanhecendo. Parece que ele ainda não se decidiu se quer ser dia ou noite. Fico feliz por ter mais algumas horas para dormir. É sábado e começo a pensar em como desfrutar o fim de semana.
Me deito de barriga para cima. Com a cabeça no travesseiro minha mente tenta manter um diálogo com a minha pessoa, mas tento encerrar a conversa. Pela enésima vez ela tenta “bater” minha lista de pendências pessoais e profissionais. Já fiz isso essa semana. Tento me desvencilhar desse assunto.
Começo a ficar de saco cheio de mim mesma. Porque quero resolver os meus problemas e os problemas do mundo sempre na hora de dormir, ou melhor, quando deveria, na verdade, estar dormindo?
Irritada, me viro bruscamente de lado. Meu namorado, que dorme ao meu lado, instintivamente me abraça e me sinto acolhida, feliz.
Mostro, de forma imaginária, o dedo médio para a minha cabeça. Dou uma risadinha sacana, suspiro e volto a dormir calma e tranqüila.
Chove lá fora e aqui tá tudo azul ...
Aproveito para tomar água e fazer xixi. Está friozinho. O dia está quase amanhecendo. Parece que ele ainda não se decidiu se quer ser dia ou noite. Fico feliz por ter mais algumas horas para dormir. É sábado e começo a pensar em como desfrutar o fim de semana.
Me deito de barriga para cima. Com a cabeça no travesseiro minha mente tenta manter um diálogo com a minha pessoa, mas tento encerrar a conversa. Pela enésima vez ela tenta “bater” minha lista de pendências pessoais e profissionais. Já fiz isso essa semana. Tento me desvencilhar desse assunto.
Começo a ficar de saco cheio de mim mesma. Porque quero resolver os meus problemas e os problemas do mundo sempre na hora de dormir, ou melhor, quando deveria, na verdade, estar dormindo?
Irritada, me viro bruscamente de lado. Meu namorado, que dorme ao meu lado, instintivamente me abraça e me sinto acolhida, feliz.
Mostro, de forma imaginária, o dedo médio para a minha cabeça. Dou uma risadinha sacana, suspiro e volto a dormir calma e tranqüila.
Chove lá fora e aqui tá tudo azul ...
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Virgínia Woolf (em 90 minutos)

Virgínia Stephen é um substantivo. Brilhante seria o seu melhor adjetivo. Li a biografia dela, deliciada com cada linha.
Ela era complexa, sua vida foi difícil. Era maníaco-depressiva e ter esse tipo de problema no final-do-século-dezenove-começo-do-século-vinte não deveria ser nada fácil. Os tratamentos a esses doentes na época eram, basicamente, repouso absoluto (de preferência em um quarto escuro) e bebidas quentes (!)
Sua família era de classe alta. Apesar disso, seu pai não a levou à escola. Somente seus irmãos o fizeram. Inobstante ser a mais brilhante dentre eles, de ter sido a escolhida para continuar os negócios editoriais da família, também não foi à faculdade. Quando seus irmãos foram para Cambridge e ela não, ficou extremamente magoada.
Aprendeu tudo o que sabia com os livros que leu, e lia muitos, todos os que lhe apresentavam e como era muito sensível e tinha um grande talento literário, iniciou sua carreira de escritora escrevendo resenha de livros em um jornal de Londres. Mais tarde, passou a escrever os seus próprios.
Ela casou-se com Leonard Woolf com quem viveu até o final de seus dias. Tinham um casamento, vamos dizer, nada convencional, pois apesar de serem casados, ela manteve durante anos um relacionamento homossexual com Vita Sackville West com quem compartilhou experiências sexuais e literárias.
Além de talento, ela teve sorte. Todos os livros que escreveu não sofreram censuras, pois foram publicados pela sua própria editora. Dessa forma, ela pode inovar a literatura moderna, como o fez com seu livro mais famoso, Mrs Dalloway (que foi, inclusive, pano de fundo do filme "As Horas", cujos "extras" conta a história da vida de Virgínia). Não ouso dizer que essa foi sua obra-prima, como dizem muitos, pelo simples fato de que Virgínia tenha sido primorosa em todos eles.
Seus livros foram inovadores, pois retratam não só os personagens, mas todos os conflitos interiores deles: seus pensamentos, seus anseios, tormentos e frustrações. Os diálogos que travamos dia a dia com nós mesmos.
Mas, o que mais me surpreendeu ao ler sua biografia, foi o fato de ser uma defensora ferrenha do feminismo. Deu palestras em Newnham e Girton, as faculdades de mulheres em Cambridge (veja a ironia do destino), que mais tarde foram expandidos num livro chamado Um teto todo seu.
Ela era muito sensível e sofria muito com seus problemas de saúde. Apesar de ter um ótimo marido, ele não conseguia compreender sua doença e toda sua frustração. Extremamente deprimida, temendo ter uma crise nervosa e não mais se recuperar, Virgínia afogou-se no rio Ouse, próximo à sua casa, em 1941.
Com essa “rápida” biografia, você acompanha a vida dessa escritora e o contexto de suas obras, o que o fará entender ainda melhor o que quis dizer Virgínia em seus livros.
Fiquei tocada com sua história. Uma mulher que lutou para explicar a força de suas perturbações mentais e de suas necessidades como mulher. Com isso conquistou lugar entre os melhores modernistas da língua inglesa do século XX.
: : TRECHO : :
“Em Mrs Dalloway (...) temos uma sucessão de vozes interiores encadeadas descrevendo os eventos de um único dia, enquanto a passagem do seu tempo externo é marcada por relógios externos que dão as horas. O objetivo declarado de Virginia em Mrs. Dalloway revela a extensão de sua ambição nessa obra. ‘Quero dar vida e morte, sanidade e insanidade; quero criticar o sistema social e mostrá-lo em atividade, da forma mais intensa’.” (p.46)
: : FICHA TÉCNICA : :
Ela era complexa, sua vida foi difícil. Era maníaco-depressiva e ter esse tipo de problema no final-do-século-dezenove-começo-do-século-vinte não deveria ser nada fácil. Os tratamentos a esses doentes na época eram, basicamente, repouso absoluto (de preferência em um quarto escuro) e bebidas quentes (!)
Sua família era de classe alta. Apesar disso, seu pai não a levou à escola. Somente seus irmãos o fizeram. Inobstante ser a mais brilhante dentre eles, de ter sido a escolhida para continuar os negócios editoriais da família, também não foi à faculdade. Quando seus irmãos foram para Cambridge e ela não, ficou extremamente magoada.
Aprendeu tudo o que sabia com os livros que leu, e lia muitos, todos os que lhe apresentavam e como era muito sensível e tinha um grande talento literário, iniciou sua carreira de escritora escrevendo resenha de livros em um jornal de Londres. Mais tarde, passou a escrever os seus próprios.
Ela casou-se com Leonard Woolf com quem viveu até o final de seus dias. Tinham um casamento, vamos dizer, nada convencional, pois apesar de serem casados, ela manteve durante anos um relacionamento homossexual com Vita Sackville West com quem compartilhou experiências sexuais e literárias.
Além de talento, ela teve sorte. Todos os livros que escreveu não sofreram censuras, pois foram publicados pela sua própria editora. Dessa forma, ela pode inovar a literatura moderna, como o fez com seu livro mais famoso, Mrs Dalloway (que foi, inclusive, pano de fundo do filme "As Horas", cujos "extras" conta a história da vida de Virgínia). Não ouso dizer que essa foi sua obra-prima, como dizem muitos, pelo simples fato de que Virgínia tenha sido primorosa em todos eles.
Seus livros foram inovadores, pois retratam não só os personagens, mas todos os conflitos interiores deles: seus pensamentos, seus anseios, tormentos e frustrações. Os diálogos que travamos dia a dia com nós mesmos.
Mas, o que mais me surpreendeu ao ler sua biografia, foi o fato de ser uma defensora ferrenha do feminismo. Deu palestras em Newnham e Girton, as faculdades de mulheres em Cambridge (veja a ironia do destino), que mais tarde foram expandidos num livro chamado Um teto todo seu.
Ela era muito sensível e sofria muito com seus problemas de saúde. Apesar de ter um ótimo marido, ele não conseguia compreender sua doença e toda sua frustração. Extremamente deprimida, temendo ter uma crise nervosa e não mais se recuperar, Virgínia afogou-se no rio Ouse, próximo à sua casa, em 1941.
Com essa “rápida” biografia, você acompanha a vida dessa escritora e o contexto de suas obras, o que o fará entender ainda melhor o que quis dizer Virgínia em seus livros.
Fiquei tocada com sua história. Uma mulher que lutou para explicar a força de suas perturbações mentais e de suas necessidades como mulher. Com isso conquistou lugar entre os melhores modernistas da língua inglesa do século XX.
: : TRECHO : :
“Em Mrs Dalloway (...) temos uma sucessão de vozes interiores encadeadas descrevendo os eventos de um único dia, enquanto a passagem do seu tempo externo é marcada por relógios externos que dão as horas. O objetivo declarado de Virginia em Mrs. Dalloway revela a extensão de sua ambição nessa obra. ‘Quero dar vida e morte, sanidade e insanidade; quero criticar o sistema social e mostrá-lo em atividade, da forma mais intensa’.” (p.46)
: : FICHA TÉCNICA : :
Virginia Woolf
STRATHERN, Paul
STRATHERN, Paul
Editora Zahar, 2009
100 páginas
ISBN 978-85-378-0152-9
ISBN 978-85-378-0152-9
domingo, 19 de julho de 2009
Vote em mim no Concurso
quinta-feira, 16 de julho de 2009
A diferença entre ser e o dever-ser
Quando se estuda direito na Universidade você é obrigado a aprender um monte de teoria sobre o Estado, a sociedade, as leis, o ser e o dever-ser.
Então, você aprende um pouco sobre o que os filósofos diziam sobre as teorias que cercam o direito, as diferenças entre o positivismo jurídico e o naturalismo. Nessa hora você já pensa que entrou na faculdade errada, porque quer aprender sobre estelionato, homicídio qualificado e não sobre toda essa papagaiada.
Chego a conclusão que essas matérias introdutórias deveriam ser dadas no fim do curso, quando você já tem um senso crítico maior e consegue entender que o direito está todo interligado e que o Estado Democrático de Direito, só é democrático pela divisão de poderes, que está previsto na Constituição e etc.
Quando eu estava no primeiro ano, ficava pensando nessa frase que me marcou a vida, a diferença entre o ser e o dever-ser. Ela tinha um sentido jurídico, na época, mas hoje, já faz sentido em outros campos da vida também. Quer ver?
A gente aprende quando é criança que temos que ser bonzinhos e obedientes para sermos elogiados e ganharmos presentes. Isso, portanto, é o que devemos ser (o dever-ser). Na prática isso até acontece, mas não com toda essa perfeição que cobravam da gente, afinal ser humano que obedece totalmente o que pai e mãe pede não existe, está para nascer (aqui está o ser que se contrapõe ao dever ser).
Logo, desde sempre sabemos que o dever-ser é sempre hipotético porque dificilmente acontece de verdade, são como teoria e prática, dificilmente se mantém.
Fiquei em dúvida quando estava prestando vestibular se fazia psicologia ou direito. Queria ajudar as pessoas. Optei por direito porque achava que sendo advogada eu conseguiria ajudar muito mais gente do que como psicóloga.
Eis que me formei, me tornei advogada e hoje a única coisa que eu faço é ajudar empresário a recolher menos tributo e ficar cada vez mais rico. Claro que não faço, nem por decreto, o famoso jeitinho, ou seja, não ajudo a sonegar imposto. O meu único consolo é que nosso país é um dos recordistas em arrecadação de tributos. E onde está a contraprestação disso? Se alguém encontrar me avise, pois o que costumo ouvir é que o ensino vai mal, a saúde pior ainda e a previdência então ...
Mas o fato é que o meu dever-ser outrora traçado que antes era ajudar as pessoas passou a ser advogada de empresário. Socorro! Será que eu que me vendi ou apenas amadureci?
Todo aquele idealismo da época da faculdade está escondido dentro de mim, todo o meu dever-ser atualmente se anulou, meu “ser” venceu! Coisa de sistema capitalista diriam alguns. Você descobre que precisa pagar suas contas e que ninguém vai fazer isso por você, daí você trabalha, e quando está trabalhando não consegue ajudar mais ninguém além de você mesma.
Não me dei por vencida, no entanto. Tentei, por dois anos consecutivos, apresentar um projeto de mestrado com tema ligado ao direito tributário, mas focado no desenvolvimento dos direitos fundamentais. Achei que já que na prática não dava, na teoria (ah, a teoria, sempre tão bela, tão perfeita) seria possível.
Não obtive êxito na minha empreitada. Só são escolhidos os trabalhos que tratam sobre planejamento tributário (de preferência que tenham sido elaborados por algum filho de ministro ou com influência de um modo geral).
Vejo que se eu fui corrompida, a grande maioria dos seres humanos também o foi. Vamos todos queimarmos no inferno juntos (se é que existe inferno). O combustível do fogo do inferno será o dinheiro que ganhamos e o diabo vai usar um tridente Dolce Gabbana, com ponta de cristal Swarovski. Sim, porque se a gente é vaidoso, imagina o cabra ruim?
Meu consolo está em quando aparece algum funcionário, desses vestidos com uniforme e unha suja de graxa, pedindo para falar com algum “dotor” e com alguma dúvida jurídica e eu consigo ajudá-lo. Quando consigo esclarecer algum assunto para esse funcionário que não tem condições de contratar um advogado para orientá-lo. Quando percebo a felicidade dele em ter sido recebido e tratado com a dignidade que a nossa Constituição Federal diz que ele deveria ter direito durante toda a sua vida e recebo um aperto de mão efusivo, daí sim, vejo que aquela garota idealista que andava de saia longa, que curtia Janis Joplin e que quis muito estar em Woodstock ainda está viva, esperando, quem sabe um dia, para se tornar o que efetivamente deveria ter sido.
É, quem sabe ...
Então, você aprende um pouco sobre o que os filósofos diziam sobre as teorias que cercam o direito, as diferenças entre o positivismo jurídico e o naturalismo. Nessa hora você já pensa que entrou na faculdade errada, porque quer aprender sobre estelionato, homicídio qualificado e não sobre toda essa papagaiada.
Chego a conclusão que essas matérias introdutórias deveriam ser dadas no fim do curso, quando você já tem um senso crítico maior e consegue entender que o direito está todo interligado e que o Estado Democrático de Direito, só é democrático pela divisão de poderes, que está previsto na Constituição e etc.
Quando eu estava no primeiro ano, ficava pensando nessa frase que me marcou a vida, a diferença entre o ser e o dever-ser. Ela tinha um sentido jurídico, na época, mas hoje, já faz sentido em outros campos da vida também. Quer ver?
A gente aprende quando é criança que temos que ser bonzinhos e obedientes para sermos elogiados e ganharmos presentes. Isso, portanto, é o que devemos ser (o dever-ser). Na prática isso até acontece, mas não com toda essa perfeição que cobravam da gente, afinal ser humano que obedece totalmente o que pai e mãe pede não existe, está para nascer (aqui está o ser que se contrapõe ao dever ser).
Logo, desde sempre sabemos que o dever-ser é sempre hipotético porque dificilmente acontece de verdade, são como teoria e prática, dificilmente se mantém.
Fiquei em dúvida quando estava prestando vestibular se fazia psicologia ou direito. Queria ajudar as pessoas. Optei por direito porque achava que sendo advogada eu conseguiria ajudar muito mais gente do que como psicóloga.
Eis que me formei, me tornei advogada e hoje a única coisa que eu faço é ajudar empresário a recolher menos tributo e ficar cada vez mais rico. Claro que não faço, nem por decreto, o famoso jeitinho, ou seja, não ajudo a sonegar imposto. O meu único consolo é que nosso país é um dos recordistas em arrecadação de tributos. E onde está a contraprestação disso? Se alguém encontrar me avise, pois o que costumo ouvir é que o ensino vai mal, a saúde pior ainda e a previdência então ...
Mas o fato é que o meu dever-ser outrora traçado que antes era ajudar as pessoas passou a ser advogada de empresário. Socorro! Será que eu que me vendi ou apenas amadureci?
Todo aquele idealismo da época da faculdade está escondido dentro de mim, todo o meu dever-ser atualmente se anulou, meu “ser” venceu! Coisa de sistema capitalista diriam alguns. Você descobre que precisa pagar suas contas e que ninguém vai fazer isso por você, daí você trabalha, e quando está trabalhando não consegue ajudar mais ninguém além de você mesma.
Não me dei por vencida, no entanto. Tentei, por dois anos consecutivos, apresentar um projeto de mestrado com tema ligado ao direito tributário, mas focado no desenvolvimento dos direitos fundamentais. Achei que já que na prática não dava, na teoria (ah, a teoria, sempre tão bela, tão perfeita) seria possível.
Não obtive êxito na minha empreitada. Só são escolhidos os trabalhos que tratam sobre planejamento tributário (de preferência que tenham sido elaborados por algum filho de ministro ou com influência de um modo geral).
Vejo que se eu fui corrompida, a grande maioria dos seres humanos também o foi. Vamos todos queimarmos no inferno juntos (se é que existe inferno). O combustível do fogo do inferno será o dinheiro que ganhamos e o diabo vai usar um tridente Dolce Gabbana, com ponta de cristal Swarovski. Sim, porque se a gente é vaidoso, imagina o cabra ruim?
Meu consolo está em quando aparece algum funcionário, desses vestidos com uniforme e unha suja de graxa, pedindo para falar com algum “dotor” e com alguma dúvida jurídica e eu consigo ajudá-lo. Quando consigo esclarecer algum assunto para esse funcionário que não tem condições de contratar um advogado para orientá-lo. Quando percebo a felicidade dele em ter sido recebido e tratado com a dignidade que a nossa Constituição Federal diz que ele deveria ter direito durante toda a sua vida e recebo um aperto de mão efusivo, daí sim, vejo que aquela garota idealista que andava de saia longa, que curtia Janis Joplin e que quis muito estar em Woodstock ainda está viva, esperando, quem sabe um dia, para se tornar o que efetivamente deveria ter sido.
É, quem sabe ...
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Jane Austen – Becoming Jane + Virginia Woolf – As horas

Depois de ler Persuasão e descobrir que havia um filme que retratava a vida de Jane Austen, resolve assisti-lo. O que posso dizer sobre ele? Foi muito bacana descobrir a forma como Jane Austen resolveu se tornar escritora e saber que isso, em sua época foi algo inovador. Mas me fez pensar (e reafirmar o que todos sabem) que se temos poucas mulheres com destaque em qualquer tipo de arte não é por falta de talento, mas somente por falta de oportunidade. Jane Austen não tinha muito luxo, mas conseguiu viver e escrever suas obras devido a ajuda de sua família. Ela tinha condições financeiras para isso. Assim como a Virgínia Woolf. Imagine quantas mulheres perderam tal oportunidade por não terem essa chance...
Outra coisa que me chamou atenção no filme é que, apesar de nunca ter se casado, (no filme, ela não conseguiu se casar por amor – seu “escolhido” não tinha era estudante de direito que vivia às custas de um tio que era decidiria quem seria sua esposa - e ele não achou uma escritora que tinha ideias próprias e sabia ironizar os costumes da época um bom partido, talvez também pelo fato de ela não ser muito rica), também se recusou a casar por conveniência, o que fez ela terminar sozinha até os últimos dias. Jane Austen traçou um final diferente para suas heroínas de modo que sempre tenham um final feliz. Ela mudou de opinião no meio do caminho de seu percurso de escritora, pois queria escrever o mundo como ele é (ou era). Com realismo. Talvez ela tenha achado o realismo um pouco duro demais e achou melhor tornar o destino de Elizabeth Bennet e Anne Elliot e suas outras protagonistas um pouco mais doce.
________________________

Outra coisa que me chamou atenção no filme é que, apesar de nunca ter se casado, (no filme, ela não conseguiu se casar por amor – seu “escolhido” não tinha era estudante de direito que vivia às custas de um tio que era decidiria quem seria sua esposa - e ele não achou uma escritora que tinha ideias próprias e sabia ironizar os costumes da época um bom partido, talvez também pelo fato de ela não ser muito rica), também se recusou a casar por conveniência, o que fez ela terminar sozinha até os últimos dias. Jane Austen traçou um final diferente para suas heroínas de modo que sempre tenham um final feliz. Ela mudou de opinião no meio do caminho de seu percurso de escritora, pois queria escrever o mundo como ele é (ou era). Com realismo. Talvez ela tenha achado o realismo um pouco duro demais e achou melhor tornar o destino de Elizabeth Bennet e Anne Elliot e suas outras protagonistas um pouco mais doce.
________________________

Não sou eu quem escolhe os livros que leio. Muito pelo contrário, são eles que me escolhem. São sucessões de fatos e atos que me levam a eles. Eu não controlo tal situação.
Explico.
Esse feriado estava passeando por uma livraria quando me deparei com um livrinho simpático que contava da vida da Virgínia Woolf de forma prática e objetiva Tanto que o título é “Virgínia Woolf em 90 minutos”. Sentei na livraria e comecei a lê-lo, assim, de forma despretensiosa. Li 20 páginas e fui embora. Guardei o livro na prateleira.
Prometi que não compraria mais livros até que o que esteja lendo seja acabado. Mas quando retornei à mesma livraria no dia seguinte e encontrei o mesmo livrinho que havia lido (ainda estava marcando a página que havia parado), percebi que teria que comprá-lo. Ele queria ser meu.
Ainda na livraria, sentada e lendo mais 28 páginas, descobri que a obra prima da escritora, chamada Mrs Dalloway foi tema de um filme – As horas.
Me lembrei que não havia assistido ao filme. E me lembrei, inclusive do motivo: uma amiga havia dito que o achou muito ruim. Aluguei o filme. Assisti e achei o filme sensacional. Os extras traziam resumidamente a história de Virginia Woolf.
Vou tratar da história de sua vida quando resenhar o livro que ainda tem algumas páginas a serem terminadas.
O que mais me chamou a atenção no filme foi o elenco que é de primeira e a mistura dos personagens do seu livro com a vida da autora. O filme tem um que de biografia da autora, mas também mistura ficção. Você só consegue entendê-lo, de fato, se conhecer um pouco da vida da escritora para saber o que o filme quis demonstrar.
Aprendi três coisas com o filme: (i) a não assistir ou deixar de assistir algo pela mera opinião alheia; (ii) é sempre bom contextualizar uma obra de arte para poder desfrutar de sua essência, (iii) que esse livro, Mrs Dalloway, também me escolheu, mas vamos como ele vai entrar na minha vida.
Quanto ao livro da Catherine Millet estou na metade. Ele me surpreendeu no começo, mas agora estou no ponto de que o sexo explícito demonstrado pela autora não me excita como no começo. Ouso achar que falta um pouco de lirismo e/ou romantismo (na minha humilde opinião). Mas só vou dar uma opinião definitiva quando terminar de lê-lo.
Explico.
Esse feriado estava passeando por uma livraria quando me deparei com um livrinho simpático que contava da vida da Virgínia Woolf de forma prática e objetiva Tanto que o título é “Virgínia Woolf em 90 minutos”. Sentei na livraria e comecei a lê-lo, assim, de forma despretensiosa. Li 20 páginas e fui embora. Guardei o livro na prateleira.
Prometi que não compraria mais livros até que o que esteja lendo seja acabado. Mas quando retornei à mesma livraria no dia seguinte e encontrei o mesmo livrinho que havia lido (ainda estava marcando a página que havia parado), percebi que teria que comprá-lo. Ele queria ser meu.
Ainda na livraria, sentada e lendo mais 28 páginas, descobri que a obra prima da escritora, chamada Mrs Dalloway foi tema de um filme – As horas.
Me lembrei que não havia assistido ao filme. E me lembrei, inclusive do motivo: uma amiga havia dito que o achou muito ruim. Aluguei o filme. Assisti e achei o filme sensacional. Os extras traziam resumidamente a história de Virginia Woolf.
Vou tratar da história de sua vida quando resenhar o livro que ainda tem algumas páginas a serem terminadas.
O que mais me chamou a atenção no filme foi o elenco que é de primeira e a mistura dos personagens do seu livro com a vida da autora. O filme tem um que de biografia da autora, mas também mistura ficção. Você só consegue entendê-lo, de fato, se conhecer um pouco da vida da escritora para saber o que o filme quis demonstrar.
Aprendi três coisas com o filme: (i) a não assistir ou deixar de assistir algo pela mera opinião alheia; (ii) é sempre bom contextualizar uma obra de arte para poder desfrutar de sua essência, (iii) que esse livro, Mrs Dalloway, também me escolheu, mas vamos como ele vai entrar na minha vida.
Quanto ao livro da Catherine Millet estou na metade. Ele me surpreendeu no começo, mas agora estou no ponto de que o sexo explícito demonstrado pela autora não me excita como no começo. Ouso achar que falta um pouco de lirismo e/ou romantismo (na minha humilde opinião). Mas só vou dar uma opinião definitiva quando terminar de lê-lo.
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Papéis Picados
Foi assim que tudo acabou. Que o sonho chegou ao fim. Eu olhava a minha volta e não conseguia conter as lágrimas. Olhava para elas e elas retribuíam o olhar e entendiam todas as palavras que meus olhos diziam porque a boca não ousava se abrir.
Aquilo realmente tinha que acabar um dia, e acabou. Mas passou tão rápido, foi tudo tão bom, tão inexplicavelmente bom que talvez seja exatamente por isso que não sentimos passar. Lembrei-me da primeira vez, do primeiro encontro, do primeiro papo.
Lembrei-me também da primeira bebida nos bares próximos e do primeiro pedido para camuflarem a minha fuga. Elas me ajudavam, colocaram meu nome nos trabalhos que não fiz, me passavam as matérias das aulas que não assisti e me ouviam sempre que eu tinha algum comentário dramático ou divertido a fazer.
Elas não só ouviam, elas escutavam e balançavam a cabeça em sinal de concordância para toda frase que eu dizia, elas sempre me falavam alguma coisa reconfortante para me consolar ou alguma coisa divertida para me fazer sorrir.
Mas hoje era o fim. Nunca mais as veria todas as noites. Nunca mais seríamos tão espontâneas, tão jovens, tão despretensiosas como éramos nessa época. A grande fase, que naquele dia já parecia saudosa, estava chegando ao fim.
Foram inúmeras festas, vários churrascos, muitas viagens. Idas aos bares foram incontáveis, aos restaurantes também. Toda sexta-feira era dia de irmos a algum lugar diferente para comer, beber e comentar sobre a semana que havia passado. Para maldizer as provas que iam começar, para ridicularizar os professores que odiávamos e elogiar os que gostávamos.
Mas naquele momento, com os papéis picados caindo do teto ao chão, os olhos já exprimiam o vazio que sentiríamos nos próximos anos. O vazio da falta que fará a presença cotidiana de cada uma delas. Ah, elas, sempre elas, minhas amigas, todas queridas. Cada qual com seu charme único, com suas loucuras e doçuras que durante cinco anos eu pude saborear.
Cada uma tomará um destino diferente, umas se casarão primeiro, outras solteiras continuarão. Algumas vão querer ter filhos, outras talvez não saberão. Talvez alguma adote uma criança, mas isso só o tempo dirá.
Mas hoje, nesse momento, estão todas vestidas de gala, com os olhos marejados, mas que, por trás dessas lágrimas escondem-se sonhos, planos, projetos, e todas querem que eles dêem certo, todas querem o seu lugar ao sol e que o sol as deixem quentes, felizes, sorridentes e seguras.
Nesse momento, com os papéis caindo, ouvimos a voz de uma mulher ao microfone que pede para que as pessoas que conviveram durante os cinco anos de faculdade se abracem, se cumprimentem e que celebrem esse momento único. Esse momento que ficará para sempre em nossas lembranças e que talvez levaremos conosco até o fim de nossos dias.
Cumprimos o pedido. Nos abraçamos, choramos, nos emocionamos. E depois dançamos, até os pés não agüentarem, até o raiar do sol, até o começo de mais um dia, o dia depois do fim. O fim com sabor de começo. O começo de um novo tempo, tempo de frio na barriga, frio na barriga de medo. Medo do desconhecido, medo do que virá.
O tempo passou, e muita coisa mudou. A freqüência dos encontros, o estado civil de algumas, a jornada de trabalho de todas e os salários também. Todas ainda possuem os mesmos olhos, mas os semblantes já não são os mesmos. Elas amadureceram, sem dúvida que sim. Os olhos são os mesmos, mas a forma de olhar o mundo mudou, e para melhor.
Já passamos dos vinte e poucos, algumas já estão nos vinte e muitos, outras como eu, já se enquadram nos trinta. E todo encontro parece um revival daquele tempo de faculdade. As moçoilas voltam a falar as mesmas besteiras, a agir como se o tempo não tivesse passado. A preocupação dá lugar a espontaneidade e a alegria alivia e acalma a dura rotina que todas levamos.
Esse é o maior presente que a faculdade trouxe para mim. Todas essas mulheres, todas essas amigas que compartilham meus melhores e meus piores momentos. Agora nem sempre pessoalmente. Algumas vezes por telefone, outras por e-mail, e também pelo msn e orkut.
Era isso que o tempo iria nos ensinar. Que naquela noite, a dos papéis picados, não era um fim, mas sim um recomeço. A amizade não acabaria, somente pelo fato de a presença não ser mais diária, ela será para sempre.
Aqui vai o meu muito obrigada a cada uma, por tudo e para sempre. Se as amigas são as irmãs que escolhemos, hoje eu vivo numa família feliz.
Aquilo realmente tinha que acabar um dia, e acabou. Mas passou tão rápido, foi tudo tão bom, tão inexplicavelmente bom que talvez seja exatamente por isso que não sentimos passar. Lembrei-me da primeira vez, do primeiro encontro, do primeiro papo.
Lembrei-me também da primeira bebida nos bares próximos e do primeiro pedido para camuflarem a minha fuga. Elas me ajudavam, colocaram meu nome nos trabalhos que não fiz, me passavam as matérias das aulas que não assisti e me ouviam sempre que eu tinha algum comentário dramático ou divertido a fazer.
Elas não só ouviam, elas escutavam e balançavam a cabeça em sinal de concordância para toda frase que eu dizia, elas sempre me falavam alguma coisa reconfortante para me consolar ou alguma coisa divertida para me fazer sorrir.
Mas hoje era o fim. Nunca mais as veria todas as noites. Nunca mais seríamos tão espontâneas, tão jovens, tão despretensiosas como éramos nessa época. A grande fase, que naquele dia já parecia saudosa, estava chegando ao fim.
Foram inúmeras festas, vários churrascos, muitas viagens. Idas aos bares foram incontáveis, aos restaurantes também. Toda sexta-feira era dia de irmos a algum lugar diferente para comer, beber e comentar sobre a semana que havia passado. Para maldizer as provas que iam começar, para ridicularizar os professores que odiávamos e elogiar os que gostávamos.
Mas naquele momento, com os papéis picados caindo do teto ao chão, os olhos já exprimiam o vazio que sentiríamos nos próximos anos. O vazio da falta que fará a presença cotidiana de cada uma delas. Ah, elas, sempre elas, minhas amigas, todas queridas. Cada qual com seu charme único, com suas loucuras e doçuras que durante cinco anos eu pude saborear.
Cada uma tomará um destino diferente, umas se casarão primeiro, outras solteiras continuarão. Algumas vão querer ter filhos, outras talvez não saberão. Talvez alguma adote uma criança, mas isso só o tempo dirá.
Mas hoje, nesse momento, estão todas vestidas de gala, com os olhos marejados, mas que, por trás dessas lágrimas escondem-se sonhos, planos, projetos, e todas querem que eles dêem certo, todas querem o seu lugar ao sol e que o sol as deixem quentes, felizes, sorridentes e seguras.
Nesse momento, com os papéis caindo, ouvimos a voz de uma mulher ao microfone que pede para que as pessoas que conviveram durante os cinco anos de faculdade se abracem, se cumprimentem e que celebrem esse momento único. Esse momento que ficará para sempre em nossas lembranças e que talvez levaremos conosco até o fim de nossos dias.
Cumprimos o pedido. Nos abraçamos, choramos, nos emocionamos. E depois dançamos, até os pés não agüentarem, até o raiar do sol, até o começo de mais um dia, o dia depois do fim. O fim com sabor de começo. O começo de um novo tempo, tempo de frio na barriga, frio na barriga de medo. Medo do desconhecido, medo do que virá.
O tempo passou, e muita coisa mudou. A freqüência dos encontros, o estado civil de algumas, a jornada de trabalho de todas e os salários também. Todas ainda possuem os mesmos olhos, mas os semblantes já não são os mesmos. Elas amadureceram, sem dúvida que sim. Os olhos são os mesmos, mas a forma de olhar o mundo mudou, e para melhor.
Já passamos dos vinte e poucos, algumas já estão nos vinte e muitos, outras como eu, já se enquadram nos trinta. E todo encontro parece um revival daquele tempo de faculdade. As moçoilas voltam a falar as mesmas besteiras, a agir como se o tempo não tivesse passado. A preocupação dá lugar a espontaneidade e a alegria alivia e acalma a dura rotina que todas levamos.
Esse é o maior presente que a faculdade trouxe para mim. Todas essas mulheres, todas essas amigas que compartilham meus melhores e meus piores momentos. Agora nem sempre pessoalmente. Algumas vezes por telefone, outras por e-mail, e também pelo msn e orkut.
Era isso que o tempo iria nos ensinar. Que naquela noite, a dos papéis picados, não era um fim, mas sim um recomeço. A amizade não acabaria, somente pelo fato de a presença não ser mais diária, ela será para sempre.
Aqui vai o meu muito obrigada a cada uma, por tudo e para sempre. Se as amigas são as irmãs que escolhemos, hoje eu vivo numa família feliz.
terça-feira, 7 de julho de 2009
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Selo

Boa segunda-feira a todos.
E para começar bem a semana, vou distribuir o selo que ganhei da Mariane do compartilhando leituras a todos que quiserem. Achei ele muito fofo.
Essa promiscuidade afetiva, numa manhã preguiçosa faz um bem danado. Obrigada pelos comentários sempre interessantes que todos deixam aqui.
Beijos,
sábado, 4 de julho de 2009
Persuasão

Meu primeiro contato com Miss Jane Austen não foi com esse livro. Já havia lido “Orgulho e Preconceito” há uns dois anos. Assim como em Persuasão, Miss Jane surpreende pela ótima trama que envolve os jovens de sua época, sempre com pitadas de romances que fazem suspirar até a mais incrédula das mulheres.
O amor não é o mote principal desse livro, no entanto. Assim, como nos demais livros de Jane Austen, ela retrata a sociedade inglesa do final do século dezoito e começo do século dezenove, demonstrando os hábitos e costumes de cidades (próximas a Londres), e seus habitantes. Principalmente retrata como era o namoro e o relacionamento entre os jovens dessa época.
Dentre os jovens estão a senhorita Anne Elliot e o capitão Frederick Wentworth que se apaixonaram muito jovens, mas não se casaram, uma vez que Anne foi persuadida pela sua amiga Lady Russel (que era mais velha e como uma mãe para Anne, uma vez que a sua própria havia falecido quando ela era ainda muito jovem), bem como pela sua família, seu pai Sir Walter Elliot e sua irmã Elizabeth. O capitão Frederick não tinha riqueza ou mesmo um bom título à época e segundo a escritora, isso poderia ser decisivo na união (ou não) de duas famílias.
Apesar de toda essa preocupação com dotes, brasões, títulos e libras, o que mais atrai nos livros de Jane Austen são os romances em que suas protagonistas se envolvem e a linguagem da Srta. Austen é muito descritiva, suave e interessante. Faz com que você se transporte para uma época onde o mais excitante era conseguir conversar a sós com o seu amor (algo inimaginável atualmente).
Depois de ser desprezado pela sua amada, o capitão Frederick Wentworth promete a si mesmo que fará fama e fortuna na Marinha, e que os Elliot se arrependerão em não tê-lo como parente.
Quase oito anos depois, ele retorna à Inglaterra e cumpre o prometido: rico, com títulos e ainda mantendo uma boa aparência, reencontra Anne Elliot ainda solteira. Ela ruboriza ao vê-lo e percebe que todo o amor que sentia por ele estava apenas adormecido e que nesse mesmo momento volta à tona tudo o que sempre sentiu por ele.
Mas estaria o capitão Wentworth disposto a esquecer o passado e a humilhação pela qual passou e reviver um grande amor, ou o seu orgulho seria muito maior?
Persuasão foi pano de fundo do filme “A casa do Lago” e já tem filme adaptando a obra.
: : TRECHO : :
“(...) Anne sorriu e não disse nada. Era um erro muito agradável para o poder censurar. Significa alguma coisa para uma mulher assegurarem-lhe que, aos vinte e oito anos, não perdeu o encanto da juventude; mas o valor desse elogio aumentou imenso para Anne ao compará-lo com palavras anteriores e sentindo que este era o resultado e não a causa do renascimento do seu caloroso afeto .” (p.198)
: : FICHA TÉCNICA : :
O amor não é o mote principal desse livro, no entanto. Assim, como nos demais livros de Jane Austen, ela retrata a sociedade inglesa do final do século dezoito e começo do século dezenove, demonstrando os hábitos e costumes de cidades (próximas a Londres), e seus habitantes. Principalmente retrata como era o namoro e o relacionamento entre os jovens dessa época.
Dentre os jovens estão a senhorita Anne Elliot e o capitão Frederick Wentworth que se apaixonaram muito jovens, mas não se casaram, uma vez que Anne foi persuadida pela sua amiga Lady Russel (que era mais velha e como uma mãe para Anne, uma vez que a sua própria havia falecido quando ela era ainda muito jovem), bem como pela sua família, seu pai Sir Walter Elliot e sua irmã Elizabeth. O capitão Frederick não tinha riqueza ou mesmo um bom título à época e segundo a escritora, isso poderia ser decisivo na união (ou não) de duas famílias.
Apesar de toda essa preocupação com dotes, brasões, títulos e libras, o que mais atrai nos livros de Jane Austen são os romances em que suas protagonistas se envolvem e a linguagem da Srta. Austen é muito descritiva, suave e interessante. Faz com que você se transporte para uma época onde o mais excitante era conseguir conversar a sós com o seu amor (algo inimaginável atualmente).
Depois de ser desprezado pela sua amada, o capitão Frederick Wentworth promete a si mesmo que fará fama e fortuna na Marinha, e que os Elliot se arrependerão em não tê-lo como parente.
Quase oito anos depois, ele retorna à Inglaterra e cumpre o prometido: rico, com títulos e ainda mantendo uma boa aparência, reencontra Anne Elliot ainda solteira. Ela ruboriza ao vê-lo e percebe que todo o amor que sentia por ele estava apenas adormecido e que nesse mesmo momento volta à tona tudo o que sempre sentiu por ele.
Mas estaria o capitão Wentworth disposto a esquecer o passado e a humilhação pela qual passou e reviver um grande amor, ou o seu orgulho seria muito maior?
Persuasão foi pano de fundo do filme “A casa do Lago” e já tem filme adaptando a obra.
: : TRECHO : :
“(...) Anne sorriu e não disse nada. Era um erro muito agradável para o poder censurar. Significa alguma coisa para uma mulher assegurarem-lhe que, aos vinte e oito anos, não perdeu o encanto da juventude; mas o valor desse elogio aumentou imenso para Anne ao compará-lo com palavras anteriores e sentindo que este era o resultado e não a causa do renascimento do seu caloroso afeto .” (p.198)
: : FICHA TÉCNICA : :
Persuasão
AUSTEN, Jane
AUSTEN, Jane
Editora Landmark, 2008
205 páginas
ISBN 978-85-88781-33-7
ISBN 978-85-88781-33-7
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Cause I need sometime to love ...

Vou te contar um segredo, mas não vai espalhar hein? Eu acho que encontrei a tampa da minha panela, a minha metade da laranja. Sim, isso mesmo, disse “eu acho” por que nunca se sabe não é mesmo? Vai que de repente aparece uma loira-gostosa-e-peituda e ele fica de quatro (sim, os homens ficam assim por mulheres, acredite), e resolve que o conceito de felicidade dele, está num sutiã tamanho 46 e não mais 40.
Bem, a vida amorosa hoje em dia é muito difícil. Temos que conciliar absolutamente tudo num curto espaço de 24 horas. Se contarmos que dormimos (ou ao menos deveríamos) 8 horas diárias, (24-8 = 16), sobram 16 horas. Trabalhamos em média umas 10 horas (já incluído o percurso até o trabalho), sobram 06 horas, excluindo 2 horas, uma de almoço e uma de jantar sobram 04 horas. Você tem quatro horas para assistir tv, ler seu livro, ligar para sua amiga, fazer um happy hour, ir ao cinema e também amar!
É muito pouco tempo na vida da gente para as coisas realmente boas, não é verdade? Às vezes sinto que meus dias não passam de uma rotina enfadonha que se resume em: acorda-trabalha-volta-e-dorme durante cinco dias seguidos.
Sobram os finais de semana. Esse é o tempo real e verdadeiro que tenho para dedicar a mim e às pessoas que realmente são importantes na minha vida. Não é à toa que os divórcios aumentaram muito nos últimos anos.
Se contarmos que um mês tem quatro finais de semana, então em um mês tenho apenas 8 dias para efetivamente namorar. Eu hein! É muito pouco isso, gente! Sem falar que aos finais de semana a mulherada vai na depilação, na manicure, na academia, na lavanderia, no sapateiro, no cabeleireiro.
Mas o pior é que se a gente não faz isso tudo fica meio baranguda e acaba sendo pior. Bom, já que é segredo, é melhor ele nem ler esse texto porque se perceber que eu fico tão pouco tempo com ele, vai reclamar.
Bem, a vida amorosa hoje em dia é muito difícil. Temos que conciliar absolutamente tudo num curto espaço de 24 horas. Se contarmos que dormimos (ou ao menos deveríamos) 8 horas diárias, (24-8 = 16), sobram 16 horas. Trabalhamos em média umas 10 horas (já incluído o percurso até o trabalho), sobram 06 horas, excluindo 2 horas, uma de almoço e uma de jantar sobram 04 horas. Você tem quatro horas para assistir tv, ler seu livro, ligar para sua amiga, fazer um happy hour, ir ao cinema e também amar!
É muito pouco tempo na vida da gente para as coisas realmente boas, não é verdade? Às vezes sinto que meus dias não passam de uma rotina enfadonha que se resume em: acorda-trabalha-volta-e-dorme durante cinco dias seguidos.
Sobram os finais de semana. Esse é o tempo real e verdadeiro que tenho para dedicar a mim e às pessoas que realmente são importantes na minha vida. Não é à toa que os divórcios aumentaram muito nos últimos anos.
Se contarmos que um mês tem quatro finais de semana, então em um mês tenho apenas 8 dias para efetivamente namorar. Eu hein! É muito pouco isso, gente! Sem falar que aos finais de semana a mulherada vai na depilação, na manicure, na academia, na lavanderia, no sapateiro, no cabeleireiro.
Mas o pior é que se a gente não faz isso tudo fica meio baranguda e acaba sendo pior. Bom, já que é segredo, é melhor ele nem ler esse texto porque se perceber que eu fico tão pouco tempo com ele, vai reclamar.
Vejo duas soluções para essa questão: trabalhar meio-período ou arrumar alguém que trabalhe mais do que eu. Na primeira opção vai ser um pouco complicado explicar para o juiz que preciso despachar só até a uma da tarde. Sobra a segunda opção. Acho que estou no caminho certo ...
Assinar:
Postagens (Atom)






