domingo, 21 de fevereiro de 2010

Eu gosto de uma coisa errada – Pedro Dória*


O livro tem um título provocativo. Eu gostei de cara. Adorei também a descrição na capa: Bruna Surfistinha, suingueiros, voyers e outros personagens da revolução sexual provocada pela internet.

Interessante saber que foi ele quem descobriu a prostituta mais famosa do Brasil. Nesse livro gostoso e fácil de ler onde ele compilou textos publicados no site “no mínimo”, conta com clareza, imparcialidade e bom humor, histórias curiosas de pessoas que por meio da internet interagem sexualmente com outras.

Eu havia lido o doce veneno do escorpião, livro da Bruna Surfistinha por um motivo muito simples: curiosidade. Sempre quis saber o que leva uma mulher a vender o corpo. O que ela sente, como lida com isso, como os clientes a tratam, enfim, como é a vida de uma mulher que tem uma profissão tão diferente da minha. E gostei do que li.

Bruna ficou famosa e não foi pelo fato de ser melhor que as outras garotas de programa que existem por aí. O que a diferenciou das demais foi o blog que criou onde descrevia os programas e avaliava os clientes, e quando vi esse livro imaginei que novas histórias como as de Bruna seriam descritas.

De fato, foi interessante descobrir que outras garotas já usam a internet para captar e fidelizar clientes. Casais que se expõem e procuram pessoas para apimentar seus casamentos, sites que homens conhecem há muito tempo (perguntei para o namorado), mas que eu só descobri lendo o livro, e até uma comunidade naturista que criou uma vila grande no sul do Brasil.

O livro é fácil de ler, divertido e agrada mesmo quem gosta de coisa errada. Eu gostei. Será que você vai gostar?

: : TRECHO : :

“(...) Seu corpo é bem contornado e miúdo, um nariz adunco respousa no rosto – noutra mulher poderia enfear, nela compõe uma beleza que remete, no contraste com sua pele morena, a uma aldeã siciliana. Procura um olhar, qualquer olhar que possa cruzar com o seu; mas há que ser o olhar de outra moça, é o primeiro critério.”p. 45

: : FICHA TÉCNICA : :
Eu gosto de uma coisa errada
DÓRIA, Pedro
Ediouro, 2006
131 páginas
ISBN 85-00-02012-1

*Pedro Doria atualmente é jornalista do Estadão, escreve no link e tem um blog.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Deus, Darwin e o Caruncho.



E Deus disse: “do milho faça-se a larva e da larva o caruncho”

Descobri o caruncho. Ele que me descobriu. Pensando bem foi uma descoberta recíproca.
Ele estava no saco de milho de pipoca na despensa. O flagrei passeando pelas redondezas. Resolveu fugir do saco que o protegia e o alimentava e quis explorar a vizinhança. Assim como os portugueses que desbravavam os oceanos, o caruncho resolveu que era hora de se libertar daquele saco de pipoca para conquistar novos lugares.

Ele não encontrou um dragão ou o fim do mundo. Encontrou um ser gigante que o olhou com asco e curiosidade, tudo ao mesmo tempo. O caruncho conseguiu o que queria. Vai desbravar outros lugares ... em terras nunca dantes desbravadas – o saco de lixo.

E daí começaram as dúvidas. De onde ele veio? Com certeza não subiu o elevador, entrou pela porta de casa e resolveu se instalar naquele saco de pipoca. Se veio do milho e nós comemos o milho, logo, comemos caruncho?
Não quero comer caruncho. Não quero que o milho evolua. Quero que ele seja sempre milho. Pelo menos enquanto eu comê-lo.

Deus fez o caruncho, ou ele corresponde a teoria evolucionista darwiniana? Veja como é difícil ter uma religião. Até no milho e no caruncho não há certezas...
Veja só do que um caruncho é capaz. Despertei da catarse e filosofei sobre a teoria da evolução. Em plena cozinha do cafofo, numa dessas terças-feiras solitárias.

Obs: para quem não sabe o que é caruncho olhe aqui
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