quinta-feira, 26 de março de 2009

Idas e Vindas



Eles se conheceram assim. Amigos em comum. Renata estava com vontade de suspirar por alguém novamente. Carlos não sabia exatamente o que esperar dos adjetivos que seu amigo havia empregado à Carla, afinal, uma garota “gente boa”, parece ser muito pouco específico.

Jantaram juntos. A Renata, o Carlos, os dois amigos em comum e mais um casal, amigo de só um deles. Foi um jantar agradável, num restaurante bacana e Renata tinha achado aquele rapaz todo certinho, com jeito de bom moço, muito charmoso e simpático.

Ele achou que ela era bonita, inteligente, muito segura de si e ele simplesmente babava por mulheres assim. No final do jantar, deram uma esticada até um café próximo ao restaurante e foi lá que trocaram telefones.

Renata chegou em casa e pensou: Será? Carlos ao fechar a porta e dar comida ao seu peixe pensou: Por quê não?

Combinaram de se encontrar na quarta-feira à noite, num restaurante japonês que a Renata adorava. Carlos foi buscar Renata. Ela já tinha se desacostumado a ser bem tratada e adorou a idéia. Percebeu sua empolgação ao experimentar três roupas diferentes até se decidir pela última. Isso quase nunca acontecia. Sentiu um frio na barriga. Era sinal de que tinha gostado dele.

Ao chegarem ao restaurante Renata, já acostumada ao lugar pediu as entradas e um prato gostoso que era seu preferido. Carlos ficou lá, admirando a desenvoltura da mulher à sua frente. Sentiu que ela era decidida até na hora de pedir a comida. Gostou da sensação.

Ela notou que ele comeu muito pouco e já na saída ele confessou que não gostava de comida japonesa. Foi naquele exato instante em que ela se apaixonou. Nunca tinha conhecido um homem tão gentil, tão doce que era capaz de ir a um restaurante que não gostava pelo simples prazer da sua companhia.

Ao deixá-la em casa, depois de contarem algumas piadas e ela ter rido da falta de graça de Carlos para contá-las, eles se beijaram. O primeiro beijo foi um pouco tímido no começo. Desses que você não sabe bem o que vai encontrar pela frente, mas que depois dos três primeiros segundos já sabe se gostou ou não. E ambos gostaram.

Passaram a se encontrar. Descobriram muitas afinidades apesar do temperamento tão diferente deles. Ambos gostavam de filme europeu, de viajar para o campo, de ler livros de filosofia e romances policiais. Às vezes, entravam num papo existencial dos porquês da vida, mas geralmente isso acontecia depois da terceira taça de vinho.

Viajaram juntos, muitas vezes. Os amigos dele passaram a ser amigos dela também. As amigas dela sempre diziam que ela tinha tirado a sorte grande. A vida estava ótima. Renata achava que tudo daria certo e que finalmente estava no caminho da felicidade.

Mas, (sempre tem um mas na nossa vida). Carlos recebeu uma proposta de trabalho para morar fora por três anos. Seu sonho finalmente se realizou. Ele sempre quis isso, mas só agora aconteceu. Exatamente no momento em que estava em uma ótima fase pessoal.

Eles analisaram a situação e verificraam a possibilidade de continuar com o namoro, mesmo à distância. Ela sabia que não funcionaria e que ele não desistiria da viagem por ela. Ela entendia, também não faria isso por ele. Não se pode abrir mão de uma coisa por outra pessoa, só pela gente mesmo. Ela entendeu, mas já imaginava o quanto iria sofrer.

Ela foi até o aeroporto se despedir. Os dois se abraçaram. Ela chorou até soluçar abraçada a ele. Disse que ele foi a melhor coisa que tinha acontecido para ela até aquele momento. Ele também chorou. Não tanto quanto ela, mas chorou doído e a abraçou forte.

Ela sofreu o diabo. Perdeu cinco quilos em dois meses. Não penteava mais o cabelo. Chegou ao ponto de, num ataque de pânico, agendar um vôo no dia seguinte para a Alemanha. Desistiu. Ele mal tinha tempo de falar com ela pelo msn, imagina ficar pageando ela lá longe.

Ele também sofreu. Estar num país distante, com costumes diferentes e gente desconhecida não era nada fácil. Na primeira semana quase desistiu por duas vezes. Até que a rotina no trabalho e as novidades que ele desbravava ao passear aos finais de semana, foram acalmando a ansiedade e a depressão.

E foi assim que a história dos dois teve um ponto final.

Três anos se passaram. Ele voltou. Ela soube por que ele mandou um e-mail perguntando como estava a vida e dando a notícia de seu retorno. Seu coração disparou. Ficou com as mãos geladas.

Assim que chegou, Carlos telefonou para Renata. Ela mal acreditou quando atendeu a ligação, gaguejou no telefone. Ele sorriu, achou que aquilo era um bom sinal. Não era. Ela gaguejou porque seu atual namorado estava ao seu lado fazendo cara feia.

Combinaram de se encontrar. Renata precisava saber se o Carlos que retornava era o mesmo do aeroporto. Sabia que ele teria mudado, mas sua essência poderia ser a mesma. Talvez. Ele a buscou em casa, jantaram num bistrô francês e ele contou todas as histórias hilárias que aconteceram com ele na Alemanha.

Ela contou das viagens que fez, da promoção que recebeu e do seu namorado atual. Ele não conseguiu disfarçar. Tinha odiado essa parte da história. Renata, então, disse que seu namoro havia começado mal. Deu uma pista ao Carlos. Era o que ele precisava.

Eles se casaram ano passado. Carlos quer um filho. Renata vai fazer uma imersão de inglês no Canadá e quando voltar, eles pensam no assunto.

O ponto final da história havia então, se tornado um ponto e vírgula.

5 comentários:

  1. Wow......cheguei sentir um aperto na parte do namorado com cara feia... é real?

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  2. Oi Thiago, não, saiu da cachola mesmo, rs

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  3. Uau! o conto lembra 'Eduardo e mônica'- musica de Renato Russo. Gostoso de se ler e de se imaginar!

    Beijo

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  4. E tá bom de parar por aí, antes de chegar na fase do careca e da gorda discutindo por causa da casa, da grana e dos filhos...

    Os amores perfeitos são os que não se realizam...

    bjs e obrigado pelas visitas

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  5. Caramba.....difícil a situação....eu provavelmente teria tomado outro rumo...infelizmente...

    =(

    Bjo!

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