quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Rotina

Oi, Tudo bem?
Toda vez que me perguntam isso me sinto incomodada.
Sim, tudo bem...
Mentira!
Nunca está tudo, tudo bem...
Aliás: nunca,nada, tudo
São palavras muito extremas
Sempre tem algo incomodando
Aliás o que me incomoda não é o trabalho
O que me incomoda não são as palavras
O que me incomoda são as pessoas
O que me incomoda é a mesmice
O que me incomoda é o medo de mudar
Ou de ter um pouco de preguiça pra isso
E o fato de mentir um pouco para elas, as pessoas.
Um pouco.
Se eu responder à pergunta com
“Sim, um pouco bem”  vão logo perguntar o que aconteceu
E eu não quero ter que explicar.
Quero viver esse descontentamento sozinha
Sim, tudo bem...
Covarde e reconfortante
Mentiroso e tranqüilo
Bem

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

ALTOCRÍTICA*

Gostaria de ser boa em alguma coisa. Uma coisa qualquer. Em qualquer coisa.
Odeia essa história de autopiedade. Acha brega, piegas, retrô.
Sabe que vai tomar bronca do analista se começar com esse “mimimi”
Por se cobrar demais.
Por se achar de menos.
Mas como explicar ao outro, algo que se sente aqui dentro?
Não se sente boa profissional. Aliás, está nesse momento cabulando trabalho para escrever esse texto.
Não se considera boa esposa porque simplesmente não tem saco pra ficar assando bolo e fazendo cafuné no marido enquanto ele assiste ao campeonato brasileiro.
Aliás, ela quer ir sozinha ao cinema, mas  ele insiste para ela esperar o fim da partida e fazerem isso juntos.
Se sente pior esposa ainda porque muitas vezes quer fazer muitas coisas sozinha, mas agora que casou, praticamente não existe mais o “eu” e sim o “nós”. E ela que achava que isso seria bacana, mas o problema é que não é bacana o tempo todo. E deveria?
Apesar de ter chegado aos trinta e poucos sabe também que não será boa mãe e apesar de já conseguir achar graciosa as pequenas criaturinhas, ainda tem dúvidas em saber se quer amar incondicionalmente.
É que amar sem condição deve cansar...
É... ela é egoísta
Pior. Ela gosta de ser egoísta.
Gosta de fazer o que quiser na hora que bem entender.
Quer ter liberdade e percebe que a vida adulta, que a maturidade, cada vez mais lhe tolhe essa sensação.
Ela quer gritar, rasgar o uniforme, pegar a bolsa e sumir.
Ela quer ganhar o mundo. Ganhar das palavras, se aventurar.
Mas não tem coragem.
Ela é, portanto, egoísta e covarde.
Como alguém egoísta e covarde pode ser uma boa pessoa? Me diz...
Vai passar.
Não o egoísmo ou a covardia.
Esse lampejo de lucidez.
* o título não atende a regra do bom português pelo simples fato de a autora não estar a fim de seguir regra nesse momento

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Gente, to super sumida, eu sei.

Mas minha vida está mudando totalmente e está muito dificil conciliar tudo.

De todo modo, resolvi compartilhar um texto que recebi e achei muito bacana. Quero ler e reler quando tiver filhos.

Um beijo a todos,

Ana

Meu filho, você não merece nada A crença de que a felicidade é um direito tem tornado despreparada a geração mais preparada

Eliane Brum ELIANE BRUM Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo). E-mail: elianebrum@uol.com.br Twitter: @brumelianebrum

Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor. Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade. Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste. Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes. Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade. É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais? Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país. Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”. Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer. A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão. Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude. Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa. Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir. Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando. O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa. Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande. Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito. Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência. Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba. (Eliane Brum escreve às segundas-feiras.)

quarta-feira, 9 de março de 2011

Dia Internacional da Mulher: Devassa é a vovozinha!




Vou aproveitar e deixar o oito de março para me revoltar contra as propagandas de cerveja.

Sabe, eu não sou feminista ferrenha. Mas acho que esses publicitários estão perdendo a noção.

Primeiro colocaram um monte de mulher seminua rebolando nas propagandas de cerveja, o que para mim já era detestável, mas daí tornaram a coisa um pouco mais agressiva e colocaram uma mulher nua no rótulo de uma cerveja e apelaram para a baixaria e a falta de bom senso.

Apologia à promiscuidade feminina. O slogan é “bem devassa, bem gostosa”. A mensagem que não tem nada de subliminar é, torne-se uma devassa e proclame isso tomando a tal cerveja.

Mas sabe o que é o pior? Ver as próprias mulheres endossando a campanha e se prestando ao papel de prostituta, vagabunda ou qualquer outra palavra de baixo calão.

Veja, não tenho absolutamente nada contra a sensualidade feminina. Pelo contrário, acho mesmo que a mulherada precisa ser sexy, bonita, se sentir linda e poderosa, seduzir e etc.

O que acho absolutamente falta de bom senso e de bom gosto é rotular a mulher e incitá-la a devassidão: ser fácil, ordinária, sem valor, desclassificada.

Eu quero ser tratada com mais respeito, por favor. O que os publicitários precisam se lembrar é que as mulheres são grandes consumidoras de cerveja e vale lembrar ainda que elas, pasmem os senhores, elas pensam!

Sim, senhores e senhoras! A cabeça não é só um acessório para pendurar nossas lindas madeixas. Dentro dela há uma caixa craniana, com neurônios que fazem sinapses a todo minuto. E elas possuem senso crítico (a grande maioria delas, pelo menos), e não gostam de serem tratadas com tanta falta de respeito e consideração.

Então, meus senhores, me desculpem, mas devassa é a vovozinha, ou melhor, devassa é a cerveja que eu não vou beber NUNCA!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Resoluções de Ano Novo – Repaginada.



Dizem que todo ano nós temos que fazer (não temos, mas a maioria acaba fazendo) a listinha do que queremos para o próximo ano.

Vou passar longe dessas que te enchem de obrigações chatas (perder peso, parar de beber, etc). Eu quero fazer uma lista onde eu fique mais e mais feliz a cada ticada de meta cumprida.

Resolvi fazer uma lista pública porque dizem que quando você promete uma coisa em público o compromisso fica mais forte.

Então vamos lá, em 2011, prometo que:

1) Vou me casar. Sei que uma ou outra coisa pode dar errado, tanto na cerimônia, festa ou no casamento em si. Prometo tentar não me chatear demais e aproveitar tudo que der certo até o último segundo.
2) Vou conhecer um lugar novo. Estou doida pra ir à Zoropa e visitar todos aqueles lugares maravilhosos que por enquanto só conheço por filme e foto.
3) Vou assistir ao maior número de filmes possível, ler o maior número de livros que conseguir e publicar aqui o que eu encontrar de melhor.
4) Vou encontrar as amigas queridas o máximo que eu puder, falar muita besteira e rir até doer a barriga. Seria muito bacana conhecer algum (a) novo (a) amigo (a) também.
5) Vou me matricular no pilates/yoga. Para isso, preciso me organizar financeiramente (essa é mais trabalhosa).
6) Vou mudar de casa e que boa parte da decoração será feita por minha conta. Prometo que vou expandir as habilidades manuais descobertas esse ano.
7) Vou terminar minha pós graduação e que não vou fazer mais nenhum curso que exija muita dedicação intelectual. Quero que 2011 seja de introspecção e auto-conhecimento.
8) Vou vencer a timidez, colocar um biquinão e tomar sol na piscina do prédio novo. O vizinho tarado que se dane. Quero mais é ficar com cara de saudável.
9) Vou voltar a correr. Pode ser no quarteirão, na esteira do prédio ou em qualquer lugar que não seja uma academia cheia de gente fresca. Minha saúde voltará a ser prioridade na minha vida.
10) Vou cuidar bem de mim e do meu bem querer. Aprender a fazer pratos saudáveis. Frequentar restaurantes bacanas e com boa comida. Comer o maior número de sobremesas desconhecidas sem me preocupar com as calorias ingeridas.
11) Pagar todas as minhas contas em dia, deixar o saldo bancário positivo e me programar financeiramente para 2012.
12) Em 2011 prometo reclamar menos das coisas, agradecer por tudo que der certo. Prometo ser tão ou mais feliz que em 2010!

E você quais são suas metas para 2011?

Espero que você seja tão ou mais feliz que em 2010.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Quanto vale um sonho?


Depois que adentrei ao maravilhoso mundo casamentício percebi que essa ocasião é levada muito a sério pelas mulheres. Não que os homens também não gostem, ou que eu esteja achando ruim os preparativos, mas é que casar de branco nunca foi um sonho para mim.

Mas desde que comecei minhas pesquisas cibernéticas casamentícias, me dei conta de que a cerimônia e a festa são muito mais que celebrações. Para a maioria das mulheres, o casamento é a personificação do conto de fadas que ouviam, liam e assistiam desde a infância.

Mas para que esse sonho se realize é necessário pagar um preço. E quando falamos de casamento o valor pode não ter limite. A culpa disso é dos detalhes. Sim, são eles que arruínam qualquer orçamento traçado e como conseqüência qualquer saldo bancário, já que não bastam vestido, padre e bolo. Tem que ter um cabide especial para pendurar o vestido, uma decoração super especial para enfeitar a nave (entrada da noiva) e muitos docinhos que além de gostosos têm que ser lindos e acompanhados de forminhas especiais.

E cada detalhe é milimetricamente planejado por essas noivas que passam meses planejando tudo e sonhando com o dia D. E para realizar esses mini sonhos (a aquisição desses detalhes todos juntos que unidos se transformam na materialização do sonho maior, o casamento), vale tudo: deixar de lado a vaidade e diminuir a ida ao cabeleireiro, trocar viagens por passeios mais simples, parcelar as aquisições em muitas vezes ou até começar a se organizar com mais de um ano de antecedência.

Eu não tinha ideia de nada disso até adentrar nesse mundo. Não tinha noção de como essas moças se esforçam para que tudo esteja impecável, mas principalmente, como pode ser alto o preço para realizar o sonho do casamento perfeito. Ainda que os pombinhos não sejam felizes para sempre.

E não pense que para elas isso seja um sacrifício. Não, para as noivas tudo isso é feito com intenso prazer, afinal sonho é sonho e cada um tem o seu.

Confesso que desdenhava um pouco disso tudo até pouco tempo atrás, mas aprendi a respeitar a escolha de cada um. Eu achava um absurdo quem trocava uma viagem maravilhosa por uma festa de algumas horas. Mas agora entendo que não se trata de qualquer festa. É a festa do casamento delas. E, a partir de agora vou elogiar mais cada detalhe que me chame atenção nos casamentos em que eu for convidada, porque sei o que está por trás deles.

Percebi que a realização do meu sonho custa menos que o delas, veja só que ironia.Não consigo ser seduzida por um Buffet chic ou pelo bem-casado da Conceição. Eu quero o que é bom, mas também não precisa ser o que está na moda, porque esse não é o meu sonho. Não quero uma festa de arromba. Quero só compartilhar com os mais íntimos um momento feliz.

O que faz meu coração bater mais forte é dar uma voltinha no London Eye, passear pelo Quartier Latin, conhecer o Coliseu e fazer isso tudo com o meu marido. Só isso já me basta, por enquanto...

Quanto custa o seu sonho?

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Velha, Eu?




Sábado à tarde toca o meu telefone. É uma amiga perguntando se eu vou ao seu aniversário. Digo que vou sim, claro. Como deixaria de ir?

Olho para o namorado que está logo a frente e já fica curioso para saber onde iremos. Digo que é o aniversário de uma amiga e que vai ser comemorado numa dessas boates da moda. Ele finge contentamento e diz que iremos, sim claro, sem problemas.

Enquanto penso em que roupa usar, percebo que não saio para dançar já faz um tempão e que a última balada foi com a amiga num desses inferninhos que tocam rock, servem cerveja gelada e que não tem gente fresca.

Faço um esforço sobre humano para tentar me animar e deixar a preguiça de lado. Desencanar da estréia do telecine, a pizza sagrada de sábado à noite ou até mesmo as lutas do sportv que meu namorado insiste em assistir quando já estou pegando no sono.

Separo um vestido bacana. Me maquio e boto um salto. Lá vamos nós para a balada. No caminho, uma cena antes tão familiar já me aborrece. Trânsito às vinte três horas de um sábado. Estacionamentos lotados. E a noite está só começando.

Quando chego no local a fila está dobrando o quarteirão. Tinha me esquecido dessas filas para entrar na balada. Oh vida! Ok, ajoelhou, agora reza. Vejo os Vips furando fila e cumprimentando os seguranças, enquanto olham para nós, pobres mortais gastando quarenta minutos do nosso tempo, pensando quanto ainda vai demorar para molharmos a garganta. Lembro que eu também já furei muita fila e agora estou pagando pelos meus pecados.

Finalmente entramos na balada. Tinham me dito que tinha um pessoal mais velho, o que gostei bastante. O que acabou sendo divertido. Um monte de tiozinho chacoalhando o esqueleto como se não houvesse amanhã. Imaginei-os como supervisores, gerentes e diretores de empresas, dando broncas em seus funcionários e fazendo cara de sério em reunião. Mas que naquele momento só queriam cantar o hit com a galera. “Pa panamericano!”

Lembrei que foi tema do filme “O Talentoso Ripley” e que agora foi remixada.To velha, pensei e dei risada. Mais velha do que o povo da boate. Namorado pergunta o que eu tenho. Digo que vou ao toalete. Nesse meio tempo, esbarro num grupo de mulheres de saias mais curtas que meu saldo bancário. Bem mais curtas. O lugar estava enchendo, eu morrendo de calor e já tinha fila para usar o banheiro.

Brochei.

Vamos embora? Perguntei ao namorado. Ele concordou imediatamente.

Depois de uma hora de balada eu e namorado abandonamos o local. Ainda havia uma fila generosa com rostos ansiosos e curiosos nos olhando e se perguntando por que estávamos indo embora.

Chego em casa, tiro o sapato e a maquiagem. Ponho um pijama. Namorado fica feliz porque vai dar tempo de ver uma luta importante no Sportv.

Boa noite, amor.

Nunca pensei que seria feliz por estar na minha cama num sábado à noite. Velha, eu? Imagina. Eu estou é feliz.
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