segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Mensagem do Mario Quintana


Olá,


Passando só para deixar uma mensagem bacana de que devemos sempre focar no que nos faz felizes.


quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Nossa história

Numa dessas crises existenciais que a gente tem ao longo de dias não tão bons, me auto-indaguei sobre a real necessidade ou até a utilidade em manter um blog.

Afinal, querendo ou não, um pouco de você e de sua intimidade ficam a mão de diversos leitores e você não consegue filtrar quem é bem ou mal intencionado.

Já pensei em deletar tudo e continuar tendo esses insights só-eu-comigo-mesma. Já pensei em continuar escrevendo meus textos, mas somente no papel branco do “Word”. Apesar de tudo, algo me dizia para eu não fazer isso.

Além do meu instinto, o que me impedia em apertar a borracha eletrônica (a tecla delete), eram os comentários e elogios que recebia dos meus textos. A troca de opiniões e experiências é muito rica e “conversar” com esse povo bom da cabeça, com uma boa vibe, virou o meu passatempo predileto.

Mas eis que estou eu olhando para o meu computador e vejo uma notícia no estadão, que me chamou a atenção.

Marcos Guterman falando da Anne Frank, a judia adolescente que escreveu um diário falando dos seus dias enclausurada em um esconderijo durante a perseguição nazista.

Quando li esse livro há alguns anos fiquei emocionada. A historia é triste, quanto a isso não há dúvida. Mas o que mais me chamou a atenção no livro não foi o contexto histórico na qual Anne se encontrava, mas, mais do que isso, as descobertas que ela foi fazendo com o passar do tempo. As perguntas e respostas que ela se fazia e que, ao longo dos meses forma se sofisticando.

A evolução do estilo literário de Anne em grande parte foi em função do amadurecimento que ela viveu dentro daquele lugar onde ficou trancafiada. Mal sabia ela que o seu diário se tornaria mundialmente conhecido e que todas as dúvidas, incertezas e desilusões que povoaram sua mente ainda são sentidas por outras mulheres.

A diferença é que agora elas são escritas no computador e publicadas na internet.

Agora eu já sei por que esse blog deve continuar...

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Hang Over


Estou de ressaca. Ontem encontrei as meninas num bar perto de casa. E lá, mais uma vez, discutimos todas as teorias existencialistas, imperialistas e exibicionistas que conseguimos inventar.
A primeira delas é a de que o poder é solitário. De fato, quando você vira chefe, por mais legal que você seja, você sempre vai ser o chefe (logo chato), e uma distância razoável dos seus subordinados, às vezes, é necessária.

Outra conclusão corporativa é a de que ninguém vira chefe por acaso. Se você conseguiu essa façanha é porque fez por merecer. Acidentes dificilmente acontecem nesse cenário. Algum mérito a pessoa sempre terá.

Entramos na questão do poder de sedução feminino no mundo corporativo. Sempre tivemos a idéia de que se utilizar do charme no ambiente de trabalho era equivocado e que as pessoas iriam questionar sua competência por conta disso. Hoje estamos revendo esse conceito. Percebemos que saber usar o charme feminino no momento certo e com a pessoa certa pode ajudar na carreira, e muito.

Percebemos que todas nós realizamos “o sonho da casa própria”. Concluímos que essa frase é muito brega e pior que isso, só mesmo o slogan do novo programa do governo federal, “minha casa, minha vida”. Essa ganhou o prêmio de breguice do ano!

Passamos a discutir sobre amor e sexo. Minha amiga levantou a idéia do homem transável x homem companheiro. O homem transável é aquele que te arrepia, que você tem interesse carnal, que te tira do sério só com uma olhada. Já o homem companheiro é aquele que te apóia e te conforta. Que você se sente protegida.

Chegamos a conclusão de que é muito difícil encontrar os dois homens em um só. Geralmente eles vêm pela metade. Todas concordaram que quando encontrar a “versão completa” o melhor é segurar firme.

Enquanto debatíamos isso, um homem passou pela nossa mesa e derrubou o copo de mojito da minha amiga. Não pediu desculpas e nem pagou outra bebida. Ficamos indignadas. Os homens estão cada vez menos cavalheiros. Esse julgamento teve votação unânime.

Uma das amigas, que está em crise existencial/conjugal discutiu com o namorado. Nos fez recordar a história de que o amor deve ser regado todos os dias para não morrer, e, aparentemente o seu respectivo está deixando a planta secar. Em tom de desabafo ela virou pra gente e ensaiou uma forma didática de explicar isso a ele: “rega essa porra dessa planta todos os dias ou ela morre, caráleo” Não preciso dizer que rimos durante meia hora e que concordamos com ela.

Essa foi a pauta de mais um happy hour feminino.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Sexo Casual


Conheceram-se por acidente. Ela foi devolver uns livros na biblioteca. Ele passeava com o cachorro. Politicamente correto, possuía o kit para recolher as impurezas eliminadas pelo corpo canino. Ela estava com um casaco de plush lilás e tinha uma pinta no lado esquerdo da boca, como tem a Cindy Crawford.

Ele ficou instantaneamente atraído por ela: cabelos castanhos, olhos negros, boca bem desenhada, aquele jeito de mulherão sem dono. Decidiu arriscar uma tentativa de aproximação. Ela, quando o viu, todo maroto com seu cachorro, sentiu que poderia finalmente se desestressar sem tomar nenhum ansiolítico. Daria pra ele. Sim, com certeza, era só ele pedir.

Ela teve sorte, ele perguntou as horas. Ela respondeu com um sorriso. Ele perguntou aonde ela ia. Adorou a petulância interrogativa e respondeu indicando a biblioteca pública, com a cabeça, sem desgrudar os olhos dele. Sabia que não daria o primeiro passo. Estava determinada a “se deixar conquistar”.

Ele, então, percebendo os sinais gratuitamente cedidos por ela, perguntou se poderia acompanhá-la. Ela fingiu estar em dúvida. Olhou para um lado. Olhou para o outro. Voltou a olhar para ele. Ele estava sorrindo e esperando a resposta. Ela fez sua melhor cara. Aquela que treinou no espelho. Que mistura Natalie Portman com Sasha Grey. Olhar de menina que no fundo quer mostrar o mulherão que é.

Ele sacou. Pegou ela pelo braço, levou até a biblioteca e depois foram direto para casa. Dele.
Ofereceu uma taça de vinho. Ela adorava homens que têm vinho tinto em casa. Que estão sempre alertas para taças-de-vinho- tinto-de-emergência.

Sentiu que sua calcinha molhou quando, ao pegar o copo que lhe era oferecido, olhou para ele e viu sua cara de Javier Bardem. Olhou para ele baixando um pouco a cabeça. Estava se preparando para dar o bote. Tomou um gole de vinho sem deixar de olhá-lo.
Foi em direção a ele e parou a um palmo de distância. Ofereceu seu copo para ele beber. Ele passou o braço em sua cintura, deu uma talagada no vinho e a beijou forte. Ela percebeu sua ereção.

Nenhuma palavra precisou ser dita.

Ela foi embora com um sorriso nos lábios. Enfim, só.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Gente

“Gente é tão louca e, no entanto, tem sempre razão.
Quando consegue um dedo, já não serve mais quer a mão.
E o problema é tão fácil de perceber.
É que gente ... gente nasceu pra querer”.
(Raul Seixas)

Esse fim de semana recebi um prospecto de um lançamento imobiliário. Adorei a planta, a localização, o apartamento decorado e a área de lazer. Enfim, adorei tudo e já me imaginei dentro dele, com meu marido e filhos, todos sorrindo num domingo de sol.

O único, porém é que eu acabei de comprar um apartamento. Parei para prestar atenção no que eu estava fazendo. Não estava curtindo o gostinho de ter comprado um apartamento e já estava pensando em outro maior. Que medo!

Divagando sobre o assunto, percebi que não sou exceção. Não sou só eu que tenho esses arroubos consumistas. Vivemos em função desse consumismo, atualmente. Afinal, qual é a intenção de lançarem a cada três meses um novo modelo de celular, de aparelho de TV ou de um carro?

Na época da minha avó, as panelas eram bem grossas, as geladeiras e fogões eram de ferro esmaltado. Uma máquina de lavar roupa durava uma vida inteira. Hoje os produtos não são mais feitos para durar. Tudo é descartável.

E porque sempre colocam pessoas bonitas, sensuais e de bem com a vida utilizando esses produtos? Para que a gente seja condicionado a querer viver dessa forma, de sermos assim.
Mas será que está tudo errado? Afinal, o consumo também faz girar a economia, gera emprego, melhora a vida das pessoas. Esse seria um círculo virtuoso ou vicioso?

O “detalhe” dessa vida acelerada de hoje é que as pessoas estão frustradas. O fato de não conseguirem comprar um apartamento maior, ou trocar de carro todo ano, ou de adquirir aquele lançamento da televisão de Led super hiper mega plus, faz com que elas se sintam fracassadas, marginalizadas, digna de pena das pessoas.

Sinceramente? Estou cansada dessa vidinha medíocre de que é mais importante ter do que ser. O pior é que todo mundo embarca nessa: os amigos, a família, os colegas de trabalho. Para você ser admirado, deve ser bem sucedido profissionalmente, ter porte atlético, carro de última geração e tirar férias para um lugar inédito a cada seis meses.

Sempre fui taxada de “diferente” pelas pessoas. Também tenho meu s arroubos consumistas (basta ver meu estoque de sapatos), não quero ser uma monja tibetana avessa ao mundo moderno. Só acho que preciso aproveitar meu apartamento. Daqui dez anos eu me preocupo com outro.

Em tempo: Não sei quem sofre mais, se são as pessoas que entram nesse “sistema” e não percebem a indução a que são submetidas ou se são as pessoas que sacam as coisas, mas não podem fazer muito a respeito. Eu me incluo na segunda turma. E você?

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Antes do amanhecer (Before de Sunrise).


Sei que estou alguns anos atrasada. O filme em questão foi lançado já faz algum tempo e só agora o descobri.

O que dizer sobre ele? Um dos mais legais que já vi. Aluguei porque me parecia ser uma ótima história de amor, ao melhor estilo “mulherzinha”. Qual nada! O filme tem romance, of course, mas tem um formato tão original que me agradou bastante.

Um americano e uma francesa estão num trem que partiu de Budapeste a caminho de Viena. Ele vai desembarcar em Viena para pegar o avião de volta aos Estados Unidos e ela está voltando da casa da avó e por uma dessas razões do destino se encontraram e começaram a conversar. O papo flui bem e Jesse (Ethan Hawke) convida Celine (Julie Delpy) para passarem o dia em Viena de forma despretensiosa.

Ela aceita e os dois, enquanto passeiam pela cidade, conversam sobre as mais diversas coisas. Esse diálogo aliado a exuberância da cidade são o charme do filme.

Os assuntos discutidos pelos dois pombinhos são dos mais variados, falam sobre sexo, política, religião, reencarnação, amizade e tudo o mais que você jamais imaginaria dizer a uma pessoa que acabou de conhecer.

Eles se apaixonam. E a gente se apaixona por eles.

Mas a verdade que as chances de ficarem juntos são pequenas: moram em países diferentes, com vidas totalmente opostas.

Tendo ciência disso, eles combinam de se encontrar novamente um ano depois em Viena. Para saber se o encontro rolou você terá que assistir o Antes do pôr-do-sol (Before de Sunset).

Acho que o que mais me chamou atenção no filme é que ele te mostra o frescor e despretensão da juventude, de uma forma terna e sincera.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

“A verdade é que você mente todo dia”


Li isso pichado num muro a caminho do trabalho essa semana e a minha primeira reação foi discordar.

Eu não minto, concluí. Mas no segundo seguinte me auto-indaguei dessa minha resposta automática. Não minto mesmo, será? Claro que sim. Não minto quando digo “eu te amo” para quem, de fato, eu gosto. Quando eu dou minha opinião em algo importante ou quando há algo sério e relevante envolvido.

Mas então me lembrei que minto mesmo, todos os dias. Minto quando não estou muito bem e alguém me encontra e pergunta: “tudo bem?”. Por óbvio eu não vou responder que as coisas não estão nada bem. Minto também quando alguém pergunta minha opinião sobre um corte de cabelo ou uma roupa que já esteja usando. O que vai adiantar dizer que está horrível? O cabelo vai voltar ao status quo ante? A pessoa vai ficar pelada?

Fiquei na dúvida se eu minto quando digo a alguém que esteja encrencado que tudo vai dar certo. Eu não tenho certeza que as coisas vão mesmo se acertar. Será que estou mentindo? Não sei ... coisa complicada essa de definir a mentira.

Mas o pior tipo de mentira é aquela feita para mim mesma. Quando gasto mais do que devo e digo que nem foi tanto assim. Quando estou com preguiça de ir à academia e me auto-digo estar muito cansada e estressada ou quando digo que estou feliz, mas o ponto de interrogação de dúvida vai da cabeça aos pés.

Certo estava Darwin ao dizer que somos influenciados pelo nosso meio. Veja o que uma frase pichada num muro fez comigo.

Eu minto todo dia. Minto mesmo. Mas o que seria do mundo sem uma mentirinha inocente? Não dá para ser 100% sincero. Ou dá?

Enfim, depois de mundo pensar, acabei concordando com a frase acima. E você?