Numa dessas crises existenciais que a gente tem ao longo de dias não tão bons, me auto-indaguei sobre a real necessidade ou até a utilidade em manter um blog.
Afinal, querendo ou não, um pouco de você e de sua intimidade ficam a mão de diversos leitores e você não consegue filtrar quem é bem ou mal intencionado.
Já pensei em deletar tudo e continuar tendo esses insights só-eu-comigo-mesma. Já pensei em continuar escrevendo meus textos, mas somente no papel branco do “Word”. Apesar de tudo, algo me dizia para eu não fazer isso.
Além do meu instinto, o que me impedia em apertar a borracha eletrônica (a tecla delete), eram os comentários e elogios que recebia dos meus textos. A troca de opiniões e experiências é muito rica e “conversar” com esse povo bom da cabeça, com uma boa vibe, virou o meu passatempo predileto.
Mas eis que estou eu olhando para o meu computador e vejo uma notícia no
estadão, que me chamou a atenção.
Marcos Guterman falando da Anne Frank, a judia adolescente que escreveu um diário falando dos seus dias enclausurada em um esconderijo durante a perseguição nazista.
Quando li esse livro há alguns anos fiquei emocionada. A historia é triste, quanto a isso não há dúvida. Mas o que mais me chamou a atenção no livro não foi o contexto histórico na qual Anne se encontrava, mas, mais do que isso, as descobertas que ela foi fazendo com o passar do tempo. As perguntas e respostas que ela se fazia e que, ao longo dos meses forma se sofisticando.
A evolução do estilo literário de Anne em grande parte foi em função do amadurecimento que ela viveu dentro daquele lugar onde ficou trancafiada. Mal sabia ela que o seu diário se tornaria mundialmente conhecido e que todas as dúvidas, incertezas e desilusões que povoaram sua mente ainda são sentidas por outras mulheres.
A diferença é que agora elas são escritas no computador e publicadas na internet.
Agora eu já sei por que esse blog deve continuar...