
Li isso pichado num muro a caminho do trabalho essa semana e a minha primeira reação foi discordar.
Eu não minto, concluí. Mas no segundo seguinte me auto-indaguei dessa minha resposta automática. Não minto mesmo, será? Claro que sim. Não minto quando digo “eu te amo” para quem, de fato, eu gosto. Quando eu dou minha opinião em algo importante ou quando há algo sério e relevante envolvido.
Mas então me lembrei que minto mesmo, todos os dias. Minto quando não estou muito bem e alguém me encontra e pergunta: “tudo bem?”. Por óbvio eu não vou responder que as coisas não estão nada bem. Minto também quando alguém pergunta minha opinião sobre um corte de cabelo ou uma roupa que já esteja usando. O que vai adiantar dizer que está horrível? O cabelo vai voltar ao status quo ante? A pessoa vai ficar pelada?
Fiquei na dúvida se eu minto quando digo a alguém que esteja encrencado que tudo vai dar certo. Eu não tenho certeza que as coisas vão mesmo se acertar. Será que estou mentindo? Não sei ... coisa complicada essa de definir a mentira.
Mas o pior tipo de mentira é aquela feita para mim mesma. Quando gasto mais do que devo e digo que nem foi tanto assim. Quando estou com preguiça de ir à academia e me auto-digo estar muito cansada e estressada ou quando digo que estou feliz, mas o ponto de interrogação de dúvida vai da cabeça aos pés.
Certo estava Darwin ao dizer que somos influenciados pelo nosso meio. Veja o que uma frase pichada num muro fez comigo.
Eu minto todo dia. Minto mesmo. Mas o que seria do mundo sem uma mentirinha inocente? Não dá para ser 100% sincero. Ou dá?
Enfim, depois de mundo pensar, acabei concordando com a frase acima. E você?
