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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

ALTOCRÍTICA*

Gostaria de ser boa em alguma coisa. Uma coisa qualquer. Em qualquer coisa.
Odeia essa história de autopiedade. Acha brega, piegas, retrô.
Sabe que vai tomar bronca do analista se começar com esse “mimimi”
Por se cobrar demais.
Por se achar de menos.
Mas como explicar ao outro, algo que se sente aqui dentro?
Não se sente boa profissional. Aliás, está nesse momento cabulando trabalho para escrever esse texto.
Não se considera boa esposa porque simplesmente não tem saco pra ficar assando bolo e fazendo cafuné no marido enquanto ele assiste ao campeonato brasileiro.
Aliás, ela quer ir sozinha ao cinema, mas  ele insiste para ela esperar o fim da partida e fazerem isso juntos.
Se sente pior esposa ainda porque muitas vezes quer fazer muitas coisas sozinha, mas agora que casou, praticamente não existe mais o “eu” e sim o “nós”. E ela que achava que isso seria bacana, mas o problema é que não é bacana o tempo todo. E deveria?
Apesar de ter chegado aos trinta e poucos sabe também que não será boa mãe e apesar de já conseguir achar graciosa as pequenas criaturinhas, ainda tem dúvidas em saber se quer amar incondicionalmente.
É que amar sem condição deve cansar...
É... ela é egoísta
Pior. Ela gosta de ser egoísta.
Gosta de fazer o que quiser na hora que bem entender.
Quer ter liberdade e percebe que a vida adulta, que a maturidade, cada vez mais lhe tolhe essa sensação.
Ela quer gritar, rasgar o uniforme, pegar a bolsa e sumir.
Ela quer ganhar o mundo. Ganhar das palavras, se aventurar.
Mas não tem coragem.
Ela é, portanto, egoísta e covarde.
Como alguém egoísta e covarde pode ser uma boa pessoa? Me diz...
Vai passar.
Não o egoísmo ou a covardia.
Esse lampejo de lucidez.
* o título não atende a regra do bom português pelo simples fato de a autora não estar a fim de seguir regra nesse momento

quarta-feira, 9 de março de 2011

Dia Internacional da Mulher: Devassa é a vovozinha!




Vou aproveitar e deixar o oito de março para me revoltar contra as propagandas de cerveja.

Sabe, eu não sou feminista ferrenha. Mas acho que esses publicitários estão perdendo a noção.

Primeiro colocaram um monte de mulher seminua rebolando nas propagandas de cerveja, o que para mim já era detestável, mas daí tornaram a coisa um pouco mais agressiva e colocaram uma mulher nua no rótulo de uma cerveja e apelaram para a baixaria e a falta de bom senso.

Apologia à promiscuidade feminina. O slogan é “bem devassa, bem gostosa”. A mensagem que não tem nada de subliminar é, torne-se uma devassa e proclame isso tomando a tal cerveja.

Mas sabe o que é o pior? Ver as próprias mulheres endossando a campanha e se prestando ao papel de prostituta, vagabunda ou qualquer outra palavra de baixo calão.

Veja, não tenho absolutamente nada contra a sensualidade feminina. Pelo contrário, acho mesmo que a mulherada precisa ser sexy, bonita, se sentir linda e poderosa, seduzir e etc.

O que acho absolutamente falta de bom senso e de bom gosto é rotular a mulher e incitá-la a devassidão: ser fácil, ordinária, sem valor, desclassificada.

Eu quero ser tratada com mais respeito, por favor. O que os publicitários precisam se lembrar é que as mulheres são grandes consumidoras de cerveja e vale lembrar ainda que elas, pasmem os senhores, elas pensam!

Sim, senhores e senhoras! A cabeça não é só um acessório para pendurar nossas lindas madeixas. Dentro dela há uma caixa craniana, com neurônios que fazem sinapses a todo minuto. E elas possuem senso crítico (a grande maioria delas, pelo menos), e não gostam de serem tratadas com tanta falta de respeito e consideração.

Então, meus senhores, me desculpem, mas devassa é a vovozinha, ou melhor, devassa é a cerveja que eu não vou beber NUNCA!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Papai... Será que eu te amo?

Olá queridos,

Faz um tempo que não apareço na blogosfera. A vida anda muito corrida e o tempo que sobra é basicamente para dormir. Mas recebi um texto de uma amiga muito querida e não podia deixar essa chance passar em branco.

Eu acho que ela leva jeito e deveria investir na carreira de escritora. Iniciada a campanha: Jeanne, escreva mais, por favor!

Beijos a todos,

Ana

.........



Domingo de manhã na cidade de SP. A chuva terminava de cair. Preguiças a parte, ótima desculpa para tomar um majestoso café da manhã com meu namorado na doçaria de uma amiga de trabalho.

O lugar é charmoso, o bairro é nobre e as pessoas são bonitas. Mas, por que sinto um cheiro de descontentamento e apatia daqueles jovens bem nascidos? Um garoto, que falava fluentemente seu inglês junto a um amigo de intercâmbio tinha a sua atenção dividida entre o pai e sua jovem madrasta. “Por que não pediu ajuda para se barbear, menino?” “Agora está todo machucado”...

E entre uma ida e volta ao Buffet principal, onde havia todo o tipo de pãezinhos maravilhosamente feitos a mão, comecei a reparar na mesa ao lado com mais dedicação.
Na mesa ao lado – um de frente para o outro – pai separado e filha adolescente compartilhavam ou tentavam compartilhar mutuamente daquele momento.

Não sabia e nem saberei ao certo se havia acontecido alguma coisa antes da chegada deles à doçaria. Apenas sei que eram pai e filha e que ela não estava nem um pouco interessada em nada a sua volta. Isso incluía a presença de seu jovem pai sentado em sua frente.

O aparelhinho celular que estava nas mãos da garota a fazia entreter. Muito. Mais interessante e envolvente. Mesmo estando ela na presença (quem sabe escassa) de seu pai e fazendo seu desjejum num lugar tão encantador.

Não é a primeira vez que penso sobre o excesso de coisas e informações aos quais os jovens estão submetidos. Uma geração com excesso do ter e nenhum apontamento sobre o ser. Pais trabalhando e justificando suas ausências com bens e falta de autoridade.
Acho que a falta da valorização dos valores básicos do ser não estão sendo ensinados em nenhum momento pelos pais aos seus filhos. Deixando que este aprendizado seja adquirido com a vida, com o mundo, com as experiências boas e ruins. Que pena, apenas fazê-los entender com a perda.

Assim, por todo o momento em que estava tomando o meu maravilhoso café da manhã, respirando o cheiro da chuva que vinha da porta de entrada, aproveitando todos os minutos a conversar com meu maravilhoso namorado, absorvi os vários momentos de monólogo paterno e o silêncio de vários minutos da filha que não desgrudava a mão daquele aparelhinho tão antipático.

Mas, finalmente o silêncio foi quebrado: “Pai, eu já disse que não quero mais comer. Já estou cansada de comer, entendeu?”

E assim, vai o pai solitário até a mesa central do Buffet em busca do último café.
Olho pelas grandes janelas. Volta a chover.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Não, não vai dar tudo certo.

Já virou chavão: toda vez que você informa que algo não vai muito bem, seu interlocutor vira pra você e de forma automática diz: “relaxa que tudo vai dar certo, pode acreditar!”

Daí você suspira e tenta acreditar no que acabou de ouvir. Como se a regra fosse essa mesmo. Tudo tem que dar certo para que você seja feliz.

Será mesmo?

Fico em dúvida se essa nossa necessidade de que tudo tem que dar certo o tempo todo, talvez seja exatamente o que nos angustie. Minha vida não tem que ser perfeita, afinal, eu não sou perfeita.

Demorou um tempo para eu entender que nem tudo ia dar certo na minha vida e, pasmem, conseguir dormir bem toda noite.

Problemas, todos sempre teremos e o mais indicado é aprender a lidar com eles. Querer que eles desapareçam só para voltar a perfeição almejada só causa gastrite.

Claro que os problemas podem ser escalonados pela gravidade. Você vai rezar para ter saúde todos os dias. Mas uma gripe de vez em quando não será de todo mal.

O maior erro é querer que os probleminhas do cotidiano não sejam recorrentes, e se sentir injustiçada ou infeliz por conta disso, me parece a maior idiotice dos últimos tempos.

To cansada de ter que ter o corpo perfeito, o carro ideal, a vida irretocável, o namoro dos sonhos e o emprego invejado. Agora nem problemas mais eu posso ter. Socorro!

Nem tudo vai dar certo. Mas você vai ser feliz mesmo assim. Acho que isso que a gente deveria dizer para as pessoas que gostamos.

Chega de viver a felicidade dos filmes. A imperfeição precisa voltar a ser moda. Alguém avisa isso pra mídia?

Grata,

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? Em breve as respostas



Todo mundo quer essas respostas. Quando vi a notícia de que os cientistas recriaram um mini big bang, tive a impressão que saberemos tudo isso em breve.
Não seria incrível? Imagine simularmos micro-poeiras boiando ao léu, que formarão micro universos e micro galáxias e dentro deles, micro planetas. Imagine se for possível acelerar o processo? Veremos micro tiranossauros-rex que comerão micro brontossauros.

Já pensou conhecermos finalmente micro hominídeos? E o famigerado micro homem de Neanderthal? Não precisaremos mais dos museus, estará tudo lá em mini aquários com um aviso bem grande: “é proibido bater no vidro ou alimentar os seres em exibição”. Imagine se a indústria de brinquedos resolve patentear a fórmula? Ao invés de tamagochis, seu filho poderá brincar de alimentar os “bichinhos que ele quiser”. UAU!!!

Pensando bem, se avançarmos ainda mais o processo, poderemos saber para onde raios, iremos. Seremos mini deuses brincando de universo. No auge do meu delírio imaginei algo que me deu um frio na espinha: Quem garante que não estamos num micro vidrinho dentro de um laboratório qualquer? Que o Sol não passe de um aquecedor externo e que a lua e as estrelas sejam simulações ou sucatas de outros experimentos? Seria cômico ou trágico? A gente aqui, levando a nossa micro vidinha, enquanto lá de cima os caras ficam rindo da nossas micro besteiras, micro dúvidas, micro inseguranças, micro paixões...

A discussão acirrada entre fiéis e ateus/agnósticos depois dessa descoberta, voltou com força total. Amigos em mesas de bar poderão finalmente mudar de assunto e trocar o futebol ou deixar de falar sobre a gostosa do escritório e discutir se estamos aqui por vontade divina ou pelo mero acaso. E as moças não vão mais discutir no cabeleireiro se o Rick Martin é gay mesmo ou se tudo é intriga da oposição. Vão querer é saber por que os cientistas recriam o mundo, mas não inventam um esmalte que dure o mês inteiro sem perder o brilho.

O que eu acho disso tudo? Bem, fico aqui no meu cantinho pensando todas essas besteiras ao invés de dormir. Já são duas da manhã e eu acabei de lembrar que ainda não entreguei a minha micro declaração do Imposto de Renda. Damn it! Preciso descobrir uma forma de me comunicar com os cientistas do nosso micro mundo. Será que se eu perder o prazo da entrega da declaração, eles voltam no tempo para eu não pagar a multa? Será que me deixam dar uma voltinha pra ver o que tem fora desse aquário?

- Ei, tem alguém aí?

quinta-feira, 18 de março de 2010

Intrigas, Traições, Falsidade: BBB? Não, isso é apenas o seu trabalho!


Sempre ouço das pessoas que gostam e assistem ao Big Brother que ele retrata um microcosmo do que vivemos todos os dias. E isso não deixa de ser verdade.

Quem nunca se sentiu traído por um suposto amigo-corporativo? Quem nunca conviveu ou trabalhou com uma pessoa falsa, interesseira e egoísta que sempre tenta puxar o seu tapete e para isso arquiteta os planos mais inescrupulosos?

O mundo corporativo é um biggest brother, onde a grande sacada é identificar os supostos vilões e o mocinhos. Com a diferença de que você não vai ganhar um centavo a mais por isso, no máximo manter o seu emprego ou o seu equilíbrio mental. Eu disse talvez...

Isso porque às vezes você se depara com um sociopata corporativo como eu disse aqui e aí meu caro, você tem que tentar ao máximo se afastar da pessoa. Se para o seu azar ele for seu chefe é melhor procurar outro emprego.

Pode ser que você tope com gente um pouco menos agressiva, ou melhor dizendo, um pouco mais inocente, o famoso duas-caras. Nesse caso é bom você não ter dito nada importante ou sigiloso ao sujeito até descobrir que ele é tão falso quanto nota de três reais, senão, você vai ouvir a frase que o Justus adora dizer: “você está demitido!”

Tem também o fofoqueiro, esse aí é fácil de perceber: se um colega de trabalho fala mal de todo mundo para você, parece óbvio que ela também fala mal de você para os outros, não é verdade? Ou ainda se ele conta coisas dos outros que você em tese não deveria saber, você ainda acha que ele vai guardar seu segredo? Tsc tsc ...

O pior tipo é o “amigo”, o motivo das aspas é que na primeira competição que os dois estejam em lados opostos ele vai esquecer os churrascos que participou na sua casa, do presente do último Natal e vai fazer de tudo para furar seu olho e puxar o seu tapete. E se ganhar a vaga e/ou a promoção ainda vai te dizer que não era nada pessoal, apenas estava garantindo o leitinho das crianças.

O que fazer, então, nesses casos? Não dá para enviar ninguém ao paredão. Muito menos entrar num confessionário e detonar a pessoa que está te sacaneando. O que seria equivalente a fazer campanha contra o sujeito ou falar mal dele para o chefe.

Melhor você começar a ler a "Arte da Guerra" do Sun Tzu. Ou se você for bonitinho (a) pode ainda gravar um vídeo sem camisa ou de biquíni e mandar ao BBB. Quem sabe você não ganha um milhão e meio e abandona esse ambiente corporativo? Se o seu sonho for sair na Playboy/G Magazine e não na Você S/A acho que pode ser o seu novo target. Depois você me conta de todos os goals alcançados.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Avatar, Enchente e Boas Vibrações


Preciso dizer que esses dias pós-férias têm sido muito mais prazerosos do que eu imaginava. Não estou com depressão, apesar de achar que os sete dias de descanso foi pouco tempo, o ideal seria mesmo um mês.

Talvez seja porque já programei uma nova viagem no Carnaval. De fato, todo mundo sabe que uma forma de voltar ao trabalho sem ficar deprê é programar novas férias.
Mas sinto que esse ano está sendo diferente. Uma espécie de chave girou na minha cabeça e o que antes para mim poderia ser definido como “um contentamento descontente”, hoje está mais para “não contentar-se de contente”, como escreveu Camões e cantou Renato Russo.

É isso, esse ano eu estou me sentindo plena, feliz e encarando a vida de uma forma como nunca dantes praticada. Será que é a famigerada maturidade? Sei lá, não to a fim de definir, só sei que está sendo bom pra caramba.

E daí entra o filme que custou uma fortuna e tem trezentos efeitos especiais na minha vida. Nessa onda de boa vibe resolvi fazer coisas que eu adoro, mas que antes nunca encontrava muito tempo – como ir ao cinema durante a semana – por exemplo. A dica de filme veio do blog Penso, Logo, Brigo da Luciana e resolvi conferir.
Lá estou eu com o namorado no escurinho e pagando mico ao colocar meus óculos 3D para assistir a um filme blockbuster. Mas posso dizer? Não vou falar dos trezentos efeitos especiais não. O filme é ótimo, super bem feito, com tecnologia super power e, de fato, efeitos sensacionais.

Mas, o que mais me chamou a atenção no filme foi a mensagem que ele me passou: precisamos cuidar dos detalhes que nos cercam! No filme, os humanos detonaram a terra (poluíram e destruíram tudo) e vão explorar os recursos minerais de outro planeta. Só que os alienígenas - habitantes desse planeta que os humanos querem explorar têm uma relação plena com a natureza e vivem em harmonia uns com os outros.

Fiquei impressionada em torcer contra os humanos pela primeira vez na vida! (risos)
Bonito de ver e que a gente enche o peito pra falar, mas acaba praticando pouco. Basta ver os estragos que as chuvas têm causado no país. Enchentes, desmoronamento, mortes. Talvez se estivéssemos prestando mais atenção aos detalhes toda essa tragédia poderia ser evitada.

Claro que existe um monte de coisas por trás dessa relação harmônica e que deveríamos praticar que vão desde o estudo planejado do solo, análise da ocupação das encostas, construção de piscinões, até o simples hábito de não jogar lixo na rua – enfim, precisamos cuidar melhor do que nos cerca.

Eu gostei bastante do que vi. E gostei mais ainda de saber que milhões de pessoas estão vendo esse filme e torcendo muito para que as pessoas captem essa mensagem. Que a garotada saque a importância de preservar a natureza e tornem-se cidadãos mais conscientes do que nós temos sido e que nós, adultos nos tornemos mais atenciosos conosco e com qualquer ser vivo – humano ou não.

Achei o filme muito bacana. Talvez seja a fase boa que eu esteja vivendo. Talvez o filme seja bom mesmo, independente do que esteja sentido nesse momento. O filme mostra que valores são mais importantes que cifras e me parece que isso tem caído em desuso no mundo de hoje.

Vale a pena conferir.

Quanto a mim, vou continuar prestando atenção aos detalhes. E torcer para que “esse não contentar-se de contente” continue a todo vapor. Afinal, só depende de mim para que ele continue assim.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Gente

“Gente é tão louca e, no entanto, tem sempre razão.
Quando consegue um dedo, já não serve mais quer a mão.
E o problema é tão fácil de perceber.
É que gente ... gente nasceu pra querer”.
(Raul Seixas)

Esse fim de semana recebi um prospecto de um lançamento imobiliário. Adorei a planta, a localização, o apartamento decorado e a área de lazer. Enfim, adorei tudo e já me imaginei dentro dele, com meu marido e filhos, todos sorrindo num domingo de sol.

O único porém, é que eu acabei de comprar um apartamento. Parei para prestar atenção no que eu estava fazendo. Não estava curtindo o gostinho de ter comprado um apartamento e já estava pensando em outro maior. Que medo!

Divagando sobre o assunto, percebi que não sou exceção. Não sou só eu que tenho esses arroubos consumistas. Vivemos em função desse consumismo, atualmente. Afinal, qual é a intenção de lançarem a cada três meses um novo modelo de celular, de aparelho de TV ou de um carro?

Na época da minha avó, as panelas eram bem grossas, as geladeiras e fogões eram de ferro esmaltado. Uma máquina de lavar roupa durava uma vida inteira. Hoje os produtos não são mais feitos para durar. Tudo é descartável.

E porque sempre colocam pessoas bonitas, sensuais e de bem com a vida utilizando esses produtos? Para que a gente seja condicionado a querer viver dessa forma, de sermos assim.
Mas será que está tudo errado? Afinal, o consumo também faz girar a economia, gera emprego, melhora a vida das pessoas. Esse seria um círculo virtuoso ou vicioso?

O “detalhe” dessa vida acelerada de hoje é que as pessoas estão frustradas. O fato de não conseguirem comprar um apartamento maior, ou trocar de carro todo ano, ou de adquirir aquele lançamento da televisão de Led super hiper mega plus, faz com que elas se sintam fracassadas, marginalizadas, dignas de pena das pessoas.

Sinceramente? Estou cansada dessa vidinha medíocre de que é mais importante ter do que ser. O pior é que todo mundo embarca nessa: os amigos, a família, os colegas de trabalho. Para você ser admirado, deve ser bem sucedido profissionalmente, ter porte atlético, carro de última geração e tirar férias para um lugar inédito a cada seis meses.

Sempre fui taxada de “diferente” pelas pessoas. Também tenho meus arroubos consumistas (basta ver meu estoque de sapatos), não quero ser uma monja tibetana avessa ao mundo moderno. Só acho que preciso aproveitar meu apartamento. Daqui dez anos eu me preocupo com outro.

Em tempo: Não sei quem sofre mais, se são as pessoas que entram nesse “sistema” e não percebem a indução a que são submetidas ou se são as pessoas que sacam as coisas, mas não podem fazer muito a respeito. Eu me incluo na segunda turma. E você?

quinta-feira, 16 de julho de 2009

A diferença entre ser e o dever-ser

Quando se estuda direito na Universidade você é obrigado a aprender um monte de teoria sobre o Estado, a sociedade, as leis, o ser e o dever-ser.

Então, você aprende um pouco sobre o que os filósofos diziam sobre as teorias que cercam o direito, as diferenças entre o positivismo jurídico e o naturalismo. Nessa hora você já pensa que entrou na faculdade errada, porque quer aprender sobre estelionato, homicídio qualificado e não sobre toda essa papagaiada.

Chego a conclusão que essas matérias introdutórias deveriam ser dadas no fim do curso, quando você já tem um senso crítico maior e consegue entender que o direito está todo interligado e que o Estado Democrático de Direito, só é democrático pela divisão de poderes, que está previsto na Constituição e etc.

Quando eu estava no primeiro ano, ficava pensando nessa frase que me marcou a vida, a diferença entre o ser e o dever-ser. Ela tinha um sentido jurídico, na época, mas hoje, já faz sentido em outros campos da vida também. Quer ver?

A gente aprende quando é criança que temos que ser bonzinhos e obedientes para sermos elogiados e ganharmos presentes. Isso, portanto, é o que devemos ser (o dever-ser). Na prática isso até acontece, mas não com toda essa perfeição que cobravam da gente, afinal ser humano que obedece totalmente o que pai e mãe pede não existe, está para nascer (aqui está o ser que se contrapõe ao dever ser).

Logo, desde sempre sabemos que o dever-ser é sempre hipotético porque dificilmente acontece de verdade, são como teoria e prática, dificilmente se mantém.

Fiquei em dúvida quando estava prestando vestibular se fazia psicologia ou direito. Queria ajudar as pessoas. Optei por direito porque achava que sendo advogada eu conseguiria ajudar muito mais gente do que como psicóloga.

Eis que me formei, me tornei advogada e hoje a única coisa que eu faço é ajudar empresário a recolher menos tributo e ficar cada vez mais rico. Claro que não faço, nem por decreto, o famoso jeitinho, ou seja, não ajudo a sonegar imposto. O meu único consolo é que nosso país é um dos recordistas em arrecadação de tributos. E onde está a contraprestação disso? Se alguém encontrar me avise, pois o que costumo ouvir é que o ensino vai mal, a saúde pior ainda e a previdência então ...

Mas o fato é que o meu dever-ser outrora traçado que antes era ajudar as pessoas passou a ser advogada de empresário. Socorro! Será que eu que me vendi ou apenas amadureci?

Todo aquele idealismo da época da faculdade está escondido dentro de mim, todo o meu dever-ser atualmente se anulou, meu “ser” venceu! Coisa de sistema capitalista diriam alguns. Você descobre que precisa pagar suas contas e que ninguém vai fazer isso por você, daí você trabalha, e quando está trabalhando não consegue ajudar mais ninguém além de você mesma.

Não me dei por vencida, no entanto. Tentei, por dois anos consecutivos, apresentar um projeto de mestrado com tema ligado ao direito tributário, mas focado no desenvolvimento dos direitos fundamentais. Achei que já que na prática não dava, na teoria (ah, a teoria, sempre tão bela, tão perfeita) seria possível.

Não obtive êxito na minha empreitada. Só são escolhidos os trabalhos que tratam sobre planejamento tributário (de preferência que tenham sido elaborados por algum filho de ministro ou com influência de um modo geral).

Vejo que se eu fui corrompida, a grande maioria dos seres humanos também o foi. Vamos todos queimarmos no inferno juntos (se é que existe inferno). O combustível do fogo do inferno será o dinheiro que ganhamos e o diabo vai usar um tridente Dolce Gabbana, com ponta de cristal Swarovski. Sim, porque se a gente é vaidoso, imagina o cabra ruim?

Meu consolo está em quando aparece algum funcionário, desses vestidos com uniforme e unha suja de graxa, pedindo para falar com algum “dotor” e com alguma dúvida jurídica e eu consigo ajudá-lo. Quando consigo esclarecer algum assunto para esse funcionário que não tem condições de contratar um advogado para orientá-lo. Quando percebo a felicidade dele em ter sido recebido e tratado com a dignidade que a nossa Constituição Federal diz que ele deveria ter direito durante toda a sua vida e recebo um aperto de mão efusivo, daí sim, vejo que aquela garota idealista que andava de saia longa, que curtia Janis Joplin e que quis muito estar em Woodstock ainda está viva, esperando, quem sabe um dia, para se tornar o que efetivamente deveria ter sido.

É, quem sabe ...

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Mais do mesmo




Você já deve ter lido isso diversas vezes em sua vida. No intervalo de tempo entre o acionamento do botão e a chegada do elevador, estão lá, estampados os dizeres dele. Dele mesmo, “o mesmo”.

Sim, quem nunca leu, no hall do mesmo, a seguinte frase: “antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se parado nesse andar”.

Dá até gastura de ler, mas o aviso está sempre lá, na sua frente, a espera de ser lido, quase implorando por atenção. E você até desvia os olhos, olha para cima, para o lado, mas ele não dá trégua, fica lá impávido, te desafiando.

Além de tudo é orgulhoso, faz questão de deixar claro que por detrás dele, há uma Lei que o suporta. Sim, meus caros, não é um simples decreto, uma portaria, instrução normativa, ou mera orientação. Está na Lei e, portanto, deve ser obedecido.

Ah, o princípio da legalidade! Funciona mais ou menos como a intenção, ela sempre parece boa enquanto projeto, mas depois que adquire forma (e número), se torna algo muitas vezes deprimente. Gasta-se com Leis mais dinheiro e mais tempo do que se deveria.

Mas voltemos ao aviso. Provável que a Lei não determine os dizeres exatos do aviso, mas alguém escreveu o texto, imprimiu e saiu por aí vendendo a ideia de que essas placas seriam a salvação de vidas (para os usuários do “mesmo”) e para os edifícios que se livrariam das multas, caso não as aplicassem.

Vejam só como são as coisas. Outro dia, ao acionar o botão e ao aguardar o “mesmo”, verifiquei uma placa com o mesmo significado, mas escrita de forma um pouco mais inteligente. Sem o uso do “mesmo”, mesmo, de verdade! Sim, isso aconteceu, acredite! Fiquei tão emocionada ao perceber que existe vida inteligente para os redatores de placas de elevadores que até tirei uma foto. Segue abaixo.



Nossa, é bom se livrar do mesmo. E viva a boa redação. E cuidado: se abrir a porta e o elevador não estiver lá, cuidado, não entrem. O mesmo pode te pegar.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Valha-me Deus!



Quanto mais o tempo passa, mais eu estou ficando cricri(tica). Sim, eu admito. Como tento ver a vida por uma perspectiva positiva (pelo menos, eu tento, mas nem sempre consigo), creio que isso ajuda a escolhermos melhor as coisas e as pessoas que estão ao nosso redor.

Vamos ao tema. Acho super válido serem reservadas vagas de estacionamento aos idosos em shoppings, lojas, restaurantes e bancos. Eles realmente merecem, pois trabalharam duro e honestamente a vida toda (salvo grande parte dos políticos e alguns juízes desse país), e realmente devem receber todo nosso respeito e admiração. Inclusive mais comodidade e atenção.

Mas veja só como é a vida, ao tentar demonstrar o respeito a essas pessoas já curtidas pelo tempo, que demonstram em seus rostos cada marca que ele talhou, tratam esses senhores e essas senhoras com mais desrespeito do que se nada tivessem feito sobre o assunto.

Explico. Prestem atenção ao detalhe da foto acima. Perceberam como está representado o idoso? Com uma bengala na mão e curvado, como se estivesse com bico de papagaio ou qualquer outro problema nas costas. Com jeito de doente e acabado, uma visão totalmente preconceituosa.

Idoso não é inválido, valha-me Deus! Onde está o departamento de atendimento ao cliente, relações públicas, assessor de imprensa, ou seja lá qual for o nome do setor que cuida desses detalhes (que considero eu, pelo menos) importantes?

Será que é realmente necessário identificá-los dessa forma? O que será que os fabricantes de tais placas ou mesmo as empresas que elas encomendam têm contra a própria palavra “idoso”? Não seria mais fácil escrever no placa “idoso” ao invés de fazerem esse ser como figura de velho e acabado?

Eu ainda não sou idosa, mas se fosse, coitado do responsável por tamanha insensibilidade, não pouparia seus ouvidos assim como não pouparam (em tese), a minha dignidade. Isso é assédio moral pessoal! Dá direito à indenização por danos morais, poxa vida!

Essa placa além de um atentado ao discurso politicamente correto é uma baita falta de bom gosto. Pensei em mandar um e-mail para o local de onde tirei essa foto. Não sei se preencho a opção de reclamação, crítica ou sugestão. Em qual deles será que melhor se enquadra essa questão?

Pior do que não responderem, seria receber uma resposta do gerente assim: “olha aqui minhas rugas de preocupação”. É ou não é?

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Crise Mundial, tsc tsc


Vejo na tv centenas de pessoas dormindo na fila do Magazine Luiza para comprarem tv de plasma, ventilador, panela de pressão e qualquer outro eletrodoméstico, com preços promocionais. Mudo de canal e vejo o repórter, com cara apreensiva, dizer que a crise mundial atual já se assemelha à crise de 29 e que todos devem se apavorar.

Pergunto para meus miolos: tem algo errado aí, não tem? Se o mundo está em crise, como tem gente dormindo na fila para comprar eletrodomésticos, que são totalmente dispensáveis, ao menos para mim, é claro: minha tv de 21 polegadas parece bem razoável para atender ao meu propósito que é, basicamente, me manter atualizada sobre o que acontece no mundo e, claro, assistir a coisas interessantes e, porque não, algumas vezes, idiotas.

Nem todo mundo pensa assim, é verdade. Ao ver aquelas pessoas com cadeiras de praia, guarda sois e toalhas, que vão passar a noite em frente à loja para serem os primeiros a entrarem e aproveitarem as promoções, vejo que a crise não existe para pobre.

Não acho que todos os ali presentes sejam irresponsáveis e estejam dando de ombros para as notícias (ou más notícias), invariavelmente anunciadas. Acho que, na verdade, pobre vive em crise. Crise de consciência por gastar além da conta ao descer à praia (geralmente Santos, Praia Grande ou Itanhaém), alugar uma casa e levar a família para comer milho, coco, camarão no espeto, sorvete e todas essas coisas que os ambulantes adoram vender aos gritos entre os banhistas.

A mais comum, todavia, é a crise financeira mesmo, a crise do bolso onde existe muito mês para pouco salário. O fulano recebe todo dia 05 ou quinto dia útil de cada mês. No começo é uma festa! Ele acabou de receber e dá uma esbanjada, leva a esposa ao shopping, come na praça de alimentação e pega até um cineminha, por quê não? Por volta do dia 20, as coisas já começam a apertar e, sem dinheiro, começa a passar tudo no cartão de crédito. Quando chega dia 30 já está pendurando a conta do açougue e da mercearia perto de casa, prometendo pagar tudo no dia 05, sem falta. E ele, de fato, paga.

Pobre não tem nada, mal tem uma casa (geralmente um puxadinho feito a partir da casa de seus pais) e um carro, ano 1989. Pobre só tem o nome e precisa ficar com ele “limpo” sempre. Acho que pobre, na verdade, é mais honrado do que muita gente rica que tem por aí. Se ele disser que vai te pagar, ele te paga. Que o diga o Sr. Samuel Klein, dono das Casas Bahia! Eu, particularmente, acho que deveria constar no contrato social ou estatuto das Casas Bahia,a denominação “financeira ou financiadora” (e não, loja de móveis). Veja bem, seu maior atrativo é vender tudo com parcelinhas que cabem no bolso de qualquer pessoa. Como ninguém é bonzinho, ele cobra uns jurinhos sobre o valor. Não tem muito segredo. A coisa é simples assim.

Quer saber, acho que o cara tem mais é que comprar a tv de plasma mesmo. Boba sou eu que fico preocupada em trabalhar direitinho e não perder meu emprego, gastar menos no cartão de crédito e não parcelar (quase) nada para enfrentar a crise.

Pobre se diverte pra caramba, já percebeu? Tudo é alegria, tudo é felicidade. Qualquer objeto vira instrumento para uma batucada, e se tiver uma cervejinha gelada, pronto, só falta a carninha e já vira um churrasco.

Eu acho que sou pobre também, mas uma pobre um pouquinho diferente. Rica eu sei que não sou. Rico pra mim é quem não pergunta preço de nada. Simplesmente pede para entregar em casa o produto que acabou de comprar (rico não carrega sacolonas, já reparou? Somente aquelas sacolinhas pequenas, com poucas peças de roupa, que provavelmente custaram uma fortuna) e passeia feliz e contente pelo Iguatemi, pelo Anália Franco ou pelo Cidade Jardim. Rico nem sabe quanto veio na sua última fatura de cartão de crédito, pelo simples fato de que não é ele quem abre suas correspondências e paga as suas contas, mas sim, sua secretária.

Definitivamente rica eu não sou. Talvez eu seja classe média: mas para mim, classe média é um “pobre melhorado” e só. Ele parcela as compras no cartão de crédito, viaja pela CVC ou para Maresias e Juquehy. “Classe mérdia”, como meus amigos costumam dizer, realmente não é merda nenhuma.

Eu queria ser rica, mas acho que sou pobre mesmo...

Contra a banalização da idiotice


Duas últimas notícias estão me deixando realmente indignada: a alteração das regras do português e a inspeção veicular.

Jesus e Maria José! Quer coisa mais ridícula? Quer prova maior da falta do que fazer? Pra que mudar as regras do português, me diz? Para dar mais trabalho a quem vive da escrita, como eu? Ou vocês acham que posso fazer uma nota de rodapé em cada petição e dizer ao juiz: ”Vossa Excelência que me desculpe, mas só vou aderir a nova regra gramatical, quando ela se tornar realmente obrigatória, pois sou contra toda essa palhaçada!” Não rola, não é? E quanto aos livros que tenho, o que devo fazer? Jogá-los fora? Sim, porque se continuar lendo-os não vou aprender as novas regras nunca.

E quanto ao Word que insiste em mudar para o português antigo quando escrevo com o português novo? E os milhares de livros entregues nas escolas públicas, serão todos queimados, é isso? Será que alguém pensou nesse detalhe? Os milhões de reais que serão gastos pelas empresas públicas e privadas para adaptação à reforma ortográfica (será que “ortográfica” ainda tem acento? Agora fiquei na dúvida) foram orçados? Fui hoje tentar comprar um livro com as novas regras e tinham acabado. Pensei em mandar um e-mail ao nosso digníssimo presidente (ia escrever presidente com “p” maiúsculo, mas desisti, para quê, não é mesmo?), indagando-lhe sobre as novas regras (se é que ele sabe quais são), mas lembrei que ele está em férias na Bahia. Acho que se ele estivesse no trabahano (coisa difícil de acontecer) e se me atendesse (coisa impossível de acontecer), com certeza me diria: “veja bem, minha cara Ana Paula, agora você se sifú ...

Vou fazer uma petição demonstrando a inconstitucionalidade da Lei da nova ortografia. Ela fere a minha individualidade em me expressar, além de causar um rombo em qualquer orçamento, quer seja público ou privado. Será que algum juiz sentenciaria favoravelmente? Não duvido, mas, como um processo dura em média uns 20 anos no Brasil, desisti... Até lá as regras já estariam valendo, anyway...

Sabe, às vezes dá desânimo morar nesse país. Fico pensando porque não fazem uma Lei para que os bares, shoppings e restaurantes tenham que reciclar as milhares de toneladas de lixo que todo dia é jogado em aterros comuns? Deve ser para manter os empregos dos miseráveis que vivem de recolhê-los, para não morrerem de fome, penso eu.

Ou, porque não fazem um projeto sério para acabar com a violência e o caos em que mergulha o Rio de Janeiro? Desses de longo prazo que teria como alvo principal a inclusão social e a melhoria das condições das pessoas que moram nos morros, ao invés da polícia invadi-lo por uma semana e depois disso, voltar a ser tudo como era antes? Alguém sabe me dizer? Ou ainda um projeto de Lei que isentasse as empresas dos tributos, sob condição de que elas ajudassem as ONGs que tiram das ruas as crianças carentes e lhe dão um pouco de carinho, um pouco de educação, uma profissão e um futuro melhor. Será que só eu penso nessas coisas?

E quanto a essa história de inspeção veicular? Não sabia que carros fabricados a partir de 2003 são os que mais poluem. Achei que fosse justamente o contrário, os mais velhinhos fossem os mais problemáticos. Assim como os caminhões e ônibus que utilizam diesel.

Ah Ana Paula, pára (esse para vai perder o acento, isso eu sei) de escrever essa coisa de crítica, esquece essa história. Vamos assistir ao big brother que começa semana que vem. O ano acabou de começar, daqui a pouco chega o carnaval, vamos nos preocupar com isso depois.

Pra mim, num dá. Acho que vou tomar um drink para ver se pelo menos me alegro um pouco. Beber e matar neurônios, assim penso um pouco menos, assim tento me alienar e tentar ser feliz nesse país povoado por idiotas, principalmente por idiotas com poder de fazerem Leis e me obrigarem a mudar minha maneira de escrever.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Kilove


Hoje, indo almoçar num desses restaurantes por quilo, estava com uma colega do trabalho, aguardando aquelas bandejas onde colocamos o prato, chegarem, porque tinham acabado.

Acho extremamente desagradável ter que esperar trazerem os utensílios de cozinha. Oras, porque é que num restaurante não estocam essas coisas? Afinal elas são insumos para que o produto e objeto social do restaurante, ou seja, a comida, seja consumida. Como podem faltar pratos, talheres e bandejas? O mesmo acontece no supermercado onde faço compras: chego lá no horário de rush: perto das 7 da noite e não têm cestinhas!!!! Como assim? Onde as pessoas devem colocar os produtos que vão comprar, no bolso? E não adianta querer defender os gerentes e donos de supermercados dizendo para eu pegar um carrinho. Como moro sozinha, não adianta comprar um monte de salada, por exemplo, pois no dia seguinte o alface já virou repolho. Enfim ... As compras têm que ser pequenas e constantes e, para isso, o carrinho é um exagero, além de criar o maior trânsito no supermercado.

Eu acho que tem muita gente que mora sozinha no meu bairro. Olho as cestinhas das pessoas (quando elas conseguem uma, é claro, caso contrário é um tal de papel higiênico no sovaco, mortadela, presunto e pão se equilibrando em uma das mãos e na outra, um refrigerante ou uma cerveja). Com esses snacks, que muitas vezes são janta, nas mãos dos demais clientes do supermercado, cheguei a conclusão de que eles também moram sozinhos, ou as famílias passaram a comer junk food de vez, mas não parece o caso.

Voltando ao restaurante, o funcionário trouxe as famigeradas bandejas. A essa altura já tinham se aglomerado algumas pessoas esperando as malditas e claro, todos estavam afoitos, pois com fome não se brinca. Eis que no momento em que ensaio o movimento de retirar uma, passa a minha frente uma loira meio gordinha e praticamente arranca a bandeja das minhas mãos. Nessas situações sempre imagino a pessoa sofrendo as maiores atrocidades possíveis, como por exemplo, eu ligando um lança chamas em cima da minha vítima e ela se debatendo e gritando e pedindo clemência e eu gargalhando e adorando o seu sofrimento. Nunca fiz terapia, mas acredito que os médicos diagnosticariam isso como uma forma de escape da minha agressividade engaiolada ou algo do tipo. Após mentalizar uma forma de tortura chinesa para a dita, olhei para a minha colega que estava ao meu lado e ela soltou: “ainda bem que é doutora médica e não doutora advogada como a gente. E depois nós é que somos cascas-grossa”. Reparei melhor na loura-médica-gordinha e mal educada e ela estava com o jaleco do hospital onde trabalhava. Além de tudo era porca. O restaurante fica perto de um hospital e existem pedidos em letras garrafais pendurados pelo restaurante: “FAVOR NÃO VIR DE JALECO”. Juro que se pegasse alguma pereba processaria a loura-médica-gordinha e mal educada e não o restaurante.

Pior que isso é ter que enfrentar, na hora de pagar a conta nos caixas (no restaurante ou no supermercado), aquelas pessoas que apressadas, ficam em cima de você te pressionando. Já reparou? Nossa, como se o fato de se esfregarem em você fosse agilizar o atendimento. Isso quando você não tem que digitar a senha do cartão de débito praticamente em cima do infeliz que já pegou todo o seu espaço. Torno a utilizar o método Ana Paula de tortura chinesa para não ganhar uma gastrite e solto aquele olhar de ainda te mato um dia. Funciona, pode experimentar para ver.

Acho que hoje estou um pouco reclamona. Melhor parar por aqui.

Faixa de Gaza

Leio as notícias da guerra entre Israelenses e os Palestinos. É sempre a mesma história de ódio e radicalismo político. Tudo tão old fashion!

Não sei como essa moda pode ser melhor do que o slogan anos 60 do “faça amor não faça a guerra”. Não acha? Aliás, muitos criticam as prostitutas, mas com certeza, elas prestam um grande serviço à humanidade. Homem “sem dar uma” por muito tempo vira Hitler. Vai ver por isso que ele virou o que virou. Dizem as más línguas que ele era gay e não saiu do armário, então não fazia nem uma coisa, nem outra, uma tristeza só. Aliás, veado enrustido é o pior ser que existe: como são chatos minhanossasenhora! Libera logo o forévis, poxa vida! Fica querendo bancar o macho e não agrada nem baranga. Não tenho nada contra gays, pelo contrário. Eles, quando assumidos ficam super educados, simpáticos e são super cheirosos! Fui numa balada gay uma vez e eles estavam lá, todos fortes e viris com suas camisas abertas e os músculos saltando. Todos perfumados e contentes. Nunca foi? Vale a pena! Até meu namorado que, como heterossexual orgulhoso, fica na defensiva quando vê um, teve que dar o braço a torcer outro dia. Levei-o ao show da Madonna e chegamos um pouco tarde. Nosso setor da arquibancada (é isso mesmo, arquibancada, ou você acha que todo advogado é rico e paga numerada ou pista vip?) já estava muito cheio e ficamos um pouco perdidos onde seria possível assistir ao show de forma confortável. Foi quando dois gays muito prestativos nos ajudaram a encontrar um lugar bacana. Nem precisei falar nada... meu namorado virou e disse: nossa, que veados simpáticos, não? Pois é, depois que liberam o fiofó eles ficam gente boa.

Voltando. Em pleno século 21, com o avanço da ciência e da tecnologia e o povo ainda fica brigando por terra santa e ainda matando criancinhas? Ah tem dó!

Acho que a vida fica muito pior ao ter que ler essas notícias. Aliás, porque a mídia insiste em investir em notícias ruins? Já reparou como os telejornais só falam desgraça? E não estou só me referindo aos jornais sensacionalistas que têm aqueles apresentadores que ficam gritando na frente da tevê não. É só ver o tanto de notícia ruim que tem cobertura especial o tempo todo.

Ano passado então, foi uma sensação: Foi o caso Isabella, o caso de Santo André (do Lindemberg Alves), a crise mundial. Essas notícias realmente deprimem as pessoas. Já pensei até em deixar de ter filhos por conta dessa podridão humana. Juro que ainda fico na dúvida.

A notícia que fico mais irritada, geralmente está na questão da impunidade dos crimes de colarinho branco. Nunca vi um político corrupto ser condenado de verdade. E depois o povo brasileiro é que é malandro.

Tenho certeza que a construção de Brasília foi estratégica: imaginem se os deputados ficassem no Rio ou em São Paulo? Seria um linchamento por semana (dos políticos, é claro).

Mas, ficam lá no meio do país, gastando dinheiro público com voos e paletós, e a gente aqui, sem poder praticar nenhuma reprimenda, só na hora do voto, mas daí começam as campanhas: Sergio Malandro, Agnaldo Timóteo, e até aquele gay que agora esqueci o nome (Lembrei, Clodovil). O melhor são os slogans: Está sem opção? Vote no Carlão!
E o povo vai e vota. Puta povo burro, sô.
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