terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Os Gêmeos - Vertigem

Estava lá, olhando a exposição dos gêmeos na FAAP. Nunca tinha visto nada deles antes. Se sentiu envergonhada. Até o namorado que não liga muito para o mundo cult já tinha visto uma entrevista deles no Jô Soares. E eles são muito bons.

Olhou tudo, com cara de espanto, imaginou a cara do Van Gogh se visse aquilo. Será que ele ainda molharia os pincéis com a boca, só de raiva? Não sabia. Algumas das sacadas deles estavam mais para o surrealismo do Dali. Sim, era isso, aquelas portas antigas, velhas, abandonadas, implorando para serem úteis novamente. Tiveram seus desejos atendidos. Foram penduradas como tela, pano de fundo de uma criatividade impar.

As crianças se esbaldavam com todas aquelas cores e formas e luzes piscando. O nome da exposição era vertigem e de fato, dava tanta vertigem ver a obra principal que uma senhora tropeçou nela enquanto olhava a tela. A senhora pediu desculpas, ela sorriu. Desculpas aceitas.

Notou uma criança negra com uma moça loira vendo a exposição. Jovem. Parecia ser adotada. Aquilo a comoveu. Ainda existem pessoas com bom coração nesse mundo. Livre de preconceitos e com vontade de amar, de fazer o bem. De ajudar não só os de seu sangue, de seu convívio, mas quem precisa de verdade, independente da cor da pele. Ainda que essa pele não fosse como a sua.

Saiu de alma lavada. Era domingo, fazia sol e ela ainda tinha toda a tarde pela frente. Tarde de domingo, tarde de preguiça e descanso. Antes de ir embora, olhou as réplicas do Aleijadinho. Lindas, perfeitas. Lembrou que não gostava muito desse apelido dele. Pensou que nunca tinha ido a Minas Gerais ver suas obras. Colocou esse destino mentalmente em sua lista. Viu os vitrais, o sol que refletia sobre eles e que tornava tudo ainda mais bonito.

Suspirou fundo. Fim de semana perfeito. Descia as escadas da FAAP. Ela e sua mania de fazer tudo ao mesmo tempo. Falava ao celular, olhava o jardim e pensava em coisas outras. Perdeu o chão, escorregou e caiu. Dor, muita dor. Dor física e dor na alma. Vergonha. Seu fim de tarde se resumiu a gelo, calminex e cataflan gel.

Lamentou o ocorrido. Teria sido um fim de semana perfeito não fosse a queda. Passou a semana refletindo o ocorrido. O fim de semana foi sim perfeito. Ainda com a queda, ainda com a dor, afinal, a vida é feita de altos e baixos ou de arte e de queda... e vertigem.

6 comentários:

  1. Ana, estava com saudade dos seus textos!!
    Bj

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  2. Não voltará mais a postar, pelo menos, semanalmente? Seus textos são bons. Escreva qualquer coisa, mas escreva. Fale do trabalho, da colega chata que invade seu espaço, do namorado novo, do trânsito, do elevador, da queda, do museu, de qualquer acontecido. Só queremos que vc fale com mais frequência. Pronto. Fale das cobranças. rsrsrsrsrs Bjs saudosos

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  3. Eu como médico chato que sou, abomino a combinação feita de gelo, calminex e cataflan...

    Mas como amante das histórias bem contadas, gostei do texto. A vida é mesmo assim, ascenção e queda e ainda assim, bela!


    beijos

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  4. Ai Ana, que delícia este teu texto. Esta moçoila parece eu com a minha mania de fazer tudo ao mesmo tempo agora. rs

    bjos meus

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  5. Ana
    É isso aí, nada de achar que o finde foi ruim por causa do tchibum. Isso é que eu chamo de dar a volta por cima!
    O fim de semana foi ótimo! A queda foi apenas um pequeno acidente de percurso. rsrsrs
    Um beijo e feliz Natal!

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