quinta-feira, 11 de março de 2010

Darwin e a Evolução – Paul Strathern



Imagine-se na Inglaterra Vitoriana do secúlo dezenove, onde a sociedade era extremamente hipócrita e puritana, o desenvolvimento da ciência era feito com base em suposições, muitas vezes sob a aprovação da Igreja e onde acreditar em Deus não era uma opção do ser humano e sim uma imposição da sociedade.
Imagine-se tendo um pai médico, interesseiro e carrasco que te obrigue a tornar-se médico, independente de sua vontade e que, ao perceber que talvez você não tivesse tal aptidão para a medicina, lhe obrigasse a ser padre.

Imaginou?



É nesse contexto que se encontra nosso amigo Darwin. Aproximadamente 300 anos após Copérnico e Galileu revolucionarem o mundo provando que era a Terra que girava em torno do Sol, o que foi considerado uma grande apunhalada para a Igreja (a Terra não é o centro do Universo e sim, o Sol. Sendo assim, não é Deus quem “comanda” a Terra), e para a os pensadores da época que até então acreditavam na teoria aristotélica de que era a Terra o centro do Universo. Foi ele quem provou que o homem não era o centro do mundo com sua obra, “A Origem das Espécies”.

Darwin tinha como hobby colecionar plantas e animais. Era metódico com suas pesquisas; catalogava e guardava todos os espécimes que encontrava. Fez amigos por conta disso. Um deles foi Henslow, que o ajudou a suportar o Curso de Teologia que seu pai obrigou-o a fazer.

E aqui começa a graça da história da vida de Darwin: sempre quis saber o que faria um naturalista se enfiar em um barco e desbravar o mundo por 5 longos anos. Ele o fez por dois motivos: Primeiro para fugir das obrigações que o seu pai carrasco lhe impunha (ser médico ou ser padre) e segundo porque poderia fazer exatamente o que lhe agradava mais, pesquisar sobre plantas e animais.

O mais curioso é que ele só chegou a criação da teoria evolucionista após ler livros que tratavam sobre geologia. Os geólogos foram os primeiros cientistas a debaterem sobre a origem da vida. Eram eles quem refutavam a interpretação literal das Sagradas Escrituras com base em evidências cientificas.


(clique para ampliar a figura)

Não pretendo discutir sobre religião com esse texto. Na verdade, sempre tive curiosidade em saber de onde vinha o brilhantismo desses caras que mudaram para sempre a vida das pessoas. Vi que Darwin não teve um “insight”, uma epifania e gritou "Eureka". A teoria dele foi desenvolvida ao longo de muitos anos tendo a retórica como imperativo absoluto. Ele fazia as perguntas e foi procurando as respostas na natureza. Teve sim muita criatividade, paciência e sensibilidade para juntar todas as peças. E mais, nervos de aço para manter seu segredo guardado a sete chaves. Demorou mais de dez anos para publicar sua obra prima. Ficou remoendo a sua teoria e criando coragem para apresentar ao mundo o fato de que não foi Deus quem criou o mundo e sim o mero acaso.

Foi também muito esperto! Utilizou-se da amizade feita com Henslow para divulgar as plantas e animais que ia coletando em torno da Terra e que foram repassadas à comunidade científica britânica. Quando retornou de viagem já era reconhecido como um grande naturalista e conseguiu se livrar das garras do pai.



Durante a viagem de volta ao mundo fez um diário que contava sua experiência e quando voltou para a Inglaterra, lançou o diário de sua viagem no Beagle, um livro com as descrições de suas experiências e percepções, que também foi muito bem visto pela sociedade da época e que tinha curiosidade em conhecer lugares tão distantes e exóticos. Mais uma vez se aproveitou de sua “fama” para manter contato com os grandes cientistas da época. Ele já sabia o poder do networking.

O que mais me intrigou, no entanto, foi imaginar o que deve ter passado pela cabeça desse homem enquanto fazia suas suposições, suas descobertas até criar a sua teoria. Imagine o peso que deve ter sentido ao perceber que sua criação ia contra a religião de praticamente toda a cultura ocidental? Imagine o que deve ter sido para um simples mortal, conseguir provar que Deus não era o criador do mundo, e pior, viver com a pressão dessa descoberta? Definitivamente ele teve muita inteligência emocional.

Achei tudo tão fantástico que agora pretendo ler sua autobiografia. Quero saber quais eram suas sensações, saborear suas dúvidas, angústias, descobertas, excitações. Ah, o filme chamado “Criação”, que trata de parte de sua vida vai estrear no dia 19 de março (veja trailler aqui) e estou ansiosa para assisti-lo. Vamos ver se o que li se coaduna com o que vou ver. Já percebi que no filme eles ficam jogando com os conceitos do criacionismo e evolucionismo: Deus vesus Darwin.

: : TRECHO : :
“O homem com todas as suas qualidades nobres, com sua solidariedade aos menos favorecidos, com a benevolência que se estende não apenas aos demais homens, mas a mais humilde criatura viva, com seu intelecto divino que penetrou nos movimentos e na constituição do sistema solar – com todos esses poderes sublimes – ainda carrega em sua estrutura corpórea a marca indelével de sua origem inferior.” (p. 82)

: : FICHA TÉCNICA : :
Darwin e a Teoria da Evolução
STRATHERN, Paul
Jorge Zahar Editor, 2001
ISBN 85-7110584-7
93 páginas

9 comentários:

  1. Olá Ana, imagino tudo isto em outra época, se até hoje existe quem questione a Teoria. Complicado, não é?
    Beijinhos

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  2. Ana, vamos com calma. Darwin não provou que Deus não é o criador do mundo. Darwin "provou" que o mundo não começou da maneira que pregam as religiões. Darwin nunca negou a existência de Deus e chegou a declarar que a razão e não os sentimentos o influenciam com muito mais mais peso a questão sobre a existencia de Deus. Para Darwin a impossibilidade, de conceber este imenso e maravilhoso universo, incluindo o homem com a sua capacidade de olhar para o passado distante e para o futuro longínquo, como sendo o resultado do acaso cego ou da necessidade é uma questão muito difícil. Ele ainda declarava que quando começava a refletir sobre o assunto se sentia obrigado a recorrer a uma Causa Inicial que possua uma mente inteligente, até certo ponto análoga à mente do homem e por esse motivo merecia ser chamado de Teísta. Darwin era agnostico, não ateu e nunca provou a inexistência de Deus e nem essa era sua intenção. Dizer o contrário é simplificar. Beijos!!!

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  3. Oi Tânia, entendo seu ponto de vista. Por isso resolvi ler a autobiografia de Darwin. Para ver exatamente o que ele achava das coisas e não o que interpretaram a partir dele. Nesse livro que li, eles são incisivos no sentido de que Darwin demorou em expor sua tese pois temia a reação das pessoas. No livro, o autor não fala da inexistência de Deus, diz apenas que Darwin não acreditava que era Deus quem criou o mundo, ou seja, a explicação era biológica e não religiosa. De fato, pode ser que ele acreditava em Deus mas não no Deus ortodoxo que a Igreja pregava. Eu gostei do assunto e vou pesquisar mais! rs
    Beijos,

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  4. Ei Ana
    =]
    Pra falar a verdade, eu prefiro mesclar as 2 teorias!
    Tenho razões suficientemente lógicas para não acreditar em casaizinhos de animais e Adão e Eva.
    Mas também não acredito de jeito nenhum que um pedacinho de ameba criou vida do nada.
    Então.. Acredito que Deus deu luz pra essa amebinha, e dai foi saindo tudo o que a gente vê hoje.
    Ciência e religião não dá pra discutir, prefiro juntar, hahaha.
    Mas deve realmente ter sido difícil pra ele encarar isso naquela época
    =]
    Beijos querida!

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  5. Oi, Ana

    Compartilho do seu fascínio por aquelas pessoas cujos trabalhos alteram de forma tão determinante os rumos da humanidade. Fiquei com muita vontade de conhecer mais sobre Darwin qdo li Breve História de Quase Tudo e, com seu post, agora quero ver Criação.

    ________________

    Qdo li seu último comentário no blog da Lola sobre as entrevistas de emprego (quando sempre perguntam às mulheres, mas não aos homens, se elas têm filhos), fiquei com vontade de te convidar para ler meu post "Mães, assim, no plural". Fica o convite, se você quiser.

    Beijos,
    Rita

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  6. Independente do que realmente Darwin levava fé sendo ele um homem agnóstico e não ateu, as suas buscas e inquietações o levaram a partir de uma causa inicial para concretizar as suas idéias. Esta é a sua grande contribuição.
    Afora isto te parabenizo pela forma excelente com que você expõs neste belo post toda esta trajetória pela sua visão da história. este é o grande barato do blog e sua liberdade de interpretação. Tbém estou aguardando o filme.

    bjão e boa semana

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  7. Realmente, até hoje existe quem questione esta teoria. Por isso ela é chamada TEORIA. Pois se tivesse sido 100% comprovada não seria mais uma TEORIA e sim uma LEI, o que não é. E quando percebo que cientistas de renome internacional tem demonstrado sua insatisfação pelas respostas oferecidas pela Teoria da Darwin, me questiono se vale a pena realmente depositar meus argumentos em uma teoria decadente.

    Abaixo deixo o link da lista de cientistas que não aceitam mais o Evolucionismo como teoria principal:

    http://www.discovery.org/scripts/viewDB/filesDB-download.php?command=download&id=660

    Deixo-me à disposição para maiores esclarecimentos.

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  8. Também quero ler a biogafia do Darwin. Esse assunto é fascinante!! Boa semana!! Beijos!!!

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