1) Diálogo entre mãe e filha:
- Mãe posso ir pra rua brincar?
- Não.
- Por quê?
- Porque não.
- Mas mãe, por que não?
- Por que eu não quero, ué?
- Mas por que você não quer?
- Porque não e chega de conversa.
O que ela queria dizer era: porque você já brincou o dia todo, o jantar está quase pronto, você precisa tomar banho e ir dormir daqui a pouco.
2) Diálogo entre namorados:
- Amor, você me ama?
- Amo.
- Por que?
- Porque sim.
- Por que sim o quê?
- Porque eu te amo, oras!
O que ele deveria ter dito era: porque você é única, inteligente, gentil e tem tudo a ver comigo.
3) Entrevista de emprego:
- Por que você fez direito?
- Porque eu gosto.
- Gosta de direito?
- Sim.
- Mas por que?
- Por que eu gosto de direito?
- Sim.
- Ah, porque eu acho legal.
- Mas o que você acha legal?
- Ah, tudo...
- Tudo o quê?
- Tudo...
- Você quer dizer que gosta do desafio, gosta de ler, gosta de ser combativo, do debate, de saber o que dizem as leis, do conhecimento?
- Isso mesmo!
- Ah...
Não é nada fácil tentar entender as pessoas. Você não acha? Não? Por que?
domingo, 28 de março de 2010
quinta-feira, 18 de março de 2010
Intrigas, Traições, Falsidade: BBB? Não, isso é apenas o seu trabalho!

Sempre ouço das pessoas que gostam e assistem ao Big Brother que ele retrata um microcosmo do que vivemos todos os dias. E isso não deixa de ser verdade.
Quem nunca se sentiu traído por um suposto amigo-corporativo? Quem nunca conviveu ou trabalhou com uma pessoa falsa, interesseira e egoísta que sempre tenta puxar o seu tapete e para isso arquiteta os planos mais inescrupulosos?
O mundo corporativo é um biggest brother, onde a grande sacada é identificar os supostos vilões e o mocinhos. Com a diferença de que você não vai ganhar um centavo a mais por isso, no máximo manter o seu emprego ou o seu equilíbrio mental. Eu disse talvez...
Isso porque às vezes você se depara com um sociopata corporativo como eu disse aqui e aí meu caro, você tem que tentar ao máximo se afastar da pessoa. Se para o seu azar ele for seu chefe é melhor procurar outro emprego.
Pode ser que você tope com gente um pouco menos agressiva, ou melhor dizendo, um pouco mais inocente, o famoso duas-caras. Nesse caso é bom você não ter dito nada importante ou sigiloso ao sujeito até descobrir que ele é tão falso quanto nota de três reais, senão, você vai ouvir a frase que o Justus adora dizer: “você está demitido!”
Tem também o fofoqueiro, esse aí é fácil de perceber: se um colega de trabalho fala mal de todo mundo para você, parece óbvio que ela também fala mal de você para os outros, não é verdade? Ou ainda se ele conta coisas dos outros que você em tese não deveria saber, você ainda acha que ele vai guardar seu segredo? Tsc tsc ...
O pior tipo é o “amigo”, o motivo das aspas é que na primeira competição que os dois estejam em lados opostos ele vai esquecer os churrascos que participou na sua casa, do presente do último Natal e vai fazer de tudo para furar seu olho e puxar o seu tapete. E se ganhar a vaga e/ou a promoção ainda vai te dizer que não era nada pessoal, apenas estava garantindo o leitinho das crianças.
O que fazer, então, nesses casos? Não dá para enviar ninguém ao paredão. Muito menos entrar num confessionário e detonar a pessoa que está te sacaneando. O que seria equivalente a fazer campanha contra o sujeito ou falar mal dele para o chefe.
Melhor você começar a ler a "Arte da Guerra" do Sun Tzu. Ou se você for bonitinho (a) pode ainda gravar um vídeo sem camisa ou de biquíni e mandar ao BBB. Quem sabe você não ganha um milhão e meio e abandona esse ambiente corporativo? Se o seu sonho for sair na Playboy/G Magazine e não na Você S/A acho que pode ser o seu novo target. Depois você me conta de todos os goals alcançados.
quinta-feira, 11 de março de 2010
Darwin e a Evolução – Paul Strathern

Imagine-se na Inglaterra Vitoriana do secúlo dezenove, onde a sociedade era extremamente hipócrita e puritana, o desenvolvimento da ciência era feito com base em suposições, muitas vezes sob a aprovação da Igreja e onde acreditar em Deus não era uma opção do ser humano e sim uma imposição da sociedade.
Imagine-se tendo um pai médico, interesseiro e carrasco que te obrigue a tornar-se médico, independente de sua vontade e que, ao perceber que talvez você não tivesse tal aptidão para a medicina, lhe obrigasse a ser padre.
Imaginou?

É nesse contexto que se encontra nosso amigo Darwin. Aproximadamente 300 anos após Copérnico e Galileu revolucionarem o mundo provando que era a Terra que girava em torno do Sol, o que foi considerado uma grande apunhalada para a Igreja (a Terra não é o centro do Universo e sim, o Sol. Sendo assim, não é Deus quem “comanda” a Terra), e para a os pensadores da época que até então acreditavam na teoria aristotélica de que era a Terra o centro do Universo. Foi ele quem provou que o homem não era o centro do mundo com sua obra, “A Origem das Espécies”.
Darwin tinha como hobby colecionar plantas e animais. Era metódico com suas pesquisas; catalogava e guardava todos os espécimes que encontrava. Fez amigos por conta disso. Um deles foi Henslow, que o ajudou a suportar o Curso de Teologia que seu pai obrigou-o a fazer.
E aqui começa a graça da história da vida de Darwin: sempre quis saber o que faria um naturalista se enfiar em um barco e desbravar o mundo por 5 longos anos. Ele o fez por dois motivos: Primeiro para fugir das obrigações que o seu pai carrasco lhe impunha (ser médico ou ser padre) e segundo porque poderia fazer exatamente o que lhe agradava mais, pesquisar sobre plantas e animais.
O mais curioso é que ele só chegou a criação da teoria evolucionista após ler livros que tratavam sobre geologia. Os geólogos foram os primeiros cientistas a debaterem sobre a origem da vida. Eram eles quem refutavam a interpretação literal das Sagradas Escrituras com base em evidências cientificas.

(clique para ampliar a figura)
Não pretendo discutir sobre religião com esse texto. Na verdade, sempre tive curiosidade em saber de onde vinha o brilhantismo desses caras que mudaram para sempre a vida das pessoas. Vi que Darwin não teve um “insight”, uma epifania e gritou "Eureka". A teoria dele foi desenvolvida ao longo de muitos anos tendo a retórica como imperativo absoluto. Ele fazia as perguntas e foi procurando as respostas na natureza. Teve sim muita criatividade, paciência e sensibilidade para juntar todas as peças. E mais, nervos de aço para manter seu segredo guardado a sete chaves. Demorou mais de dez anos para publicar sua obra prima. Ficou remoendo a sua teoria e criando coragem para apresentar ao mundo o fato de que não foi Deus quem criou o mundo e sim o mero acaso.
Foi também muito esperto! Utilizou-se da amizade feita com Henslow para divulgar as plantas e animais que ia coletando em torno da Terra e que foram repassadas à comunidade científica britânica. Quando retornou de viagem já era reconhecido como um grande naturalista e conseguiu se livrar das garras do pai.

Durante a viagem de volta ao mundo fez um diário que contava sua experiência e quando voltou para a Inglaterra, lançou o diário de sua viagem no Beagle, um livro com as descrições de suas experiências e percepções, que também foi muito bem visto pela sociedade da época e que tinha curiosidade em conhecer lugares tão distantes e exóticos. Mais uma vez se aproveitou de sua “fama” para manter contato com os grandes cientistas da época. Ele já sabia o poder do networking.
O que mais me intrigou, no entanto, foi imaginar o que deve ter passado pela cabeça desse homem enquanto fazia suas suposições, suas descobertas até criar a sua teoria. Imagine o peso que deve ter sentido ao perceber que sua criação ia contra a religião de praticamente toda a cultura ocidental? Imagine o que deve ter sido para um simples mortal, conseguir provar que Deus não era o criador do mundo, e pior, viver com a pressão dessa descoberta? Definitivamente ele teve muita inteligência emocional.
Achei tudo tão fantástico que agora pretendo ler sua autobiografia. Quero saber quais eram suas sensações, saborear suas dúvidas, angústias, descobertas, excitações. Ah, o filme chamado “Criação”, que trata de parte de sua vida vai estrear no dia 19 de março (veja trailler aqui) e estou ansiosa para assisti-lo. Vamos ver se o que li se coaduna com o que vou ver. Já percebi que no filme eles ficam jogando com os conceitos do criacionismo e evolucionismo: Deus vesus Darwin.
: : TRECHO : :
“O homem com todas as suas qualidades nobres, com sua solidariedade aos menos favorecidos, com a benevolência que se estende não apenas aos demais homens, mas a mais humilde criatura viva, com seu intelecto divino que penetrou nos movimentos e na constituição do sistema solar – com todos esses poderes sublimes – ainda carrega em sua estrutura corpórea a marca indelével de sua origem inferior.” (p. 82)
: : FICHA TÉCNICA : :
Darwin e a Teoria da Evolução
STRATHERN, Paul
Jorge Zahar Editor, 2001
ISBN 85-7110584-7
93 páginas
segunda-feira, 8 de março de 2010
(Mais um) Dia Internacional da Mulher

Essa foto, eu peguei aqui. Trata-se de um Cartaz soviético de 1932. Em vermelho, lê-se: "8 de março é o dia da rebelião das mulheres trabalhadoras contra a escravidão da cozinha." Em cinza: "Diga NÃO à opressão e ao conformismo do trabalho doméstico!"
Assisti ao filme "Educação" dia desses e fiquei espantada em saber que até a década de 60 as mulheres iam à Universidade com o fim único de obterem um bom casamento.
Se pararmos para pensar isso faz apenas 50 anos. Não pude deixar de perceber o quanto evoluímos em nossos direitos durante esse tempo.
Por isso, creio que essa é uma data que deva ser comemorada, sem dúvida. Mas isso não quer dizer que toda a batalha já tenha sido ganha. Ainda estamos muito longe do ideal, da igualdade que tanto lutamos. Ainda somos tratadas como objeto em propagandas de cerveja. Ainda não encontramos o equilibrio nas funções de mãe/profissional/dona-de-casa e trabalhamos muito mais do que os homens.

As empresas ainda não perceberam que se a mulher pudesse manter seus filhos em uma escolinha dentro de suas instalações, a produtividade feminina seria ainda maior. Apesar de não ter filhos penso muito no assunto. Seria perfeito poder vir trabalhar todos os dias em companhia dos meus filhos. Incentivos fiscais facilitariam a vida dos empresários para realizarem esse projeto.
No auge dos meus 31 anos faço um MBA e inglês para melhorar meu currículo. Planejo viagens com o namorado e dividimos as contas fifty-fifty. Sou eu quem compro minhas roupas, meus sapatos e meus mimos.
O elogio que mais gosto de ouvir? Que eu sou inteligente. Sim, porque beleza não dura para sempre. Ser inteligente supera qualquer adjetivo. Para ser uma mulher bonita, basta maquiagem. Já para ser culta e inteligente, são anos de estudos e dedicação.
Parabéns a todas nós. E que esse dia sirva para pensarmos em como podemos melhorar nossas vidas de mulheres.
segunda-feira, 1 de março de 2010
O Homem que Amava os Livros

“Não faço nada sem alegria. ... Eu chamo essa compulsão patológica pelos livros de loucura mansa. Mas não sei como viveria nesse mundo se os livros não existissem."
José Mindlin é um grande herói. Leu durante toda a vida mais de 6 mil livros. Tinha uma média de 100 livros por ano.
Em comum, tínhamos a profissão e a paixão pelos livros. Mas ele foi além e se tornou bibliófilo e filantropo, doando boa parte de sua riqueza ao país. Será feita uma biblioteca na Universidade de São Paulo com boa parte do seu acervo de escritores brasileiros. Dentre eles, as primeiras versões das obras de Padre Antônio Vieira e Graciliano Ramos.O nome da biblioteca será Brasiliana Guita e José Mindlin e está prevista sua conclusão no ano de 2012. No entanto, muitas obras já foram escaneadas e podem ser consultadas pela internet. O Download é gratuito e já está disponível. Vai lá.
Ele trabalhou na redação do Estadão na década de 30, quando tinha apenas 15 anos. Hoje, ao entrar no jornal, percebi o quão especial é o meu trabalho. Além de notícias, esse jornal guarda histórias de pessoas extaordinárias. Além disso, advogou e se tornou empresário, foi durante muitos anos presidente da empresa Metal Leve. Nesse periodo entregava a seus funcionários um livro juntamente com a cesta de Natal para despertar o hábito da leitura entre seus funcionários.
Eis aqui, uma entrevista do leitor voraz que deixará saudades aos amantes da boa literatura.
Veja aqui o agradecimento emocionante de uma dessas crianças que passaram a ler por incentivo desse grande homem.

Dono de uma das mais espetaculares coleções do País, com quase 30 mil volumes, há quase 20 anos tem o seu ex-libris, frase, em francês, retirada dos Ensaios de Montaigne : “Je ne fait rien sans gayeté” (“eu não faço nada sem alegria”).
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