quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Hoje não

Hoje não. Hoje não quero sorrir. Não quero falar. Não quero ligar a tv. Não quero abrir meu livro.

Hoje eu quero chorar, eu queria, mas não consigo. As lágrimas vêm, mas não caem. Não entendo o motivo. Nem chorar eu consigo.

Sinto apenas um nó. Já faz uns dias. Um nó na garganta. Na minha garganta sem amígdalas. O nó não é metafórico. É real. Tão real que dói de verdade, apertando o meu pescoço, como o nó das gravatas, mas é um nó por dentro, que dilacera e sangra.

Ando sozinha a caminho de casa. Hoje não vou ser forte. Hoje cansei de ser forte. Por que temos que ser fortes o tempo todo? Por que temos que sorrir quando queremos chorar? Por que temos que fingir sermos o que na verdade não somos? Por que não podemos dizer o que queremos às pessoas que não gostamos?

Acho que hoje acabou para mim. Fui derrotada, me sinto uma derrotada. Será que só eu me sinto assim? Não vejo as outras pessoas ficarem tristes. Todo mundo tem obrigação de ser feliz o tempo todo. E isso é tão opressivo, que cansa.

Hoje eu não quero agradecer por ter saúde. Hoje não quero agradecer por ter as duas pernas. Hoje eu quero ir para a minha casa e quando lá chegar, quero ir direto para minha cama, para ver se as lágrimas que insistem em não cair, caiam, afinal.

Viver é difícil. Perder é difícil. E se é verdade que o que não me mata, me fortalece, como dizia Nietzsche, porque raios tem que doer tanto?

Ouço meu celular tocando. Alguém quer falar comigo, alguém precisa falar comigo ou talvez alguém esteja sendo obrigado a me ligar. Obrigação profissional. Não sei. Não quero saber. Não vou atender.

Me deixem só para curar a minha dor. A dor que deveras sinto. A dor que não é a dor boa do Drummond. Não é a dor do amor. É a dor da decepção. A dor que queima mais que fogo, porque queima por dentro. Um fogo que você não apaga sozinho, ele tem que queimar até que acabe seu oxigênio, de dentro de você. Assim, quando ele acabar vai criar uma cicatriz no seu coração: um pontinho preto, mais um para sua coleção de pontinhos pretos, com espaço para muitos que ainda virão.

Os pontinhos vermelhos estão lá, são os pontinhos da alegria e da felicidade, mas hoje, seu coração parece com eles não se importar, porque o fogo ainda está ardendo. Porque as lágrimas ainda não estão saindo.

Ainda estou longe de casa. Coloco os óculos escuros para disfarçar a minha dor. Não quero encarar ninguém e que alguém me olhe com compaixão. Hoje não quero a compaixão ou a paixão de ninguém. Hoje quero ficar sozinha. Hoje quero sofrer em paz.

Comigo está somente o dia cinza. O dia cinza em pleno verão de Janeiro. Isso sim é verdadeiro. O dia está cinza porque ele quer. Não é porque alguém mandou. Ele está cinza porque nuvens estão bloqueando o céu. O meu sol, o sol da minha alma.

Hoje não vou sorrir. Hoje só vou escrever. E partilhar da minha dor com você. A dor que você também já sentiu e que você quis esconder.

Só quero que você saiba que você não sofre sozinho. Eu também sofro. Hoje também sofri e resolvi compartilhar com você.

Pronto, as lágrimas finalmente saíram. Talvez amanhã eu esteja melhor, mas só amanhã. Hoje, não.

A vizinha doida



Eu moro em prédio, creio já ter dito isso aqui. Como todos sabem, morar em prédio requer uma boa dose de paciência. Principalmente quando a pessoa que mora em cima de você, digo, que mora no andar acima do seu não tem a menor noção das coisas. Ela anda de salto pela casa, bate as portas ao invés de fechá-las e não se preocupa muito com horário. Ela deve achar que passar aspirador de pó e limpar a casa às 2 da manhã é a coisa mais normal do mundo.

Eu geralmente tento não me estressar porque também não durmo cedo, mas ninguém merece ter que ouvir os móveis sendo arrastados praticamente toda semana, nesses horários alternativos.

Um dia, porém, não agüentei a falta de noção da mocinha e interfonei para ela. Quem atendeu foi um homem. Expliquei que teria uma reunião importante no dia seguinte, que precisava dormir e que não estava conseguindo tendo em vista o barulho que infelizmente estava sendo feito por eles. Pedi educadamente para que ela não arrastasse mais seus móveis, porque eu ouvia todo o barulho. Fui tão educada que até me impressionei com minha capacidade de falar, sem demonstrar toda minha raiva.

Desliguei o interfone com a sensação de missão cumprida. Fiquei aliviada achando que finalmente conseguiria dormir. Qual nada! Assim que o moço comunicou à doida da minha reclamação, tudo se tornou pior. Eu ouvia gritos no apartamento de cima e portas batendo. A moça endoidou mesmo gente. Ela começou a pular e berrar para fazer bastante barulho. Eu achava que essas coisas só aconteciam em filme.

Fiquei deitada olhando para o meu teto, tentando entender toda a irracionalidade de uma pessoa que se sente incomodada por não poder incomodar os outros. Parecia uma cena surreal, mais surreal até do que o filme “Quero ser John Malkovich”.

Comecei a ficar com medo, quando a ouvi gritar “quem ela pensa que é, eu vou lá, eu vou lá”. Óbvio que se ela descesse eu não abriria a porta. Doida do jeito que parecia ser seria capaz de me matar e alegar insanidade. Pior, convenceria facilmente o juiz de que era realmente doida. A defesa seria fácil. Fiquei pensando se chamava a polícia ou se pegava uma panela bem pesada para usá-la como legítima defesa em caso de algum ataque.

A cena toda durou uns 15 minutos. Ouvi o interfone da casa dela tocando. Devia ser o porteiro dizendo que os outros vizinhos reclamavam do barulho. Dois minutos depois o homem começou a berrar com ela e dizer que era para ela parar com aquilo, porque não mudaria de novo para outro lugar (pelo jeito ela é reincidente, pensei comigo). Eles berraram um com o outro por uns 2 minutos e finalmente o barulho parou.

Depois desse episódio, passei a utilizar a tática do porteiro. Quando ela passa do limite razoável, ligo para ele e peço para que interfone para a doida parar de fazer barulho. Às vezes funciona, às vezes não.

Mas o melhor está por vir. Estão construindo um prédio em frente ao meu e, como atualmente caminhões não podem circular pelo centro de São Paulo, todo o material da obra é entregue à noite. Assim, com certa freqüência, passamos a ouvir ferros e madeiras serem despejados no terreno em frente por um bom tempo, sempre após às 10 da noite e tirando a paciência de qualquer um.

Certo dia, então, a vizinha doida que faz faxina de madrugada abriu a janela com muita força (deu para ouvir aqui de baixo) e gritou para os entregadores pararem de fazer barulho, que ela queria dormir (de forma muito mal educada). Comecei a rir sozinha. Nossa, então ela também dormia? Não era só eu que fazia isso!
O melhor foi que os entregadores mandaram ela catar coquinho. Disseram que também queriam dormir, mas tinham que trabalhar à noite. Xingaram ela e começaram a rir da cara dela.

Me senti vingada. Quase abri a janela e agradeci aos moços, pela ótima resposta dada. Tudo bem que depois disso, sobrou pra mim. Além do barulho dos entregadores, tive que aturar ela andando pela casa, enfurecida, batendo os pés e as portas.

Eu nunca a vi, não a conheço. Não sei se é alta ou baixa, se é bonita ou feia, se é gorda ou magra. Confesso que já perdi alguns minutos da minha vida, imaginando o que faz com que ela seja assim. Talvez o namorado não a trate bem. Talvez não tenha trabalhe com o que gostaria, ou talvez seja só mal educada mesmo.

Espero um dia conseguir comprar uma casa. Vizinha doida assim, nunca mais.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Status


"Status é ... Comprar o que você não quer, com um dinheiro que você não tem, para mostrar para quem você não gosta, aquilo que você não é!"

Uma amiga minha, num dia desses soltou essa frase. Achei muito boa. Contei a ela que estava escrevendo um blog e que queria comentar sobre a frase, e ela, muito prestativa, me enviou por e-mail. O que seria do mundo sem a cumplicidade feminina?

Já que ela foi muito gente boa em me mandar a frase, vou aproveitar para elogiá-la. Ela tem a minha idade, mais ou menos, e trabalha na diretoria da empresa. Conhece vários países e fala várias línguas. É super animada e tem um ótimo papo. Toda vez que almoço com ela, volto mais feliz para o trabalho. Pena que eu não sou do dono da empresa. Se o fosse, ela seria promovida, com certeza.

No dia em que ela soltou a frase, estávamos falando sobre roupas, sapatos, acessórios, viagens. Todas essas coisinhas que as mulheres adoram na vida e que dariam a vida por elas. Comecei a pensar se eu era fútil e se comprava o que comprava para auto-bajulação ou se era para ostentar aos outros.

Não consegui chegar a uma conclusão rápida. É certo que eu compro o que compro para me sentir bem, isso é ponto pacífico. Mas fiquei pensando se toda vez que meu namorado me chama para sair, eu me “emperequeto toda” para mim, para ele ou para os outros? Afinal, “toda mulher quer ser amada, toda mulher quer ser feliz” já dizia Rita Lee.

Não sei, acho que podemos medir por escalas: primeiro eu tenho que olhar no espelho e gostar do que vejo, em segundo lugar vem a opinião do namorado. Consigo provar minha teoria: ele está em segundo lugar porque já vesti algo que não o agradava e continuei vestida da mesma forma, apesar do bico que agüentei por isso. Em terceiro lugar vem “os outros”. Por “outros”, entende-se todas as pessoas conhecidas e desconhecidas que eu posso encontrar pelo caminho.

Isso, acho que é assim. Mas e quanto ao status? Mulher se preocupa com o status? Claro que sim! O status é importante para a mulher, que é bem diferente do status na concepção masculina.

O status masculino consiste em ter o carro mais caro, mais possante e mais bonito. Ele precisa demonstrar que é sim um macho provedor e que pode dar além de prazer, muito dinheiro à sua parceira.

Confesso que essa teoria cai por água baixo comigo. Eu já namorei até um cara que não tinha carro e fiquei com ele por dois anos (nossa, isso é que é talento para ser pobre, né não?).

Outro dia, meu atual namorado me cutucou e disse “olha aquele carro”. Eu olhei e falei, “nossa realmente é muito brega”. Ele olhou para mim bravo e disse, é uma lamborghini super hiper máster blaster, não é brega! (segundo ele, ela é super cara e todo menino quer ter uma). Eu achei o carro brega, principalmente porque era amarelo. No final, ele ficou feliz, porque percebeu que não trocaria ele pelo dono da tal lamborghini.

Logo, senhores homens ricos, nem todas as mulheres pagam pau para os seus carrões e senhores homens pobres, fiquem felizes, ainda existem mulheres dispostas a namorarem os senhores!

Homem também gosta de eletrônico. Acho a coisa mais chata ter que entrar naquelas lojas de eletrônico com um monte de bugiganga que você não sabe mexer e vai ter que ler o manual de instruções de “cabo a rabo” para entender como é que se faz.

Uma vez, meu namorado se apaixonou por uma máquina de fazer café. Acho que chama “Nespresso” ou algo do tipo. Toda vez que íamos ao shopping ele queria passar e dar uma olhadinha na máquina. Fazer o quê? Ano passado a paixão foi por uma daquelas geladeiras de pôr vinho. Não vejo diferença dela para a minha geladeira ....

Eles também gostam de relógio. Quanto mais caro, mais testosterona eles exalam. Adoram passar a mão no cabelo (a do relógio, claro), colocar a mão no queixo e se utilizarem de todas as estratégias para exibirem sua mais nova aquisição. Adoram quando um amigo diz: “nossa, você comprou esse relógio? Tá bem hein?”. Essa também é uma demonstração de status masculina.

A demonstração de status feminina, com certeza está em suas roupas e acessórios. Você quer saber se a mulher que está perto de você tem status? Olhe a bolsa que ela está usando. Se for grande e bonita, ela pagou caro, com certeza. Se for grande e bonita e tiver um símbolo “LV” ou “VH” ou “DG” (Louis Vitton, Victor Hugo Dolce e Gabbana), ela pagou uma fortuna. As mulheres sabem disso. Algumas delas compram bolsas “fake” só para se sentirem poderosas. Eu não faço isso, mas também tenho meus surtos de status.

Preciso confessar uma coisa. Toda vez que compro um sapato novo ou uma roupa nova, não sossego até estrear a peça. No começo meu namorado estranhava e dizia: “ué, já vai usar a roupa, não vai guardar para uma ocasião especial”. Eu respondia muito séria: “Eu não, vai que eu morro amanhã e o negócio fica aí na gaveta, sem uso”. Hoje em dia ele já acostumou. Quando me vê com a minha roupinha nova, sorrindo, toda feliz e saltitante, ele não fala mais nada, só dá uma risadinha cúmplice para mim.

Acho que ostentar é saudável, desde que não seja algo que te prejudique. Não dá, por exemplo, para se endividar por 3 anos para comprar algo muito caro, só para sair mostrando aos outros. Isso é bobeira. Principalmente porque quem vai pagar é você, e quem vai deixar de fazer aquela viagem bacana é você e quem vai deixar de sair para jantar é você também.

Eu acho que a frase acima é realidade sim, para muitos, mas não para mim. Como já disse aqui eu sou pobre e não adianta querer mudar minha posição fazendo crediário ou parcelando em 12X no cartão. Sou pobre sim, mas uma pobre com sapato de oncinha ; )

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Cronicamente viável



Eu estou gostando dessa história de escrever crônicas. Sei que elas não são profundas, que discutem nossa rotina, mas acho que elas têm seu charme.
Percebi que é muito divertido escrevê-las. Principalmente pelo fato de que não tenho nenhuma obrigação: se quiser escrevo, se não quiser, azar! Mas o engraçado é que todo dia escrevo. As idéias vão brotando e já está se tornando um hábito.

Outra coisa sensacional é que escrevo sobre o que eu bem entender. Não preciso ficar adstrita a um assunto específico ou algo que eu ache chato. Tenho a ideia, me empolgo, vou lá, escrevo, dou risada e ponto final.

Essa noite acordei às 4:45 da manhã com uma leve ressaca. Resultado de mais um happy hour feminino. Levantei e tomei água. Aos 30 anos, a mulher já aprendeu que se tomar bastante água, antes, durante e depois da bebedeira, isso ajuda a diminuir os impactos da ressaca. O engov também ajuda, mas, quem os tem quando se precisa deles?

Deitei de novo e me veio a idéia de escrever uma crônica de como escrevo as crônicas: elas começam com uma faísca no lado direito do cérebro, e, voilá, surge a ideia. Algumas vezes essa faísca é produzida ao ver algo que me chame a atenção. O cérebro, então, transmite alguns comandos para os dedos e começo a escrever. Algumas vezes, a faísca é transferida pro lado esquerdo da cabeça, nesse momento acrescento algo divertido.

Aprendi a deixar os textos um ou dois dias, ali quietinhos, como se fossem os pães que mamãe fazia quando eu era criança. Ela os deixava ali para crescerem. Eu deixo os textos porque sempre melhoro um pouquinho: uma coisinha ali, outra acolá.

O feedback das pessoas também é sensacional. Já recebi dois e-mails assim “do nada” de pessoas me elogiando pelos textos e isso me deixa muito feliz. Obrigada pessoas, isso ajuda essa escritora que voz fala e que fica feliz que as besteiras sejam bem-vindas e bem vistas por vocês.

Um grande amigo disse que os textos estavam bons, mas que eu precisava colocar umas fotinhos para melhorar a cara do blog. Coloquei. Outro me deu a maior explicação sobre o motivo que os homens buzinam, vou colocar no fim do texto depois.

As amigas também palpitam e já encomendam as crônicas: “Ah Ana, escreve uma sobre a nossa formatura, escreve uma sobre esse nosso encontro, não esquece de mencionar tal coisa, hein? Vai ficar engraçado”. Eu escrevo e mando para elas. Elas devolvem sempre com comentários bem humorados. Elas são as editoras, eu publico aqui depois da aprovação delas

Eu gosto de escrever crônicas (se é que isso seja uma crônica). Descobri isso agora, aos 30 anos. Acho que gosto porque não é obrigação, é na verdade, uma curtição. Vamos dar um “viva”, a falta do que fazer!

Preciso aproveitar o ensejo e agradecer ao Mário Prata e ao seu filho, Antonio Prata, porque foi lendo as suas que eu resolvi escrever as minhas (histórias, é claro).

Ah, aproveito também para dizer pro povo comentar aqui quando gostar ou não gostar de algo, se quiser. Não precisa me mandar por e-mail não. Pode postar o comentário como anônimo ou com outro nome se quiser.

Agora vou embora porque isso parece mais uma carta do que uma crônica.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Papo de Mulher



O dia oficial do happy hour feminino é quinta-feira. Um dia perfeito: perto do final da semana, mas não na sexta-feira, dia que o namorado acampa no meu “cafofo” e passa o fim de semana lá. Isso serve para as outras meninas comprometidas ou para as solteiras que ficam livres para saírem na sexta-feira com as demais amigas solteiras.

Costumamos ir a algum bar. Mas também saímos para jantar. Depende da ocasião. Como são (quase) todas comprometidas, não vamos a bares da moda. Nesses lugares, você se sente em uma caçada onde as presas são as mulheres, que geralmente aparecem com roupas provocantes e fazem caras e bocas e os homens, sentados em lugares estratégicos onde seja possível admirá-las, ficam bebendo, fumando e escolhendo qual presa ele vai atacar.

Nunca gostei disso, mesmo quando estava solteira. Saia para a balada para dançar. E ia a bares para conversar e beber. Nunca gostei muito desse “jogo de sedução”. Principalmente pelo fato de que todos esses caras (ou, pelo menos 99,9%) sempre têm um discurso pronto completely boring. “Nossa, estava te olhando de longe e te achei bonita, mas de perto você é melhor ainda”. Como você pode notar, uma abordagem muito criativa e inteligente. São os “homens-descartáveis” ou os “homens-camarão”. O corpo até é gostosinho, mas a cabeça, pode ser jogada fora. Podem ser bonitinhos e levantarem a sua moral naquela noite, mas, realmente só naquela noite.

Esses encontros com as meninas, são realmente necessários em minha vida. Sempre saio com a alma muito mais leve depois de encontrar minhas amigas tão queridas.

Falamos muita besteira. Noventa por cento do tempo só sai abobrinha. Por isso mesmo é tão divertido. Contamos nossas experiências mais bizarras do trabalho: tenho uma amiga que dá muito azar e só contrata estagiária burra. Uma delas era tão burra que disse que não sabia como testar um carimbo. Ela contava que, aos berros disse para a estagiária que era só carimbar! Assim ó (pegava o carimbo e o papel e batia umas três vezes para demonstrar como funcionaria a operação). Rimos. Outra contou que o chefe estava numa apresentação e, ao espirrar, peidou na frente de todo mundo.

São, geralmente, experiências escatológicas e engraçadas e nos divertimos a valer. Os papos mais interessantes, no entanto, sempre estão relacionados a sexo, claro. Sempre aprendo com elas, algo novo na arte de amar.

Uma das minhas amigas vira e fala: meninas, vocês não sabem! Pronto, lá vem a bomba. Que foi dessa vez, falamos em coro, já imaginando o que vinha por aí.

Eu fiz troca de casal! Todas se olham. As comprometidas dão risada. As solteiras também. E a protagonista passa a contar como foi.

Ela e mais duas amigas, conheceram três caras numa festa. Os caras eram modelos-aspirantes-a-atores, desses que estão na moda atualmente.

Ela queria um, mas uma das amigas acabou ficando com ele. Foram para o apartamento de um deles e, depois de darem uma “garibada” resolveram trocar de parceiro. Enquanto contava essas barbaridades, fazíamos piadinhas no meio e morríamos de rir. O pior, no entanto, ainda estava por vir. Essa minha amiga explicou que o lugar só tinha um quarto. Como eram três casais, uma delas ficou com a cama, a outra com o banheiro e a última ficou com a sala.

A certa altura da noite, o moço que estava na cama, gritou para o amigo que estava na sala: o fulano, e aí, vamos trocar? Vamos sim! E eles trocaram. Minha amiga ficou com o cara que ela queria desde o começo e a outra amiga ficou com o outro.

Depois da história do clube do swing (que uma outra amiga me contou), essa foi a história mais surreal que tinha ouvido (pelo menos até então). Amiga isso é coisa de filme pornô! Mais risadas. Ah gente, foi divertido! Não estava planejado. Amiga, acorda, os caras já tinham pensado nisso, com certeza. É, pode ser, ela encolheu os ombros, mas tudo bem, por que o segundo transava melhor que o primeiro. Rimos.

Óbvio que isso é ultra mega secreto. Não conto nem sob tortura que amiga fez isso. Não sei se teria coragem de fazer algo parecido, acho mesmo que não. Mas também não julgo quem faça. Cada um sabe de si.

Continuamos nossa conversa. A amiga que tem a estagiária burra vai demiti-la na próxima semana. Ela não sabe anotar recado e tem um péssimo português. Nem protocolo ela fazia certo, porque protocolou petição na Fazenda Pública, quando o certo era no João Mendes. Todas concordaram que era o melhor a fazer. A votação foi unânime. O acórdão será publicado em breve.

Ementa: "Estagiária Sem Noção. Justificativa para Demissão.
Estagiários que não sabem testar carimbos e protocolam petições em locais diversos do solicitado podem ser demitidos. Lidos, discutidos os autos. Votam as desembargadoras pela demissão sumária.” (V.U.)

domingo, 25 de janeiro de 2009

Cineminha



Algumas vezes saio do cinema e entendo o porquê dele ser considerado a sétima arte . Tem filmes que emocionam e te fazem pensar. Quando assisti a “Sete Vidas” (Seven Pounds), esse final de semana, foi exatamente o que aconteceu.

Eu estava um pouco mal humorada por conta de algumas chateações no trabalho e não estava nos meus melhores dias. Já fazia quase um mês que queria assistir a esse filme e dei um ultimato no meu namorado: ou íamos esse fim de semana assisti-lo ou iria sozinha na segunda-feira. Ele não gosta de ir ao cinema durante a semana e eu acho simplesmente uma delícia.

Ciente de que a “ameaça” se concretizaria ou talvez para me agradar, ou talvez pela união das duas coisas, lá fomos nós para o escurinho. Li o roteiro que dizia ser um bom filme, não explicando muito bem a razão disso. Fiquei curiosa e resolvi conferir.

Não vou contar o filme, só vou dizer que é um desses que você escuta o cinema inteiro fungando e assoando o nariz. Sai de lá totalmente diferente de quando entrei e adoro quando isso acontece. Por isso mesmo é que o cinema é mágico.

Eu já tinha lido uma vez no discurso do Steven Jobs, mas só agora uma frase sua fez sentido para mim. Só agora rolou o “click” ou caiu a ficha: todos os nossos problemas são infinitamente menores perto da morte.
Saí do cinema me sentindo ridícula por estar chateada por um motivo idiota e pior, estragando o meu fim de semana e o do meu namorado.

Enquanto todos choravam ao sair do cinema, eu sorria. Entendi o motivo pelo qual tinha mesmo que assistir a esse filme e também aproveitei para tirar um sarrinho do meu namorado que, apesar de negar até a morte que tinha chorado, estava com os olhinhos vermelhos.

Não sou dessas pessoas que estão sempre de bom humor e para quem os problemas são sempre pequenos, mas confesso que gostaria de ser. Ficar mal humorada não resolve nada e a vida passa muito rápido. Toda vez que meu namorado me vê com essa cara azeda, me dá um beijo no cabelo e diz no meu ouvido: “be positive”. É exatamente por isso que eu vou casar com ele. Ele consegue me fazer sorrir quando tudo parece desmoronar e vibra comigo quando tudo vai bem. Ele me pega pelos braços e dança comigo, num domingo qualquer, como hoje, alguma música do Frank Sinatra ou do Charles Aznavour, na sala do cafofo, com os dois ainda de pijamas.

Esse texto é um puxão de orelha em mim e em você que, assim como eu, reclama da vida e fica mal humorada. Quando nos sentirmos assim, de agora em diante, vamos agradecer. Agradecer por estarmos vivas e com saúde. Agradecer por sermos completas, inteiras e que podemos realizar qualquer sonho. Basta sermos positivas. “Be positive”.
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O termo sétima arte para designar o cinema foi dado por Ricciotto Canudo no Manifesto das Sete Artes, em 1911. Essa referência é apenas indicativa, cada uma das artes é caracterizada pelos elementos básicos que formatam sua linguagem e classificadas da seguinte forma: 1ª Arte - Música (som); 2ª Arte - Dança/Coreografia (movimento); 3ª Arte - Pintura (cor); 4ª Arte - Escultura (volume); 5ª Arte - Teatro (representação); 6ª Arte - Literatura (palavra); 7ª Arte - Cinema (integra os elementos das artes anteriores somado a 11ª). Fonte: wikpedia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Manifesto_das_Sete_Artes)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Big Brother


Engano seu. Eu não vou falar sobre o programa global que já dura quase 10 anos. Talvez somente nessas primeiras linhas, mas o resto é uma história que presenciei.

O Big Brother foi legal quando era novidade, agora já encheu um pouco. É sempre a mesma história: enchem a casa de mulher bonita e gostosa, uns caras fortões e alguns patinhos feios que no final acabam ganhando o prêmio. Não tem mais emoção, ficou chato.

Sábado à noite, num desses que a gente está de bode e sem vontade de sair, eu e o namorado pedimos uma pizza e víamos um dvd em casa. Eu estava no telefone com uma amiga que me ligou para tentar me convencer a sair. Tínhamos apertado pausa no filme para o xixizinho do namorado.

De repente ele sussurra no meu ouvido (o que estava desocupado – no outro estava o telefone), os vizinhos estão transando, vem ouvir.

Ele estava num misto de empolgação e safadeza. Não resisti, contei o que ia fazer à minha amiga e desliguei, prometendo depois contar tudo para ela.

Fomos para o banheiro do cafofo. No meu prédio, assim como na maioria dos prédios, existe aquele vácuo entre os apartamentos, que parece formar uma acústica perfeita por onde o som se propaga e parece que o vizinho está no nosso apartamento e não no dele.

Apagamos a luz do banheiro para ouvir na plateia vip. O homem estava gemendo e nem sinal da mulher: com certeza, estava utilizando seus lábios e sua língua, mas não era para falar.

Olhei para meu namorado, ele deu uma risadinha safada e balançou as mãos. Como as crianças fazem quando estão fazendo coisa errada.

A mulher então, diz que agora era a vez dele. A mulher é menos discreta. Além de gemer ela dá instruções: lambe mais forte, assim, assim, vai, isso, ai que gostoso. Saio do banheiro para dar risada. Nossa, parece filme pornô em rádio. Mulher safada, essa...

Voltei ao banheiro, meu namorado cochichou no meu ouvido “eles começaram a transar”. Dei uma risadinha para ele. Segura peão!

A mulher gemia e falava palavrão feito doida, Meu Deus! Eu só vou repetir o “vai, mete, enfia”. Era daí para baixo. Uma putaria só. Meu namorado estava adorando. Comecei a achar chato. Saí do banheiro e voltei para sala. Me senti invadindo a privacidade do casal apaixonado, aproveitando a intimidade deles num sábado à noite.

Meu namorado voltou, depois de alguns minutos falando que os dois gozaram juntos.

Prometi que nunca transaria no chuveiro de casa. Eu hein, vai que alguma louca resolve escrever sobre isso num blog.

O pior é ter que cruzar com a “safada” pelo elevador e corredor do prédio. Dá vontade de avisar “olha, melhor você gemer mais baixo no banheiro, porque dá para ouvir tudo”, mas é claro que não faço isso. Se bobear ela gosta ...

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

A inveja


Levantei da minha mesa e fui tomar um café. Mentira, fui tomar um chá porque eu não gosto de café, me dá dor de cabeça. Só tomo café com leite. Puro, “no way”. Detalhe: meu namorado adora tomar café. Ele é viciado, mas gosta desses cafés elaborados, de cafeteria e sempre me chantageia para irmos às cafeterias mais variadas. Eu vou, meio a contra gosto, mais para agradá-lo do que qualquer outra coisa e tomo suco, chá e água, menos café. Ele também assiste aos filmes que não gosta, comigo. Namoro tem disso, fazer o que não gosta, para agradar ao outro.

Pois bem, fui até a copa (não sei se já disse aqui, mas trabalho numa multinacional e, em todas as multinacionais que trabalhei - elas são muito organizadas, muito caretas, pois sempre possuem uma copa, onde você vai para tomar café, comer seu lanchinho, e bater um papo quando acaba encontrando alguém por lá, você não pode comer na sua mesa, quer dizer, pode, mas não é “polite”, como diria minha antiga chefe) e apertei o botão: “chá de limão”.

Enquanto a máquina fazia meu chá, entrou uma moça recém-contratada. Ela estava com um vestido lindo. Fiquei com inveja dela. Dela não, do vestido dela. Era realmente bonito. Desses que deixam a mulher com cara de sofisticada, sabe? Era simples, mas tinha uma fita de cetim, um tom mais claro que o vestido e achei tudo de bom.

Elogiei o vestido da moça. Como todo ser humano, mulher adora elogio. Ela sorriu para mim e agradeceu. E emudeceu. Ainda está um pouco tímida, pensei. Está gostando? Perguntei, você quase não deve estar ouvindo isso, não é? Rimos. Ela era simpática. Veio para trabalhar na contabilidade. Ela disse que estava gostando sim. Não sei o nome dela. Ela me falou quando fomos apresentadas, mas eu esqueci. Nunca lembro do nome de ninguém, só não esqueço o meu, porque sempre me chamam por ele.

Tomei meu chá, me despedi da moça e voltei para minha mesa. Fiquei pensando por um minuto sobre a inveja que senti do vestido dela. Será que isso é errado? Se for, está todo mundo ferrado, porque todo mundo sente inveja. Sei que ela tem variações. Essa que seu senti pelo vestido é uma “invejinha” sem maldade. Será? Me senti culpada. Que coisa de doido, mas não fiz por mal. Senti inveja, mas foi inofensiva, digo para mim mesma.

Senti foi a inveja branca. E inveja lá tem cor? Pensei comigo e dei uma risadinha. Acho que existe a inveja boa, como essa do vestido: você vê moça com um vestido bonito, vai na loja e compra um parecido e a inveja acaba. Ok, mas e se um dia eu sentir inveja por algo que seja mais caro (uma casa, um carro) ou que talvez eu não possa fazer, sei lá, vamos supor que eu não possa ter filhos e uma amiga tenha uma criança linda? Respondo automaticamente: eu posso adotar. Será que isso resolveria a inveja? Se não resolvesse, acho que essa seria uma inveja ruim.

Vamos falar, então, da inveja ruim. Você deve saber de qual eu estou falando, aquela que te faz mal, que você sente nos olhos da pessoa, aquela que seca até pé de pimenta. Seca mesmo, duvida? Eu provo.

Teve uma época que tinha certeza que uma colega de trabalho estava com inveja de mim. Como sei disso? Ela mesma dizia para mim. Acho que ela nem percebia, mas que tinha, tinha. Você é que tem sorte, tem namorado. Você é que tem sorte, é magra. Você é que tem sorte, trabalha com tributário. Era sempre assim.

Um dia, disposta a tirar a prova da inveja da colega. Comprei um pezinho de pimenta, desses de colocar na mesa. Durou uma semana. Ela secou tanto, mas tanto, que era possível quebrar os galhos da pimenteira ao tentar dobrá-los. Comprei outra. Devia estar doente, pensei. Secou de novo. Que medo! Não acreditava muito nessa coisa de inveja, mas pude constatar que é verdade, elas secam pé de pimenta. Eu hein.

Desde então eu uso umas pimentinhas-chaveiro na minha bolsa. Minha sogra que me deu e disse, “se a pimenta quebrar, estão te invejando”. Penso que não custa nada. Já dizia o ditado: “melhor prevenir do que remediar”. Advinha? Uma das pimentas da bolsa quebrou. Preciso avisar a menina do vestido para ela usar uma pimentinha também. Me bateu curiosidade, será que a minha inveja secaria o pé de pimenta dela? Tomara que não. Fico em dúvida: aviso ou não aviso? Mas como eu faria isso? Só se mandar um e-mail para ela. Melhor não, vai que ela pensa que eu sou macumbeira.

Meu pensamento é interrompido quando ouço meu nome. A assistente quer tirar uma dúvida sobre algo burocrático. Respondo. Melhor voltar ao trabalho. O “bicho tá pegando” e eu aqui, pensando minhas bobagens. Vou escrever isso depois e colocar no blog. Escrevi.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

TPM


Todos os Problemas Misturados
Tendências a Pontapés e Murros
Temporada Proibida para Machos
Tocou, Perguntou, Morreu
Tente no Próximo Mês
Tempo Para Meditação
Totalmente Pirada e Maluca
Tendência Para Matar
Toda Problemática no Momento
Total Paranóia Mental.

Não tem falha. Todo mês ela vem. Começa tímida, mas, uma vez instalada ela começa a se espalhar.

O engraçado é que quando era mais nova, não sabia nem o que significava. Como eu tinha sorte! Apenas as famosas cólicas me afligiam. A TPM não.

Perguntei à minha ginecologista porque a minha TPM vem aumentando ao longo dos anos. Ela me explicou que provavelmente ela sempre foi a mesma, o que mudou, na verdade, é a vida que levo atualmente, um papo meio darwinista de que como passo mais nervoso, fico mais estressada, e sofro muito mais pressão, os sintomas da TPM acabam sendo piores. Essa história de que o meio-ambiente altera o indivíduo, aquela coisa evolucionista que no mundo corporativo, sempre vai te alterar (para pior, é claro).

Quase pedi um laudo médico. Talvez, com isso, eu conseguisse um aumento. Se mostrasse para minha chefe que toda vez que ela pede algo urgente, para ontem, e que esteja impecável, isso faz com que eu tenha mais TPM, talvez ela me pagasse mais.

Desisti de pedir o tal laudo. Acho que seria melhor negociar de outra forma. E se, para as mulheres que não querem ou não podem ter filhos, fossem diluídos os quatro meses (ou seis meses, depende se a sua empresa aderiu ao projeto do governo) de licença maternidade em dias esporádicos que você utilizaria toda vez que estivesse de TPM.

Bastaria escrever em um papel. Não estou num bom dia – TPM – Utilização do __ dia de licença. E assim, você iria utilizando esses dias ao longo de sua “vida ovuladora produtiva” até entrar na menopausa.

Eu acho uma ótima idéia. A Constituição Federal não garante o Direito a Igualdade? Então, se as mulheres que têm filhos podem sair de licença-maternidade por seis meses. As mulheres com TPM também podem sair por igual período.

É uma pena que não tenha ninguém no Congresso preocupado com isso. Será que se eu enviar um projeto de Lei, ele seria aprovado?

Vou enviar antes do Carnaval, assim quem sabe esse ano, ao invés de aumento dos impostos que são sempre publicados na quarta-feira de cinzas, enquanto todos estão se recuperando da ressaca carnavalesca, eu não consiga a publicação da nova lei da TPM?

Aposto que seria um sucesso. Já estou até vendo o noticiário. A TPM não vai acabar, mas pelo menos a gente espera ela passar, tomando sol, bebendo caipirinha, comprando sapatos, dormindo, assistindo a tv...

Abaixo, publico um manual com cuidados a serem dispensados à mulher com TPM, que serve como instrução para tratar sua mulher, nesse período tão delicado de suas vidas:

FRASES E PROCEDIMENTOS PARA SOBREVIVER A UMA MULHER COM TPM :

PERIGOSO: O que tem pro jantar?
SEGURO: Posso te ajudar com o jantar?
SEGURÍSSIMO: Onde você quer ir pra jantar?
ULTRA-SEGURO: Aqui... Come esse chocolate.

PERIGOSO: Você vai vestindo ISSO?
SEGURO: Nossa, você fica bem de marrom.
SEGURÍSSIMO: Uau! Tá uma gata!
ULTRA-SEGURO: Aqui.... Come esse chocolate.

PERIGOSO: Tá nervosa por quê?
SEGURO: Será que não estamos exagerando?
SEGURÍSSIMO: Vem, deixa eu te fazer um carinho...
ULTRA-SEGURO: Aqui... Come esse chocolate.

PERIGOSO: O que você fez o dia todo?
SEGURO: Espero que você não tenha trabalhado demais, hoje.
SEGURÍSSIMO: Adoro quando você usa esse robe!
ULTRA-SEGURO: Come mais um pouco de chocolate.
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PS: As definições acima e os procedimentos para sobreviver a uma mulher com TPM não são de minha autoria. Recebi por e-mail de uma amiga. Se o autor, ou autora se manifestar, eu pago uma cerveja e uma porção de pastéis sortidos.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Periquita Doidona


Essa vai em homenagem a Su! Parabéns! Beijos
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Dia desses fomos almoçar só nós mulheres. Eu adoro quando isso acontece, porque assim podemos falar sobre assuntos que os homens não podem ouvir, principalmente se “esses homens” forem nossos colegas de trabalho, com quem não temos tanta intimidade.

Éramos em cinco. Almoçamos num restaurante bacana, mas que fica um pouquinho longe e por isso, vamos de carro. Falamos sobre coisas triviais, como homens, relacionamento, trabalho, sapatos, etc. Na volta, depois de um desses silêncios que ficam logo após o almoço, quando começamos a digestão, uma das meninas soltou. Meninas, preciso contar uma coisa. Pronto, lá vem, pensei comigo.

Geralmente, quando as mulheres falam isso é porque vem uma bomba aí: podem estar grávidas, terem feito sexo anal pela primeira vez, terem ido ao clube de swing, terem traído o respectivo ou terem ido ao sex shop. Dessa vez, era a última opção.

Foi impressionante: o carro que antes estava sem som, de repente virou a maior gritaria com as cinco falando ao mesmo tempo e rindo loucamente. E aí, foi a primeira vez que você foi? Perguntei. Ela era a mais tímida das cinco. Respondeu que sim. Perguntamos o que ela tinha achado do lugar. Ainda com timidez disse que tinha um monte de coisas “diferentes” lá.

Diferentes como? Perguntamos. Ah, tinha umas fantasias bacanas, dessas de enfermeira, de diaba, de aluna colegial. Tinha também um monte de vibrador, tinham uns pênis de silicone (a essa altura ela começou a se soltar e falar mais a vontade) tinham uns dados que você joga e brinca de fazer o que sair (são dois dados, um com o verbo e outro com o substantivo, por exemplo beijar + virilha – você tem que beijar a virilha). Eu comprei um desses. Tinham uns óleos legais também... Esses óleos que a gente passa lá nas partes? Interrompeu a que estava dirigindo. É esse mesmo: tem uns que são para a mulher colocar lá dentro, quando ela transa com o cara, o óleo explode e o quarto fica com cheiro de chiclete.

Todas acharam que esse não era uma boa comprar. Poderia fazer mal e depois ter que usar aquelas pomadas malditas, dissemos. Tem também aqueles que a gente passa e fica tudo dormente e mais quente. Ah eu sei, disse a outra, aquele que deixa a periquita doidona. Quero comprar um desse, faz tempo que eu quero comprar um desses. Alguém já usou? Dizem que você transa que nem louca se usar isso. Nossa, deve ser o diabo. Boa ideia, vou num sex shop esse fim de semana comprar um desses.

Compro e depois conto para vocês, tem também aquele anel peniano que o cara coloca lá no pinto e você tem duplo orgasmo e...

Elas continuaram falando. Eu comecei a pensar o que seria uma periquita doidona. Achei a expressão engraçada, nunca tinha ouvido nada parecido.

O mais próximo que já tinha ouvido era “bater palmas”. Quando a mulher está muito excitada ela fica com os lábios menores durinhos e latejando. Isso seria o equivalente a “bater palmas” ou ficar com a periquita doidona.

Eu já usei aquelas bolinhas com uma cordinha disse uma delas, ah sei, aquelas que você usa para fazer DP? Ela respondeu que sim. O que é DP? É dupla penetração. Não viu no filme “Cidade de Deus”? A mulher ensinava como fazia com uma banana. Todas caíram na gargalhada.

Mas e aí, como é? É sensacional! Só tem que ter cuidado, principalmente atrás para não se machucar. É, para tomar no cu, tem que ser com carinho, senão dá hemorróidas. Mais uma explosão de risadas.

Voltamos ao trabalho, todas estavam muito animadas e com um olhar de cumplicidade entre elas. Tenho orgulho dessas mulheres. Todas muito bem resolvidas.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O Papa Nicolau





Vou à consulta médica. Minha “gineco” é muito gente boa e sempre saio de lá feliz da vida. A consulta quase sempre vira um bate papo sociológico e biológico sobre a existência feminina e seus atuais anseios e frustrações.

Ela conta que tem de tudo em seu consultório: tem mulher nova, tem mulher “madura”. Tem gestante com 24 anos e com 3 filhos e tem mulher com 45 que é avó, tentando ter mais um. Tem mulher que não pode ter filhos e chora, tem mulher que não quer ter (o) filho e também chora.

E tem eu também! (Perdão, sei que o correto seria “tem a mim”, mas se a Marisa Monte pode usar “beija eu, beija eu”, também posso me utilizar da licença poética e escrever errado, poxa vida).

Minha médica está lendo minha ficha (é por isso que todas as atendentes te perguntam, quando você marca a consulta se é “primeira vez”) e me diz que eu não trouxe o resultado do último papanicolau para ela ver.

Abaixei a cabeça e disse que não levei porque não fiz, dei uma engasgada no meio da frase, porque sabia que ia tomar bronca. Ela não teve dó, disse que não posso fazer isso, que é importante fazer o exame, que a mulher tem que se cuidar e blábláblá.

Fiquei lá ouvindo e concordando com a cabeça, esperando o sermão acabar. Não fiz porque estava com preguiça. Tudo bem que eu trabalhei muito o ano passado, mas às vezes é bom poder ir à medica e dar uma voltinha, ver vitrines e almoçar com uma amiga, não acha? Ah, vai dizer que você não faz isso? Eu faço, é claro, mas só quando não estou com preguiça.

Minha médica me olha e pergunta quando foi a última vez que fiz um exame de colesterol. Olho para ela e torço a boca para o lado. “Huuuum, não sei, mas faz bastante tempo”, digo, já pensando no que me aguardava.

Então vamos aproveitar e pedir um check up! Sempre odiei frasal verb. Por que raios eu precisava de um check up? Eu estou bem, tenho só 30 anos e agora vou ter que fazer check up? Isso é coisa de quem tem 50 anos para cima. É coisa de gente hipocondríaca que adora achar um probleminha e fica aí fazendo os seus check ups.

Ela percebe minha cara de desespero e diz que vai me indicar um laboratório bom e que faz tudo “rapidinho”. Vai ser moleza!

Saio do consultório imaginando o que me aguarda: ultrassom da mama e da vagina, colpocitologia oncótica (o famigerado – papanicolau), exame de urina, exame de sangue (colesterol, triglicérides, tsh, prolactina) e mais um monte de siglas que eu não sei e acho melhor nem saber o que significam.

Ligo no laboratório para agendar todos os exames. A atendente começa a fazer a lista de “preparo” para que seja possível fazer os malditos: 12 horas de jejum, não pode estar menstruada, não pode ter relações sexuais nos últimos dois dias e não pode ter urinado nas últimas duas horas.
Meu Deus do céu! Era muita informação para mim. Ia ter que chegar lá, sem comer, sem “ser comida” e sem fazer xixi. Dá para fazer no sábado, pergunto à moça. Olha, dá sim, mas aos sábados, o laboratório fica bem mais cheio, ela responde.

Desisti de ir no sábado, já ia ser difícil ficar lá, sem comer, sem “ser comida” e sem fazer xixi. Ter que esperar para fazer tudo isso, seria insuportável para mim.

Começa a via crucis pela melhor data: tenho no dia 18 pode ser? Hum dia 18 vou estar menstruada, e dia 21? Dia 21 só tem médico, não tem médica. Ah não, médico não, já é chato ter que ficar em posição de frango assado, vendo a mulher colocar um monte de coisas na sua xoxota e fingir cara de paisagem, ter que fazer isso com um homem, ainda que médico, não dá!

A única vez que fiz exame com um médico eu me arrependi até o último fio de cabelo. Você acredita que o cara elogiou o penteado da minha xoxota? O pior é que eu fiquei brava e sem graça, e quando fico assim, tenho crise de riso. O médico deve ter achado que eu era pirada, porque não conseguia parar de rir, enquanto ele fazia o exame. Não, médico, não dá!

A atendente começa a ficar impaciente: “E dia 24, pode ser”? Ah, dia 24 é segunda-feira, não é? Olha, até daria se meu namorado fosse viajar, mas deixar ele “na secura” um fim de semana inteiro é impossível. Ele vai me seduzir, vou acabar cedendo, melhor marcar para quarta-feira, dia 26.

Penso melhor, dia 27 tenho depilação. É melhor ir lá depilada né? Ninguém merece mexer em mulher com “tufão”. Moça, marca para o dia 28, por favor.

A atendente marca, então, para o dia 28. Não posso praticamente nada. Tenho que ser um robô, sem comer, uns dois dias antes para conseguir fazer os exames. Ela diz também que não posso usar cremes ou duchas vaginais.

O que será que é ducha vaginal, penso comigo. Será que é o chuveirinho de casa? Ah, moça, só fazia isso quando era virgem, fala sério! Essa fase de esguichar o chuveirinho lá no “grilinho” para sentir prazer já passou, qual é?

Talvez não seja isso a tal ducha e acho melhor não perguntar senão a moça vai me xingar. Sinto que ela já está brava comigo.

No dia aprazado, compareço ao laboratório, devidamente depilada, com os “pés esmaltados”, de calcinha nova e sem “dar uma” há mais de dois dias, pronta para ficar em posição de frango assado e fingir naturalidade. Já estava acostumada, ficava conversando com a médica, sobre qual seria “a boa” do final de semana. Fiz todos os exames, como uma boa menina.

A médica que fez o exame, disse que está tudo normal, graças a Deus. Agora, o exame de sangue e o de xixi, preciso aguardar o resultado e levar lá para a médica ver.

Esse ano já estou livre do check up. Thank God, pensei

domingo, 18 de janeiro de 2009

Protocolos


Vida de estagiário de direito não é fácil. De advogado é dificil, mas de estagiário é muito pior.

Você vive tendo que resolver problemas mirabolantes. Tem que ir ao fórum protocolar petição às seis da tarde e tem que voar porque o fórum fecha às sete.Tem que engolir sapos dos seus chefes (geralmente estagiário tem mais que um para agüentar) e dos cartorários e todos os tipos de pessoas desagradáveis que trabalham no funcionalismo público (ok, nem todos são mal educados, mas a sua grande maioria é).

Como eu estagiava no tributário de uma grande multinacional, muitas vezes tinha que viajar pelo Brasil afora, para resolver os pepinos.

Protocolo I

Uma vez precisei ir à Itumbiara (GO). Fui até Goiânia de avião e de lá peguei um ônibus até a cidade. Ao chegar na Rodoviária, fazia tanto calor que seria possível fritar um ovo no asfalto. Dei três vivas por ter ido de saia. Tentei avistar um táxi e não consegui. Perguntei a um senhor onde teria um ponto de táxi.

Ele me olhou de cima abaixo e disse: - Olha dona, aqui não tem táxi não. Só mototáxi. Coloquei a mão na cabeça. É hoje, pensei. Como vou andar de moto se estou de saia. Pior, não queria andar de moto com um desconhecido. Ter que colocar um capacete fedido e me equilibrar enquanto o motorista fizesse curvas ou segurar na cintura dele, não me parecia agradável também. Comecei a ficar desesperada. Por que eu não fiz moda, turismo, qualquer coisa, tinha que fazer direito? pensei.

– O senhor sabe onde fica o Posto Fiscal? – Fica a uns três quilômetros daqui. Três quilômetros! Sentei no banco de cimento que estava ao meu lado e, fiquei olhando para o nada, pensando se encarava a pé, no sol, os três quilômetros, ou se ia de mototáxi.

- Quer uma carona? Ouvi de repente. Ele deveria ter uns 40 e poucos anos. Era um coroa boa pinta e parecia bastante simpático. – Como? Retruquei. – Ouvi sua conversa e percebi que você está de saia. Ele sorriu. Eu também. – Pois é, estava pensando como resolver isso. – Vem comigo, é caminho.

Fiquei feliz, ai que bom, resolvido o problema! Enquanto caminhava até o carro, uma dessas caminhonetes altas e bonitas, fiquei imaginando se o cara não estava sendo simpático demais. Ele poderia ser algum tarado, viu que eu era de outra cidade e eu não sabia nada dele. Fiquei com medo. Eu estava muito longe de casa e se me acontecesse algo, não teria muito como me ajudarem. Olhei para a placa do carro, era de outra cidade. Memorizei os números. Imaginei uma manchete no jornal local: “Estudante de direito é encontrada morta próxima da plantação de café, nos limites de Itumbiara”. Gelei.

Acho que o moço percebeu minha apreensão. – Pode entrar, não vou fazer nada com você não, tenho uma filha da sua idade. Pro inferno, pensei. Agora já estou aqui, vou entrar.

Entrei.
- Você é de São Paulo não é? Sou sim, como sabe? Pela desconfiança. Todo paulista é desconfiado. Falou rindo. Ele dirigiu e perguntou o que estava fazendo lá. Contei. Os três quilômetros passaram em cinco minutos. – É ali ó (apontou o dedo). Agradeci a carona. Protocolei as impugnações e voltei a pé até a rodoviária.

Protocolo II

Não lembro nem o nome da cidade. Também ficava no Estado de Goiás, mas muito longe da capital. Eu teria que dormir lá e perderia dois dias de aula. Estava “estourada” no número de faltas em Processo Civil e Processo Penal e não podia faltar nenhuma vez mais.
Os dois professores faziam chamada. Ia pegar duas DPs. O prazo fatal de protocolo era no dia seguinte. Precisava resolver aquilo e rápido.
- Secretaria da Fazenda, bom dia.
– Por favor, o setor de protocolo.
- Um momento.
Ouço uma música de espera enfadonha. Alguns minutos depois, atendem.
- Protocolo
- Bom dia, com quem eu falo?
- Jorge
- Oi Jorge, bom dia. Sou Ana Paula e trabalho aqui em São Paulo na empresa X. Preciso protocolar cinco impugnações de autos de infração lavrados na cidade XPTO e gostaria de saber se seria possível protocolar aí em Goiânia.
- Não, você tem que ir até lá.
- Puxa Jorge, não tem jeito mesmo? Soube que vocês têm um malote que faz a distribuição para as cidades, será que não posso protocolar em Goiânia e vocês enviam por malote para a cidade? Foi um blefe. Imaginei que seria provável o tal malote, mas não tinha certeza.
- Eu preciso voltar logo para São Paulo, por favor, Jorge.
- É você mesma quem vem?
- Sim, sou eu.
- Eu aceito o seu protocolo se você aceitar almoçar comigo.
Senti que o Jorge estava com segundas intenções. Ele queria me levar para almoçar e depois “me almoçar”. Resolvido o problema do protocolo, pensei. Em compensação ganhei outro pior. Teria que lidar com um homem que tentaria me seduzir.
No dia seguinte, fui até Goiânia. Fui ao setor de protocolo. Eram 11 horas. Procurei pelo Jorge. Aparece o dito. Ele era gordinho e da minha altura. Bochechudo. Usava bigodes, óculos e camisa de meia manga azul clara. Não usava aliança. Devia ter uns 30, 35 anos no máximo. Ele me olhou com cara de safado enquanto se aproximava. Não gostei, mas tentei não demonstrar.
- Olá! Você que é a Ana Paula? Falou todo simpático e sorridente.
- Olá, sou eu sim, tudo bem? Vim protocolar as impugnações e...
- Você já sabe não é? Eu protocolo, mas você tem que almoçar comigo.
Respirei fundo. Já tinha bolado algo durante o voo se o cara fosse querer “algo mais”.
- Huuum sabe o que é? Eu tenho que ir ainda na Fazenda Pública e na Federal. Vou ter que comer um lanche rapidinho e fazer o check in no hotel. Você não prefere jantar?
Quando fiz a pergunta, levantei uma das sobrancelhas e sorri de canto de boca. Estava usando meu charme. Vamos ver se ele cairia.
- Jantar? Ele sorriu.
- Sim, vou embora só amanhã de manhã. Tenho que despachar com um juiz e não vou conseguir voltar ainda hoje. Podemos jantar, o que você acha?
Não sei o que passou pela cabeça dele e nem quero saber. O homem estava mesmo empolgado.
- Ótimo, em que hotel você vai ficar?
- No Íbis.
- Ok, que horas eu te pego lá.
- Às oito, respondi.
Ele pegou as impugnações e virou de costas. Respirei fundo. Ele se voltou, com as impugnações nas mãos e me olhou.
- Qual o seu celular?
- Ah sim, anota aí. Falei sorrindo. Ele sorriu de volta
Me entregou as impugnações protocoladas.

Saí da Secretaria da Fazenda. Almocei. Peguei o avião e às oito da noite estava respondendo chamada na aula de Processo Civil em São Paulo.

Percebi que na vida, vale muito mais ter jogo de cintura do que saber de cor qualquer lei ou doutrina.

Dois anos depois, me liga uma colega de trabalho, me perguntando como eu tinha conseguido protocolar as impugnações em Goiânia e não na cidadezinha. Havia sido proferida a decisão nos processos administrativos e agora seria preciso protocolar os recursos.

- Ah, fala com o Jorge do protocolo. Mas, cuidado, ele vai te chamar para sair, eu disse.

No mês seguinte, nos encontramos para um happy hour. Ela disse que tinha falado com o Jorge e ele, muito estúpido, disse que não iria protocolar droga nenhuma. Ela que fosse até a cidadezinha. Pobre Jorge, pensei. Acredita em tudo que ouve.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Bits, Bytes, Bodys and Blogs


Eu achava que entendia de Internet. Sempre coloquei no meu currículo, “pacote office e Internet”. Afinal, com o google aí, sempre disponível a um click, você não precisa ser um gênio para “navegar na rede” - quando começou essa onda de navegar na rede, achava que “navegar” ,“rede” e “Internet” não combinavam muito, afinal você navega no mar. Seria a Internet um mar de informações? Se assim fosse, estaria resolvido. Será que nosso amigo Fernando Pessoa, continuaria afirmando que “navegar é preciso, viver não é preciso”[1] se soubesse que atualmente utilizamos a Internet como meio de navegação mais popular?
Ouso dizer que sim, pois se Pessoa achava muito importante criar, a internet faz isso o tempo todo, ainda que não seja assim, tão fácil.

Descobri que não sei nada de Internet desde que comecei com essa história de blog. Tenho uma amiga, a Juliana, que tem me ajudado bastante a aprimorá-lo. Eu estava falando com ela pelo msn e mandei o link do blog, pedindo a opinião dela. Ela ficou surpresa com a notícia. Já vinha ensaiando o lançamento do cafofo há alguns anos, mas sempre tive muito receio das pessoas não gostarem e também muita preguiça, porque sabia que passaria por esses contratempos tecnológicos.

- Você já instalou um contador? A Jú perguntou
- Hã?
- É contador, um “programinha” que mostra quantas pessoas estão entrando no seu blog, de onde elas são, como chegaram até ele, etc.
- Nossa, nem sabia que existia isso! Vou procurar, tem no google?
- Tem sim.
- Por falar em google, você já “anunciou” seu blog no google?
- Xi Ju, eu sou “virgem” de blog, não tenho nem noção
- Calma aí que eu te mando.

Cinco minutos depois ela me mandou os links de como fazia para instalar o contador, como fazia para “anunciar” no google, yahoo, tudo explicado passo a passo.

- Você precisa entender um pouco de html. Você conhece? Eu ria sozinha. Caramba, eu não era virgem, era mesmo uma freira! Nunca tinha ouvido a palavra “html” antes na vida. Parecia mais símbolo da tabela periódica. Tem a prata, (argentum – ag), o chumbo (plumbum – pb) e também o html.
- Não conheço, mas vou fuçar.

Fiquei lá, tentando instalar o maldito contador até a meia noite. Eu tinha conseguido copiar as informações no site do contador e agora precisava colar no lugar certo desse html. As instruções diziam que eu tinha que colar num tal de body. Eu encontrei o body colei e não pareceu tão difícil assim.

No dia seguinte falei com a minha amiga. Disse que tinha instalado, mas não estava aparecendo nada de diferente no blog.
- Você não colocou no body.certo.
- Como assim, tem mais de um?
- Tem, dá uma olhada.
- E agora, eu preciso excluir primeiro o que colei no body.errado?
- Mudou alguma coisa? Ela falou?
- Não.
- Ah, então deixa lá. Se você apagar algo errado é pior.
- ok vou procurar o outro body.
- Jú, não achei.
- Posso te mandar por e-mail, e você me mostra onde é?
- Pode

Mandei por e-mail para ela todo o meu html. Aquilo era pior que braile: um monte de código, com parênteses, colchetes e outros símbolos misturados com palavras escritas em inglês. Resumindo, uma zona.

- Olha Jú, mesmo com o e-mail eu não sei colar isso. Não sabia se colava dentro do body, ou fora dele.
- Quer me dar sua senha eu colo e depois você troca?
- “Mi casa, su casa”
Dei a ela as chaves de minha humilde residência: o login e senha do cafofo. Ela limpou os pés ao entrar e arrumou a bagunça feita por mim.
- Prontinho, instalei, dá uma olhada.

O negócio é legal! Você sabe mesmo um monte de coisas. Soube, por exemplo, que tinha tido 8 acessos naquele dia. Que todos eram do Brasil e que nenhum foi por outra fonte da Internet. Também pudera, não sou boa nesse negócio de marketing.

- Jú, obrigada, você é um amor.

Desliguei o computador e fui deitar. Já eram mais de 11 horas da noite. Na cama, fiquei pensando que coisa doida era esse nosso tempo. Eu conheci a Juliana pela Internet, nunca a tinha visto pessoalmente. Quando a conheci, ela morava no Canadá com o marido, que é canadense. Depois voltou ao Brasil e virou empresária no Paraná. Ela sabe coisas de mim que não conto para mais ninguém e confio nela a ponto de dar a ela as chaves do meu cafofo, sem ao menos termos tomado uma cervejinha juntas.

Ela tem a minha idade, o meu signo e um bom humor incomparável. Já nos conhecemos há pelo menos uns 3 anos. A era digital é realmente fantástica. A Jú também.
[1] A frase acima não é de Fernando Pessoa, mas sim de antigos navegadores. Ele, no entanto, a imortalizou ao escrevê-la em seu poema.
Navegar é Preciso
Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso".
Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:
Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.
Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.
Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.
É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Todo chefe é chato (ponto final)


Todo chefe é chato. Por chefe, leia-se homem ou mulher. Talvez a culpa não seja dele. Mas não tem como achar legal quando ele te pede, no fim do expediente, um trabalho urgente para o dia seguinte e que deve ser entregue ainda na parte da manhã. Por mais que ele seja educado na hora de pedir e explique a urgência, você não vai gostar. Principalmente se já tinha planos de sair com as amigas para um happy hour, ou estava num daqueles dias em que só quer ir para casa e descansar. Tem chefe que, acho que pelo fato de ser chefe há muito tempo, ou porque é autoritário mesmo, não está nem aí. Te pede o trabalho e você que se dane. Não fica nenhum pouco preocupado com você, afinal, sob a ótica dele, você está lá para isso e se não estiver satisfeita, que procure outra coisa. Tem chefe que é chato no horário comercial. Tem outros que são chatos por vocação. Os chatos no horário comercial são aqueles que você conseguem manter uma relação saudável depois do expediente, consegue sair para tomar uma cerveja ou até encontrá-lo, eventualmente, aos finais de semana. Ele é chato, na verdade, por algum detalhe: é centralizador, ou talvez muito detalhista, por exemplo. Talvez ele nem perceba, quem sente isso é só você. Você se acostuma a ele porque também não é perfeito. Quando ele deixar de ser seu chefe, vocês podem ser até amigos. Agora, o chefe chato por vocação, já era chato antes de virar chefe. Esse tipo, com certeza foi zoado a vida inteira e, agora quer descontar em seus subordinados toda a frustração de uma vida. Para esses a convivência às vezes beira o insuportável. E o pior é que você não tem muito como fugir, porque vai reclamar para quem? Para ele, não dá. Para seu colega de trabalho pode ser um tiro no pé, por que a história pode se espalhar e você ter que começar a olhar os anúncios de emprego. Existe também o “chefe chato-banana”. Esse é chato porque todo mundo manda nele, menos você. Seu trabalho fica ruim porque como ninguém quer trabalhar, todo mundo despeja o trabalho nele. Como ele é chefe, quem vai fazê-lo é você. Para o chefe banana, vale a pena começar a dar uns toques. Ele só é chato porque não tem pulso firme. Tem também o chefe chato-folgado. O chefe folgado, além de ser chato por ser seu chefe, ele abusa do seu poder hierárquico para que você faça o trabalho dele. Você até faz por um tempo, mas depois começa a ficar mais esperto e dá umas indiretas para ele se ligar. Se não adiantar, é melhor procurar outra coisa. Chefe folgado também é dureza e você pode não agüentar. Você talvez conheça o chefe chato-manipulador. Você nem percebe e faz tudo que ele quer. E o chefe chato-safado. Toda vez que você vira de costas ele olha para sua bunda e acha que você não sabe. Tenho mais tolerância com o “chefe chato-mulher”: elas têm menos tempo em cargos de liderança e não têm tantos exemplos onde se espelhar. Explico: as mulheres trabalham já faz um tempo, mas só agora é que estão tendo cargos de liderança. Se bem que, hoje em dia, existem cursos de liderança e de gestão de pessoas que podem ser feitos. Mudei de idéia: não tem desculpa, “chefe mulher” também é chato. Todo chefe tem um chefe. Às vezes, o problema do seu chefe, pode estar no chefe dele, e você nem desconfiar, ou você acha que o seu chefe vai falar mal do chefe dele para você? Ele não é louco, muito menos bobo. Sabe que você pode usar isso contra ele e quem vira chefe é você. Você já pensou que tipo de chefe você quer ser? Sim, porque um dia você vai ser um. Tenho medo até de pensar. Como será que os meus subordinados vão me classificar? Eu aceito todos os chefes chatos, menos o chato por vocação. Esse ninguém merece.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Papo de elevador

Já reparou como é chato andar de elevador? Eu sei que não poderia falar isso porque trabalho em uma empresa que fabrica elevadores, mas, sinceramente, são minutos de sua vida jogados fora. Você olha para as pessoas e fala “bom dia”, “boa tarde”, “tudo bem?”, “olá” e fim. Não é legal ficar conversando no elevador. Eu nunca gostei porque todo mundo escuta a sua conversa. Tem gente que não liga. Quando junta um monte de mulher então, socorro. Todas falam ao mesmo tempo e riem (alto). Você mal as conhece, só fala de trivialidades com elas, e tem que ouvi-las falando besteiras. Pior, tem que dar aquela risadinha amarela para não passar por antipática, nem anti-social.

Todos se sentem incomodados em andar neles. Essa, pelo menos, é a minha sensação. Eu torço para que acabe logo. Adoro quando o elevador faz aquele barulho “trim”: chegou! Desço feliz. Volto a respirar normalmente. Quando alguém quer puxar conversa, começa logo falando do tempo. “Será que vai chover”, “ah, tá com cara viu, vi no noticiário que as chances de chuva no fim do dia são de 70%”.

Quando o elevador tem espelho, você pode, pelo menos, dar uma conferida no visual. Dá uma arrumadinha no cabelo, vê se o batom não borrou se a sobrancelha está em ordem. 100% das mulheres fazem isso. Os homens também olham, mas é muito mais rápido.

Dia desses, entrei no elevador do trabalho, de manhã, e estava lá um colega. Ele era gerente, um cara gente boa. Pelo menos até aquele momento. Deu uma olhadela no meu livro. “Como chama?”, perguntou, virando a cabeça para tentar ler o título. “Ah, é o ‘Evangelho Segundo Jesus Cristo’, do Saramago, conhece?”Virei o livro para ele e falei, toda feliz. Ele, então, solta a frase que o fez zerar no meu conceito: “Não sabia que você era evangélica!”

Fiquei olhando para a cara dele. A minha felicidade se esvaiu. Não sabia como responder. Como, um cara que trabalha numa multinacional, não sabe quem é José Saramago? Pensei. Pior! Como, um cara como ele, poderia imaginar que eu era evangélica pelo simples fato de estar lendo um livro que tinha “evangelho” e “Jesus” na capa. Alguém pode me dizer, como? Imagina se eu estivesse lendo Anjos e Demônios do Dan Brown? Ele iria perguntar se eu era exorcista?

Respondi que não. Não era evangélica. Não tinha nem religião, para ser sincera. Disse que, na verdade aquele livro dava uma abordagem bastante humana de Jesus e que o autor criticava Deus o tempo todo por fazer seu filho, sofrer muito, só para que Seu nome ficasse eternizado no mundo.

Ele levantou as sobrancelhas. Nossa, deve ser legal, respondeu. É, é legal sim, respondi. E esse Saramago, é famoso? Nunca ouvi falar dele. Ah não? Ah, um pouquinho, ele é português e ganhou o Prêmio Nobel de Literatura com esse livro em 1998. Tem diversos livros publicados, um deles, o meu favorito, “Ensaio sobre a Cegueira” virou filme. Ah, ouvi falar desse filme, acho que vou ver então. Veja sim.

O elevador fez “trim”, o cara desceu. Balancei a cabeça, tentando esquecer o que aconteceu. Ele nunca ouviu falar do Saramago, penso comigo. Simplesmente o meu maior ídolo. Esqueci de perguntar que livro ele estava lendo. Deveria ser aquele “Quem mexeu no meu queijo” (não sei o nome do autor e nem quero saber). Dou uma risada sarcástica. Ana Paula, você é muito má.

Prefiro falar sobre o tempo. Dá próxima vez, assim que eu entrar no elevador, vou perguntar se vai chover. Desse jeito não tem erro.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Por que os homens buzinam?


Eu não tenho carro. Eu tinha um, mas resolvi vendê-lo. Quando fui morar sozinha, achei que seria mais inteligente vender o carro, alugar um apê perto de um metrô e aplicar o dinheiro para, um dia, comprar o meu próprio cafofo.

Como não tenho mais carro, passei a caminhar todos os dias, ao menos 30 minutos, o que ajudou a endurecer um pouco a bunda. Achei ótimo. Estava treinando corrida numa academia, mas desde que mudei para o cafofo, estou enrolando para me matricular em outra. Isso faz mais de um ano. Por isso mesmo, a caminhada passou a ser importante.

Eu me considero bonita. O processo de auto-aceitação foi longo, mas agora, aos 30 anos, vejo que ser magricela é uma vantagem (e com o tempo percebi que esse é o sonho de qualquer mulher: comer e não engordar). Creio que fiz alguma coisa certa na vida anterior para ser contemplada com isso: posso comer uma pizza inteira de frango com catupiry, acompanhada de uma cerveja à noite, que não engordo. Claro que não faço isso, digo, não como uma pizza inteira. A cervejinha eu tomo, ainda mais quando está esse calor absurdo.

Eu me considero bonita, mas já adianto que não sou linda, e por ser magra não sou do tipo gostosona: não tenho bundão, peitão, pernão, nada disso. O meu único AO é o cabelão, que mantenho por insistência do namorado. É quase estratégico: como não gosto muito de receber ordens dele, toda vez que ele resolve querer mandar em mim (parar de sair com as amigas aos finais de semana, falar menos palavrão, ter menos amigos homens, etc), eu falo: está bom, mas, se eu fizer isso, corto o cabelo. O cabelo sempre vence, e eu também.

Eu me considero bonita, mas não sou nenhuma mulher de parar o trânsito. Mas preciso dizer uma coisa: invariavelmente, ao caminhar até o trabalho, recebo uma “buzinada”. Buzinada de caminhão, buzinada de ônibus, de moto, de carro. Nesse último, tem as mais diversas variações: carros chiques, carros feios, carros velhos, carros novos.

Ainda não consegui entender por quê os homens buzinam. Perguntei ao meu namorado: “amor, por quê os homens buzinam?”, Ele respondeu com outra pergunta: Por quê você está perguntando isso?”, “Curiosidade”, respondi. Ele perguntou: “por quê, você está recebendo muita buzinada?” “Responde logo”, retruquei, ele começou a resmungar (quando faz isso é porque está com ciúmes) e disse que ele não buzinava.

“Ok, acredito em você, mas ainda não respondeu, por que os homens buzinam?” “Para chamar a atenção, ele respondeu”. “Atenção?” Perguntei. “É, para você olhar para ele, para o cara se sentir desejado, por diversão, sei lá. Homem é escroto, já te disse”.

A conversa acabou assim. Ele não estava gostando do rumo da prosa e resolvi mudar de assunto.

Hoje de manhã, quando vinha trabalhar, recebi uma buzinada o assunto voltou à tona na minha cabeça. Por que os homens buzinam? Deve ser mesmo para chamar a atenção. Mas buzinam para qualquer uma, ou tem critério de seleção? Basta estar andando, na rua e pronto, ganha uma buzinada? Já recebi buzinada acompanhada de outras amigas, logo, não é preciso estar sozinha para receber uma.

Algumas vêm seguidas de beijo. Os caras buzinam e mandam beijo. Não é bizarro? O fulano nem me conhece, não sabe nada de mim, mas se sente íntimo o bastante para me mandar um beijo. Percebo que talvez o fato de estar mais velha ou de usar roupa social inibe investidas mais vulgares. Quando era mais novinha, ouvia vários absurdos (eu quase sempre respondia indignada: “vai falar isso para sua irmã, seu animal”). Hoje em dia, os buzinadores se tornaram mais cautelosos. Acho que devem ter receio pelo simples fato de que, exatamente por não saberem com quem estão lidando, devem ter medo de se encrencarem. É só uma teoria que desenvolvi, não tem fundamentação jurídica, nem social, nem psicológica.

Será que é um fenômeno mundial? A globalização passou a interferir também na buzinada de outros países, ou será que é só uma tradição tupiniquim, pensei. Os americanos não devem buzinar com medo de serem processados. Ser advogado lá deve ser uma maravilha, penso automaticamente: o que não falta é processo. Os italianos buzinam, com certeza. Talvez seja de lá que herdamos a tradição do “fom fom”. “Italiani sono tutti coglioni”[1], diria meu professor de italiano.

Acabo de receber um e-mail, uma amiga vendeu o carro, para comprar outro. Vai aproveitar a redução do IPI para comprar um novo mais barato. Andará de metrô, como eu, até lá. Ela não sabe ainda, mas vai voltar a ser alvo das buzinadas. O fato é que os homens buzinam, ponto final. Pelos meus anos de buzinada passiva, percebi que os buzinadores são de todas as classes sociais e de todos os perfis: do playboy ao pobretão, do roqueiro ao pagodeiro. Eles buzinam porque gostam, concluo. Assim como as mulheres comem chocolate porque é gostoso.

Não deve ter explicação científica. Não passa de uma bobagem quotidiana. Acho que vou levar esse tema no próximo happy hour feminino. E viva o cabelão!
[1] Os italianos são todos idiotas

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

A dor e a delícia de morar sozinha


Vou te contar um segredo. Sempre quis morar sozinha. Não que minha casa fosse ruim, pelo contrário. Mamãe e papai sempre me trataram com muito amor e carinho.

Saí porque fiquei para titia. “Ficar para titia” e morar com os pais fere a dignidade de qualquer ser humano. Me desculpe se você se enquadra nessa situação, mas você sabe que é verdade.

Morar sozinha é bom pra caramba. Você chega e está tudo exatamente do jeito que você deixou. Você pode andar só de calcinha pela casa, ou mesmo pelada (só precisa tomar o cuidado de fechar as janelas para não virar a atração do prédio em frente).

Você toma banho se quiser, escova os dentes se quiser. O CONTROLE REMOTO É SÓ SEU! É você quem manda na programação e pode assistir àquele filme romântico, bem água com açúcar sem ter que ouvir seu pai e seu irmão reclamando que começou o futebol. Você pode chorar nas cenas mais emocionantes que seu irmão não vai falar: “Ih, pronto, parece uma manteiga derretida, pai vem ver, a Ana está chorando por causa do filme de novo”. Meu pai nem se dá ao trabalho e grita, da cozinha mesmo. “Mulher é tudo boba, não liga não...”

Você pode chamar suas amigas, pedir uma pizza, abrir um vinho e ficar horas falando de sexo sem ter que se preocupar se tem alguém ouvindo. Se alguma delas beber demais, ela pode ficar por ali mesmo e ir embora no dia seguinte, sem crise.

Se você tiver namorado ele pode dormir com você. Se você não tiver, também pode levar quantos caras você quiser (quem vai comentar é o porteiro, mas é só dar um panetone ou vinho no fim do ano que fica tudo certo). Enfim é a maior curtição.

Mas vou dizer uma coisa, como tudo na vida, morar sozinha também tem seu lado ruim. Você descobre que comida não aparece pronta na geladeira. Que roupa não brota lavada e passada no armário e, principalmente, que casa não tem tecla auto-limpante.

Se você não tem dinheiro para contratar uma empregada, se prepare. Separe pelo menos um ou dois dias da sua semana para os afazeres domésticos.

O pior mesmo é se você tem pesadelo e acorda assustada no meio da noite. Abre os olhos e vê que está lá sozinha, é só “você e você”. Não tem escapatória. O jeito é se acalmar sozinha e voltar a dormir. Filme de terror então, nem ouse. Com certeza você vai passar por maus bocados e não vai pegar bem ligar para a mãe ou para o namorado e dizer: “to com medo!” Para morar sozinha, tem que ser corajosa.

Duro é quando queima o chuveiro. Daí é um problema. Você pode chamar o zelador do seu prédio, ou o seu pai, seu namorado, ou um gatinho, caso queira arrastar alguém para sua casa. Só não vai tentar fazer isso sozinha, por favor...

Outro dia estava lavando o banheiro e vi que o chuveiro estava “empoeiradinho”. Vou passar um paninho úmido nele, pensei. Sorte que eu estava de havaianas. Tomei um choque tão grande que não senti minha mão por pelo menos uns 3 minutos, que medo! Chuveiro, nunca mais...

Mas o pior está por vir.

Procuro deixar a casa sempre limpa. Passo baygon nas janelas e nas portas a cada quinze dias para evitá-las, mas às vezes é impossível. Um dia, entrei na cozinha à noite para tomar água e não acendi a luz. Na pia, tinha uma garrafa de long neck de uma cerveja que tinha tomado no jantar e estava vazia. Achei engraçado aquela mancha marrom na pia. Será que derrubei cerveja, pensei. Reflexo da garrafa não é porque a luz está apagada. Balancei a garrafa e a mancha correu para cima de mim.

Saí correndo e gritando, meu coração veio na boca. A maldita ainda veio para o meu lado, ao invés de correr para outro canto. Não acredito, tem uma barata na minha casa, pior na minha cozinha, pior ainda, em cima da pia, ai que nojo!!! Socorro, e agora, pensei. Quem vai matar, eu que não vou.

Liguei para o meu namorado. Ele me deu todo apoio moral, mas disse não iria até em casa para matá-la. Não ia ter jeito, teria que ser eu mesma. Pedi para ele ficar comigo no telefone. Peguei o baygon. Na hora lembrei da metamorfose kafkaniana e dei graças a Deus por pessoas não virarem de verdade aquele bicho asqueroso.

Acho que demorei muito para procurar o veneno, a bichinha, sentindo-se acuada, se escondeu em algum lugar. Imediatamente corri para meu quarto, fechei a porta, coloquei um pano na porta e joguei baygon em todos os cantos. Aqui ela não entra. Amanhã meu namorado a encontra e acaba com a festa dela, pensei.

Dormi e sonhei que tinham várias baratas subindo pela parede do meu quarto. No dia seguinte eu e meu namorado caçamos a barata e não encontramos nem rastro dela.

Não sosseguei, fiz uma faxina daquelas na casa, tirei tudo dos armários, de baixo da pia, passei baygon na casa e tive que sair para não morrer intoxicada. Nenhum sinal da bichinha.

Procurei na Internet. Descobri que baratas fazem reprodução sexuada, ou seja, não criam baratinha sozinhas, precisam copular um macho e uma fêmea para terem uma família, Aff, ainda bem pensei.

Ela já foi embora, disse meu namorado. Esquece, passou. Ta bom, mas só por garantia não entro mais na cozinha com a luz apagada e sempre fecho a porta do quarto.
Voltar para a casa dos meus pais por causa de uma barata não dá. Não tem conto kafkaniano que me faça voltar.

As aventuras de uma barata no Cafofo da Ana


Era uma sexta-feira à noite. Sei disso porque a moradora do 315 demorou a acender a luz, como ela costuma fazer às sexta-feiras. Dei uma volta na redondeza, não encontrei qualquer sinal de comida. Odeio essas coisas de crise. As pessoas param de desperdiçar tudo, inclusive comida. Droga, vou ter que me arriscar em outro lugar.

Acho que vou tentar a vizinha. Sei que vai ser dureza. A vizinha sempre joga aquela coisa na casa que tem um cheiro ruim. Deve ser o perfume dela. Não é a toa que o namorado dela só aparece de vez em quando, coitada. Não conseguiu procriar ainda. Já tive 15 filhos e a coitada, nada.

Dou uma cheirada no vão da janela, antes de entrar. Tá limpeza, ela pensou. Nem sinal do cheiro ruim. Vou direto para a pia, geralmente há algumas migalhas por lá. A cozinha está escura. Já deve estar dormindo, por isso é encalhada coitada, ninguém deve agüentar essa moça. Se não fosse uma barata daria uma dicas para ela. Mas já sei que se ela me vir, vai gritar. Já não me abalo mais, nem tenho medo. Só fico esperta quando aparecem com um sapato ou aquele spray fedorento.

Não acredito! C E R V E J A! Nossa, não tomava isso há muito tempo. Nem me lembro quanto. Essa vizinha deve estar deprimida. Está se embriagando sozinha, coitada. Alguém precisa mesmo tomar alguma providencia para ajudá-la.

Vou tomar de pouquinho para saborear porque não tem muito. A vizinha gosta de cerveja preta, a minha preferida. Se não fosse o cheiro, me mudava para cá. UHU, sensacional. Agora já estou molinha, não sinto mais meu casco, que gostoso.

Xiii, a vizinha apareceu, esta tomando água, vou ficar quietinha para ela não me ver. Xiii, acho que ela me viu, justo agora que estou bêbada, ela aparece? Ela esta se aproximando, vou ter que atacar se ela chegar mais perto. Vruuuuuuuuuuuuuum, ataquei. Hahahaha ela tem medo de mim, foi só correr na direção dela que ela saiu correndo. Vou me esconder aqui embaixo do fogão que já tracei minha rota de fuga.

Lá vem ela de novo. Nossa que burra, nem sabe me matar, precisa falar com o namorado. Beleza, só amanhã eles vão me procurar, vou esperar a baranga dormir e vou terminar o meu drink, afinal, não é todo dia que tem cerveja preta no menu.

Nossa, bebi demais, to zonza, vou embora antes que durma aqui e eles me encontrem amanhã. Tchau vizinha, valeu hein. Vou voltar mais vezes, dexacomigo!

No dia seguinte dei uma olhada pela janela, a vizinha estava me procurando. Tsc tsc, não vai achar nem sinal. Nossa, ela soltou o spray. Nossa, ela empesteou a casa, teve até que sair. Não vou poder voltar até a próxima semana. Essa vizinha é muito neurótica, credo. Para a casa dela, só volto agora durante o dia, enquanto ela não estiver.

Chegar lá


Sempre ouvi minha mãe dizer que um dia eu chegaria lá. Meu pai reforçava o discurso e dizia que se eu fosse uma boa menina e fizesse tudo direitinho, ah, com certeza, daria tudo certo e eu conseguiria chegar lá rapidinho.

Pois bem, quis fazer tudo tão direitinho, que acabei fazendo Faculdade de Direito. Tudo bem que não fiz no Largo São Francisco, como é o sonho de 10 entre 10 alunos de direito, mas o Mackenzie também é uma ótima faculdade e foi o lugar onde conheci meus melhores amigos, os quais tenho contato até hoje.

“Ter contato” pode parecer um pouco efêmero. Eu diria mais, são as pessoas que já me viram em condições duvidosas (nos Jurídicos), que sabem o quão chata e mal humorada eu posso ser, mas mesmo assim, continuam me chamando para sair.

O plano estava indo bem, fiz bons estágios e arrumei bons empregos. Não ganho mal, considerando que hoje em dia tem mais advogado que árvore na rua, mas ainda falta alguma coisa. Eu não sei exatamente o quê (mentira, sei sim, uma casa na praia, dessas com deck de frente do mar, um veleiro, muito dinheiro para comprar uns 500 sapatos e algumas viagens sensacionais), mas vou levando a vida.

Outro dia, ao falar com minha mãe pelo telefone, contei que fui promovida e que as coisas estavam melhorando. Estava tudo dando certo. Ela virou e veio de novo com a história: “viu, você está quase chegando lá” disse, toda orgulhosa.

Ao desligar o telefone fiquei pensando o que significaria “chegar lá”. Seria algo palpável, como, por exemplo, ser gerente ou diretora jurídica de uma multinacional, usar roupas maravilhosas e dizer “isso você pode e isso você não pode fazer” aos outros diretores?

Ou seria algo menos palpável, um sentimento de “missão cumprida”, de olhar para trás e achar que foi bacana o trajeto e que nesse momento eu estaria plenamente satisfeita?

Perguntei aos meus colegas de trabalho. Quase todos confessaram que “chegar lá” era possuir uma posição de status na profissão, carro do ano, mulheres bonitas e dinheiro no banco. As mulheres diziam, que seria conciliar a carreira de mãe, de profissional e de esposa. Verem crescer seus filhos e terem uma boa aposentadoria.

Eu concordo com a parte da aposentadoria. Confesso que sempre tive pavor de viver nas costas dos filhos que um dia eu poderei ter. Assim, desde os 25 anos, eu pago duas previdências privadas. Quero ter uma velhice tranquila e feliz. Quero chegar na loja da CVC e os atendentes sorrirem e dizerem. “Olá dona Ana Paula, tudo bem com a senhora? Olha tenho um pacote ótimo para você. Vai sair um cruzeiro pela costa brasileira e vai ser sensacional. Melhor que o último que a senhora fez o mês passado, vamos fechar?”

Confesso que com o restante, ainda estou em dúvida. Não sei o que realmente significa “chegar lá” para mim. Talvez mudar de profissão. Talvez virar empresária ou escritora. Talvez engravidar e ser mãe. Talvez ser diretora jurídica, ter uma sala só para mim, com banheiro privativo.

De todo modo, parece que quando eu lá chegar, vou ser muito feliz. Espero que não demore muito. Eu já sou feliz, mas, ser muito feliz é sempre melhor.
UPDATE: Hoje, em 24/03/09 sinto que cheguei lá. A sensação é aquela dos 5 minutinhos finais do filme "A procura da Felicidade". Dificíl explicar, só quem sente, sabe!

O incrível Ricardinho


Ricardinho é um personagem que está no livro do Vargas Llosa e que é apaixonado por uma mulher, desde os seus 10 anos de idade. Ok, e daí? Você deve estar se perguntando.

O que me chamou a atenção no Ricardinho está na página 30 do livro. Quando ele finalmente vai transar (fazer amor é brega, vamos combinar?) com a sua adorada, ele recita um poema chamado “Material Nupcial” do Pablo Neruda[1]. Eu já conhecia o poema, porque adoro o Neruda.

Comprei uma vez aqueles pocket books com os poemas mais famosos dele e me encantei com o que li. Está na minha lista de desejos do site submarino, uma coleção completa dele e vou comprar assim que meu cartão de crédito permitir, é claro, e isso só vai acontecer depois que eu pagar todos aqueles sapatos que comprei no fim de ano (foram 09 pares no total) e que eu, induzida pelo clima natalino e pela vendedora simpática que ficava repetindo: “a gente parcela em 5 vezes, compra sim, você merece”. Comprei... Agora chega, vou falar do Ricardinho.

Então menina, o Ricardinho declama o poema enquanto transa com a moça. Na hora em que li isso, fiquei arrepiada. Será? Pensei perplexa. Será que existe homem assim? Eu nunca conheci nenhum e olha, apesar de não ter transado com tantos caras assim, todos os que passaram pelos meus lençóis, nenhum nunca, jamais, declamou um poema para mim assim, na hora do “vamos ver”.

Meu namorado atual consegue ser doce (quando quer, é claro) e gentil, mas nunca declamou um poema para mim, ainda mais no momento imediatamente anterior de transarmos.

Depois do susto, comecei a pensar se eu iria mesmo gostar de ter um Ricardinho na minha cama. Será que depois de declamar o poema ele pediria, delicadamente para eu abrir as pernas? “Amor, você poderia abrir as perninhas para eu enfiar o meu pauzinho na sua xoxotinha?” Será que ele diria algo assim, ou na hora do ato ele seria másculo e viril, me pegaria pelos braços e me faria gemer mais do que mulher quando está em trabalho de parto? Ou será que ele continuaria meigo e gentil, mexeria devagarzinho e de forma enfadonha, fazendo eu olhar para o teto e fingir um orgasmo (sim, meu amigo, as mulheres fazem isso).

Agora eu fiquei na dúvida. Eu sempre achei que só os gays fossem sensíveis como as mulheres e que para os homens só existissem o “8 ou o 80”. Sem meio termo. Sem falsas ilusões.

Reli o trecho do livro. A moça que está com o Ricardinho parece um saco de batatas. O autor deixa claro que ela não está curtindo aquela transa. Ela parece não gostar dele (digo isso porque ela pode estar reprimindo o sentimento e não quis se declarar, ou mesmo pode gostar dele, só que ainda não reparou). Isso às vezes acontece.

Ela não está gostando. Como é mesmo o nome dela, não lembro agora. O livro não está aqui perto. O nome dela é irrelevante. Ela é uma puta sortuda e não aproveita direito o Ricardinho que está lá, em cima dela, tentando dar o melhor de si.

Acho que o Ricardinho é o verdadeiro príncipe encantado (ele, aparentemente, parece ser sensível e delicado na hora que tem que ser e um “macho copulador” na hora que tem que ser). Eu nunca vou saber se ele é assim mesmo. Ricardinho são apenas palavras escritas e, no mundo das palavras, você consegue deixar tudo perfeito. É só ter boas idéias e um bom corretor ortográfico.

[1] Poema Material Nupcial de Pablo Neruda

De pie como un cerezo sin cáscara ni flores,especial, encendido, con venas y saliva,y dedos y testículos,miro una niña de papel y luna,horizontal, temblando y respirando y blancay sus pezones como dos cifras separadas,y la rosal reunión de sus piernas en dondesu sexo de pestañas nocturnas parpadea.
Pálido, desbordante,siento hundirse palabras en mi boca,palabras como niños ahogados,y rumbo y rumbo y dientes crecen naves,y aguas y latitud como quemadas.
La pondré como una espada o un espejo,y abriré hasta la muerte sus piernas temerosas,y morderé sus orejas y sus venas,y haré que retroceda con los ojos cerradosen un espeso río de semen verde.
La inundaré de amapolas y relámpagos,la envolveré en rodillas, en labios, en agujas,la entraré con pulgadas de epidermis llorandoy presiones de crimen y pelos empapados.
La haré huir escapándose por uñas y suspiros,hacia nunca, hacia nada,trepándose a la lenta médula y al oxígeno,agarrándose a recuerdos y razonescomo una sola mano, como un dedo partidoagitando una uña de sal desamparada.
Debe correr durmiendo por caminos de pielen un país de goma cenicienta y ceniza,luchando con cuchillos, y sábanas, y hormigas,y con ojos que caen en ella como muertos,y con gotas de negra materia resbalandocomo pescados ciegos o balas de agua gruesa.

Advogada x Advogata


Os homens em geral, sabem fazer a distinção entre uma mulher bonita e uma mulher normal. Logo, saberiam fazer a distinção entre a advogada e a advogata.

De todo modo, vou tentar demonstrar a diferença entre essas duas mulheres para que, você, quando encontrar com elas, saiba quem é quem.

Advogada é o feminino de advogado. Apesar desse cinismo que paira no mundo contra a classe (ainda que alguns e algumas mereçam a fama), as advogadas são pessoas dotadas de sensibilidade e ternura. A advogata também, mas ela, no entanto, precisa saber se livrar de figuras indesejáveis que, vira e mexe, acabam sendo atrevidos e impertinentes.

A advogada usa terninho, a advogata usa tailleur. A advogada usa óculos. A advogata usa lentes para poder usar a maquiagem e destacar os olhos com lápis preto ou marrom.

A advogada nem sempre é magra. A advogata controla o peso e tem o corpo avantajado, o que os homens popularmente denominam de “gostosa”.

A advogada é muito inteligente adora escrever peças, ir ao fórum e fazer muito bem o seu trabalho. A advogata também, mas quando ela passa, invariavelmente todos os homens dão aquela viradinha tradicional para conferirem a “ala traseira”. Você, homem, sabe muito bem do que eu estou falando. Parecem até a coruja do relógio de sala: olham para um lado e depois para o outro. Perguntei para um advogado se eles fazem isso de propósito ou se era sem pensar. “É instintivo ele disse”. Poderia ser instintivo puxar o cartão de crédito e pagar a conta, sozinhos, também.

A advogada faz as unhas, mas só passa esmaltes clarinhos. A advogata adora esmaltes claros, mas também passa marrom, vinho e até vermelho, tanto nas unhas dos pés, quanto nas unhas das mãos.

A advogada não é muito ligada a maquiagem e acha um desperdício de tempo e dinheiro gastá-los com isso. A advogata faz questão de se maquiar todos os dias (nem que seja um simples corretivo para tirar as olheiras e um blush para dar um arzinho de mais saudável). Geralmente ela faz barba, cabelo e bigode, ou melhor, pinta os olhos, os cílios, a boca e as bochechas. Um verdadeiro arraso!

A advogada compra suas roupas sempre nas mesmas lojas e, quando gosta de um terninho ou uma camisa, compra vários iguais, alternando somente pela cor das peças.

A advogata entende um pouco de moda e adora ousar (não, ela dificilmente usa algo muito curto e decotado, isso é coisa de adevogada que é assunto para outro texto), mas adora uma saia bordô, um tailleur azul marinho com pespontos em branco ou risca de giz. Uma camisa com um laço no pescoço ou mesmo um lencinho colorido amarrado, geralmente fazem em sua maioria, todos os advogados babarem por elas.

Às vezes as advogadas mudam de lado e se tornam advogatas. Começam a ter sua vida sexual mais ativa (passam a dar mais que chuchu na cerca, pelo simples fato de que não estavam acostumadas com esse negócio de fazerem sucesso com os homens, em especial, com os advogados), também se sentem mais confiantes, mais bonitas, mais poderosas.

A advogata sabe que é poderosa. Ela exala seu poder sexual (e deixa qualquer homem de quatro por ela). A advogata ganha muito mais causas e clientes que a advogada porque invariavelmente os homens preferem as advogatas.

A advogata pode ser loira, ou morena, ou ruiva. Tanto faz ser natural ou tingida, desde que seu cabelo esteja sempre bonito e brilhoso.

Eu queria ser advogata, claro. Acho que tem dias que me sinto advogata, tem outros que me sinto advogada. Quer saber, esse negócio de classificar as pessoas não é nada fácil. Você consegue apenas apontar algumas características, mas para seres humanos, não existe padrão. Talvez seja melhor ser uma advogada feliz do que uma advogata triste. Talvez seja melhor ser uma advogata poderosa do que uma advogada xexelenta. As combinações são infinitas e no final, quem decide o que quer ser, é você.
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